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São Paulo Intensifica Busca Ativa por Sarampo e Rubéola em Todos os 645 Municípios
Até o mês de outubro, São Paulo havia confirmado 41 casos de sarampo em 2026. Foto: Governo de SP
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) desencadeou uma abrangente mobilização que envolve todos os 645 municípios paulistas. A iniciativa, parte do 6º Dia Nacional de Buscas Ativas de Sarampo e Rubéola, conhecido como Dia S, estende-se de 4 a 14 de novembro, visando identificar e notificar precocemente casos suspeitos de ambas as doenças que, porventura, não tenham sido reconhecidos ou reportados à vigilância epidemiológica.
Esta campanha estratégica prevê a avaliação minuciosa de prontuários de pacientes com sintomas compatíveis, como febre alta e manchas na pele, além da revisão de exames sorológicos. Paralelamente, serão realizadas ações de busca ativa diretamente nas comunidades, por meio de visitas domiciliares e inspeções em outros espaços, para localizar indivíduos que possam ter apresentado sinais suspeitos das enfermidades.
Alcance e Propósito da Mobilização Estadual
Embora a iniciativa ocorra em âmbito nacional, a participação integral dos municípios paulistas é crucial. As equipes de saúde locais estão incumbidas de revisar registros de atendimento e conduzir buscas ativas em diversos ambientes, incluindo escolas, locais de trabalho e residências, conforme um planejamento adaptado a cada realidade. Essa abordagem é vital não apenas para áreas com notificações, mas também para municípios que não registraram casos recentes, onde a busca ativa serve para aferir a capacidade de detecção de sua vigilância e identificar possíveis ocorrências não captadas pela vigilância passiva. Todos os casos suspeitos descobertos deverão ser prontamente notificados e investigados.
Cenário Epidemiológico e Vigilância no Estado de São Paulo
Até o mês de outubro do corrente ano, o estado de São Paulo havia confirmado 41 casos de sarampo. A maioria, 37, foi registrada na capital, enquanto São Bernardo do Campo teve dois, e Guarulhos e Santo André, um caso cada. Uma análise dos pacientes revelou que 31 deles não possuíam registro de vacinação contra a doença ou apresentavam um esquema vacinal incompleto. É um dado preocupante que cerca de 61% dos casos tenha afetado crianças menores de 2 anos, um grupo particularmente vulnerável.
As vigilâncias epidemiológicas, tanto estadual quanto municipais, monitoram continuamente as cadeias de transmissão, investigam cada caso e seus contatos, e implementam ações de bloqueio vacinal para conter a propagação. A persistência da circulação do sarampo em outras nações mantém o risco de novos casos importados, sublinhando a imperativa necessidade de vacinação e da identificação precoce de qualquer suspeita para proteger a saúde pública.
Metodologias da Busca Ativa: Um Detalhe Essencial
A busca ativa é uma ferramenta fundamental para desvendar casos de sarampo e rubéola que escapam à detecção pela vigilância epidemiológica rotineira. Essa estratégia se desdobra em três modalidades distintas, cada qual com sua especificidade para otimizar a identificação de casos.
Busca Ativa Institucional (BAI)
A BAI foca na revisão sistemática e retrospectiva de prontuários clínicos e fichas de atendimento em todos os serviços de saúde, sejam eles públicos ou privados. O objetivo é analisar registros passados, dentro de um período definido, para localizar indivíduos que possam ter apresentado sintomas compatíveis e que não foram reconhecidos ou notificados anteriormente, garantindo que nenhum caso passe despercebido dentro do sistema de saúde.
Busca Ativa Comunitária (BAC)
A BAC é conduzida diretamente nas comunidades, de forma retrospectiva, buscando pessoas que manifestaram sinais e sintomas da doença nos últimos 30 dias. Essa estratégia difere das atividades rotineiras dos agentes comunitários de saúde, que são treinados para identificar e notificar novos casos suspeitos em seus territórios. A BAC aprofunda essa busca, rastreando eventos passados para uma detecção mais abrangente.
Busca Ativa Laboratorial (BAL)
Considerando que os sintomas iniciais do sarampo e da rubéola podem mimetizar os de arboviroses como dengue, zika e chikungunya, a BAL atua na reavaliação de amostras laboratoriais. Especificamente, amostras que resultaram negativas para as três arboviroses devem ser reanalisadas para sarampo e rubéola, desde que o paciente apresente a definição de caso suspeito ou tenha manifestado, no mínimo, febre e exantema (manchas na pele). Isso garante que diagnósticos diferenciais importantes não sejam negligenciados.
Investimento em Capacitação e Formação Profissional
A SES-SP reforça seu compromisso com a excelência na vigilância através da promoção de capacitações especializadas. Estes programas abordam temas como as técnicas de busca ativa, a correta identificação de casos suspeitos e a verificação da situação vacinal da população. Tais treinamentos contam com a colaboração de entidades chave como o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP) e a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
A programação de capacitação também inclui encontros macrorregionais focados na atualização sobre a situação epidemiológica do sarampo e da rubéola, abrangendo os mais recentes avanços em vigilância, imunização e diagnóstico laboratorial. O acompanhamento contínuo dos indicadores de saúde permite à SES-SP avaliar a eficácia das ações de detecção de casos e orientar os ajustes necessários nas estratégias municipais, assegurando uma resposta coordenada e eficiente.
Prevenção: A Vacinação como Pilar Fundamental
A vacinação permanece a medida mais eficaz e segura para prevenir o sarampo e a rubéola, além de proteger contra a caxumba, por meio da vacina tríplice viral, amplamente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Manter o esquema vacinal em dia é crucial para a proteção individual e coletiva.
O esquema de vacinação recomendado para crianças é de duas doses: a primeira dose da vacina tríplice viral é aplicada aos 12 meses de idade, e a segunda dose, preferencialmente com a vacina tetraviral (que também confere proteção contra a varicela), é administrada aos 15 meses. A adesão a este calendário é vital para construir uma barreira robusta contra a reemergência e propagação dessas doenças altamente contagiosas.
A mobilização do estado de São Paulo, aliada à conscientização sobre a importância da vacinação, representa um esforço contínuo para salvaguardar a saúde da população paulista. A detecção precoce de casos e a imunização são as pedras angulares para erradicar essas enfermidades e garantir um futuro mais saudável para todos.
Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br