Operação no rio: jovens representam um terço das vítimas fatais

 Operação no rio: jovens representam um terço das vítimas fatais

© Joédson Alves/Agência Brasil

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A recente operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, contra o Comando Vermelho, expõe um padrão preocupante: a alta letalidade entre jovens. Uma lista com a identificação dos mortos, divulgada pelo Governo do Estado, revela que pelo menos dois adolescentes, de 14 e 17 anos, perderam a vida na ação. Além deles, ao menos outros seis mortos tinham menos de 20 anos.

O levantamento demonstra que, aproximadamente, um em cada três mortos tinha até 25 anos. Uma análise dos dados aponta, em alguns casos, inconsistências, como o erro na data de nascimento de um jovem de 19 anos, Yago Ravel, cujo corpo foi encontrado decapitado.

A operação resultou em 121 mortes, incluindo dois policiais civis e dois militares. A Polícia Civil divulgou nomes, fotos e idades dos civis mortos, incluindo os adolescentes, juntamente com anotações criminais e postagens em redes sociais, utilizadas como supostos indicadores de ligação com o tráfico de drogas.

O pai do adolescente de 14 anos, morador de Nova Iguaçu, relatou que o filho havia saído para bailes nos complexos da Penha e do Alemão e desapareceu. Ele precisou abandonar o emprego para procurar o jovem, reconhecido por moradores como tendo sido morto na mata, área de confronto intenso com o Batalhão de Operações Especiais (Bope).

O avô do adolescente de 17 anos, que preferiu não se identificar, lamentou não ter conseguido evitar o envolvimento do neto com o crime, apesar de tê-lo criado como filho. Ele mencionou a dificuldade de proteger os jovens da influência do crime dentro da comunidade, sentindo a perda do neto em vida, quando este deixou de ouvi-lo.

A lista da Polícia Civil indica que oito dos mortos não haviam completado 20 anos, e mais da metade tinha 30 anos ou menos. Um dos jovens foi associado à facção Comando Vermelho por postar emojis vermelhos em suas redes sociais. Os dois adolescentes mortos haviam sido flagrados em fotos nas redes sociais portando fuzis.

O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro minimizou a ausência de antecedentes criminais ou fotos com armas para alguns dos mortos, argumentando que a reação à abordagem policial justificaria a prisão em flagrante por diversos crimes.

Mônica Cunha, ativista de direitos humanos e fundadora do Movimento Moleque, atribui a alta letalidade entre jovens ao racismo, que, segundo ela, desvia investimentos de áreas pobres e impede o acesso a políticas públicas para a população negra. Ela critica o direcionamento de recursos para a militarização da segurança, em detrimento de investimentos em áreas como saúde, educação e cultura.

A ativista também aponta que a ausência do Estado abre espaço para organizações criminosas, que oferecem uma falsa sensação de pertencimento aos jovens. Para Mônica, essa lógica é genocida, eliminando oportunidades de uma vida digna para a juventude negra. A perda dessas vidas representa, para ela, a perda do futuro da sociedade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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