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Própolis verde revela potencial promissor contra Alzheimer e Parkinson, aponta estudo
G1
Uma pesquisa pioneira da Universidade de São Paulo (USP) acende uma nova esperança no combate a doenças neurodegenerativas, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. O estudo, conduzido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), revelou que a própolis verde, uma resina natural produzida por abelhas, possui compostos com notável potencial de atuação contra males devastadores como o Alzheimer e o Parkinson. Os testes iniciais, realizados em laboratório e cujos resultados foram publicados em um artigo científico na prestigiada revista Chemistry & Biodiversity, indicam que essa substância milenar pode oferecer proteção vital às células nervosas. Essa descoberta inovadora não apenas abre caminhos para o desenvolvimento de terapias futuras, mas também sublinha a riqueza da biodiversidade brasileira e a capacidade das abelhas na criação de compostos com profundo impacto na saúde humana.
Própolis verde: um escudo para neurônios
A essência da descoberta reside na capacidade de determinados compostos da própolis verde em proteger as células nervosas contra danos e a subsequente morte celular, um processo comum e devastador em doenças neurodegenerativas. Cientistas identificaram que esses componentes são capazes de inibir os mecanismos associados à degeneração neurológica, que incluem a perda progressiva de neurônios, fator comum tanto no Alzheimer quanto no Parkinson. Os achados sugerem que a própolis verde age como um verdadeiro escudo para a integridade neural, oferecendo uma perspectiva otimista para a prevenção e tratamento dessas condições.
Compostos bioativos e a proteção celular
O estudo aprofundou-se na extração e análise de compostos específicos da própolis verde, destacando-se a artepelina C e a bacarina. Observou-se que essas substâncias demonstraram a capacidade de estimular os neurônios a se diferenciarem, aprimorarem suas conexões e, crucialmente, a evitarem a perda celular. Em termos mais acessíveis, os componentes da própolis verde auxiliam as células cerebrais a mitigar os processos que causam danos, a manterem seu funcionamento de forma mais eficaz e a ativarem mecanismos naturais de adaptação. Isso se traduz em células mais resistentes, capazes de se reorganizar e de formar novas conexões, um feito notável em face das enfermidades que causam sua degradação.
Os testes foram realizados in vitro com células nervosas cultivadas em laboratório, o que permitiu aos pesquisadores observar diretamente os efeitos promissores das propriedades bioativas da própolis verde. O farmacêutico Gabriel Rocha Caldas, autor principal do estudo e fruto de sua pesquisa de doutorado, explicou a ação demonstrada pelos compostos: “Essas doenças têm em comum a perda progressiva de neurônios. Os compostos presentes na própolis verde mostraram potencial para ajudar na proteção das células do cérebro e em processos ligados à regeneração e adaptação dos neurônios”, afirmou. Os resultados são um forte indício do potencial dessa substância como fonte natural de ativos com atividade biológica relevante para a saúde do sistema nervoso, pavimentando o caminho para o desenvolvimento de futuras terapias.
A singularidade da própolis verde brasileira
A própolis, em sua forma mais conhecida, é uma substância resinosa coletada pelas abelhas de diversas fontes botânicas para proteger e higienizar suas colmeias. É mundialmente reconhecida por suas propriedades antissépticas, anti-inflamatórias, antifúngicas, antioxidantes e por atuar como um antibiótico natural. No entanto, a própolis verde distingue-se das demais variedades, como a própolis marrom (polifloral), por sua origem botânica específica, que lhe confere um perfil químico único e de grande interesse para a ciência.
Da abelha ao alecrim-do-campo: a origem de um supercomposto
O diferencial da própolis verde reside no fato de que as abelhas responsáveis por sua produção coletam a resina predominantemente de uma única planta: o alecrim-do-campo (cientificamente conhecido como Baccharis dracunculifolia), uma espécie abundante no Brasil. Essa especificidade botânica resulta em uma composição química particular, rica em substâncias como a já mencionada artepelina C e bacarina, que não são encontradas em outras variedades de própolis ou são encontradas em concentrações muito menores.
As abelhas utilizam a própolis como um mecanismo de defesa e higiene da colmeia, vedando frestas contra intempéries, reforçando a estrutura interna e até embalsamando invasores mortos para impedir sua decomposição. A escolha da própolis verde para a pesquisa não foi aleatória. Gabriel Rocha Caldas destacou a motivação principal: “A motivação principal foi o fato de a própolis verde ser um produto tipicamente brasileiro, muito rico em substâncias naturais e já conhecido por apresentar ações antioxidantes e anti-inflamatórias. Já existiam estudos mostrando que alguns compostos da própolis tinham potencial para proteger células; com isso, nosso objetivo foi investigar se esses compostos poderiam atuar diretamente em células do sistema nervoso.” Essa particularidade da própolis verde brasileira é o que a coloca no centro das atenções da comunidade científica global.
Próximos passos e a esperança para o futuro
Os resultados promissores do estudo da USP representam um avanço significativo na compreensão do potencial da própolis verde contra doenças neurodegenerativas. Contudo, é fundamental ressaltar que, para que os compostos específicos da própolis verde possam ser efetivamente utilizados como medicamentos para fins neurológicos, ainda são necessários estudos mais aprofundados. O cientista Gabriel Caldas enfatiza a importância de etapas futuras, que incluirão a definição da dose adequada, a comprovação da segurança em organismos vivos, a forma de uso mais eficaz e a validação de sua eficácia em modelos experimentais mais complexos.
Mesmo para o uso como suplemento alimentar, a procedência e a qualidade do produto são aspectos essenciais. A composição da própolis pode variar consideravelmente de acordo com a origem geográfica, a época de coleta e os processos de produção, o que sublinha a necessidade de regulamentação e controle rigorosos para garantir a integridade e a eficácia do produto final. Este estudo robustece a crescente evidência de como o conhecimento da natureza e seus recursos pode impulsionar o avanço da medicina, destacando o papel indispensável das abelhas na criação de um composto com tamanho potencial científico. A pesquisa da USP não só abre portas para novas terapias, mas também reforça a importância da preservação da biodiversidade e do ecossistema das abelhas.
Perguntas frequentes sobre a própolis verde e doenças neurodegenerativas
O que é própolis verde e de onde ela vem?
A própolis verde é uma resina natural produzida por abelhas, que a coletam especificamente da planta Baccharis dracunculifolia, conhecida popularmente como alecrim-do-campo. Essa origem botânica confere à própolis verde uma composição química única e rica em compostos bioativos, diferenciando-a de outras variedades de própolis.
Como a própolis verde atua contra Alzheimer e Parkinson?
A pesquisa da USP identificou que compostos como a artepelina C e a bacarina, presentes na própolis verde, têm potencial para proteger as células nervosas. Eles inibem processos de degeneração, estimulam os neurônios a se diferenciarem, se conectarem e a evitarem a morte celular, tornando-os mais resistentes e capazes de reorganizar suas conexões.
Posso usar própolis verde como tratamento para essas doenças agora?
Não. Embora a pesquisa mostre um potencial promissor, os testes foram realizados in vitro (em laboratório com células). Ainda são necessários estudos clínicos aprofundados para definir doses, segurança, forma de uso e eficácia em seres humanos. O uso da própolis verde como suplemento deve sempre considerar sua procedência e qualidade, e ser acompanhado por um profissional de saúde.
Descubra mais sobre os avanços científicos e o potencial da natureza para a sua saúde. Fique atento às novidades e consulte sempre especialistas para as melhores orientações.
Fonte: https://g1.globo.com