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Saúde Intensifica Busca Ativa e Tratamento de Apostadores Pós-Proibição de Bets Online
© Antônio Cruz/ Agência Brasil
Em uma medida decisiva para a saúde pública brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25) em São Paulo a proibição das apostas online. Em resposta imediata a essa nova realidade, o Ministério da Saúde comunicou que expandirá significativamente seus esforços para identificar e contatar apostadores contumazes, oferecendo-lhes acompanhamento e tratamento especializados onde for necessário. A iniciativa marca uma virada na abordagem governamental sobre o impacto social do jogo.
Busca Ativa e a Estrutura de Proteção de Dados
A estratégia do Ministério da Saúde centrará-se na busca ativa por indivíduos com comportamento de jogo problemático. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, essa frente de atuação já vinha sendo articulada, aproveitando dados compartilhados por entidades como os ministérios da Fazenda e da Segurança, além da Receita Federal. Essa colaboração interministerial permite a identificação de padrões que sinalizam a necessidade de intervenção.
Padilha fez questão de sublinhar a integridade e a segurança do processo de coleta e manuseio desses dados. “O Ministério da Saúde é dono do ambiente onde circulam estes dados, o Nuvem Brasil, que é absolutamente protegido e opera seguindo todas as regras da LGPD e todas as regras da ética na saúde que os profissionais têm que seguir”, afirmou o ministro, garantindo a privacidade e o sigilo dos envolvidos.
Ampliando o Acesso ao Cuidado em Saúde Mental
Para facilitar o acesso ao tratamento e acompanhamento, o Ministério da Saúde planeja utilizar e expandir as capacidades da rede do programa Meu SUS Digital. A plataforma permitirá a oferta de teleatendimentos, um recurso valioso para alcançar um público amplo e diverso, incluindo aqueles que podem ter barreiras geográficas ou de mobilidade.
O foco do atendimento se estenderá não apenas aos apostadores que enfrentarem dificuldades com a mudança nas regras das apostas, mas também aos seus familiares. A medida reconhece o impacto sistêmico do vício em jogos, que afeta todo o círculo social do indivíduo. Embora os detalhes operacionais sobre o fluxo de atendimentos e a previsão exata de sua plena implementação ainda estejam em fase de finalização, a pasta garante a prioridade e a abrangência da iniciativa.
O Custo Social e Econômico do Jogo Problemático no Brasil
Durante sua coletiva, o ministro Alexandre Padilha ressaltou os profundos impactos das apostas na saúde pública e na economia do país, justificando a urgência das novas políticas. Ele citou um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) que projeta um custo social alarmante associado às apostas, estimado em R$ 38,8 bilhões por ano.
Desses bilhões, uma parcela significativa, R$ 17 bilhões, corresponde diretamente a custos relacionados a mortes adicionais por suicídios, evidenciando a gravidade das consequências do vício em jogos na saúde mental e na vida dos cidadãos. Os dados reforçam a necessidade de uma intervenção robusta e proativa por parte das autoridades sanitárias.
A proibição das apostas online, aliada à intensificação da busca ativa e oferta de tratamento pelo Ministério da Saúde, representa um passo fundamental para mitigar os danos sociais e econômicos causados pelo jogo problemático no Brasil. A integração de dados, a segurança das informações e a expansão dos canais de atendimento digital demonstram um compromisso com uma abordagem abrangente e humanizada, visando proteger a saúde mental e o bem-estar da população.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br