O que nos espera ao envelhecer? desafios emocionais crescem com o número de idosos

 O que nos espera ao envelhecer? desafios emocionais crescem com o número de idosos

G1

Compatilhe essa matéria

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que abordou as perspectivas sobre o envelhecimento na sociedade brasileira, ecoa uma realidade já presente no Oeste Paulista. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que municípios como Presidente Prudente, Adamantina, Dracena, Presidente Venceslau e Presidente Epitácio, todos no estado de São Paulo, estão passando por um intenso processo de envelhecimento populacional.

Entre os censos de 2010 e 2022, a população com mais de 60 anos em Presidente Prudente aumentou de 28 mil para mais de 44 mil pessoas, representando um crescimento de quase 57% em apenas 12 anos. O aumento também é notável em cidades menores, como Adamantina, Dracena e Presidente Venceslau, onde mais de 22% da população tem 60 anos ou mais, superando muitos índices de capitais brasileiras.

Além do aumento geral no número de idosos, observa-se uma rápida expansão das faixas etárias mais avançadas. O grupo de pessoas com 80 anos ou mais cresceu entre 50% e 70% nos cinco municípios analisados, demonstrando não apenas o aumento da população com mais de 60 anos, mas também o aumento da longevidade.

Este aumento da longevidade acentua a necessidade de políticas públicas específicas, serviços de saúde preparados para atender demandas complexas e redes de apoio familiar e comunitário capazes de acompanhar as mudanças dessa nova realidade demográfica.

A psicóloga Joselene L. Alvim ressalta que o país está passando por uma transformação acelerada, ocupando a sexta posição mundial em número de idosos. Segundo a especialista, o aumento da expectativa de vida gera maior demanda por serviços de saúde e mudanças na força de trabalho.

O perfil da pessoa idosa também evoluiu significativamente. Atualmente, idosos viajam mais, praticam esportes, namoram e têm uma vida social mais ativa em comparação com décadas anteriores. No entanto, o preconceito e a desvalorização social persistem.

Apesar da crescente autonomia, o envelhecimento continua a apresentar desafios emocionais e sociais. A redefinição de papéis sociais, como a saída dos filhos de casa, pode gerar sentimentos de solidão e insegurança em relação ao futuro. A aposentadoria, a perda de amigos e parceiros e as mudanças na autoimagem também são pontos críticos.

Consequentemente, quadros de ansiedade e depressão são comuns, muitas vezes silenciosos. A solidão é uma queixa frequente, com relatos de sensação de vazio e falta de sentido na vida. A falta de motivação para atividades, o isolamento e alterações no sono podem indicar sofrimento, sinais aos quais a família deve estar atenta.

O preconceito contra o envelhecimento persiste, manifestando-se em diversos ambientes, desde o mercado de trabalho até as relações familiares. As consequências incluem ansiedade, depressão, baixa autoestima e isolamento social. A empatia é fundamental para combater o preconceito, compreendendo as mudanças inerentes a essa fase da vida e valorizando a capacidade dos idosos de desenvolver diversas atividades.

A família desempenha um papel crucial no processo de envelhecimento saudável, incentivando a realização de tarefas diárias, a participação em cursos e atividades sociais, promovendo o envolvimento e a conexão com o mundo. Hábitos simples como atividade física regular, estímulos cognitivos, participação social, sono adequado, alimentação saudável e acompanhamento médico contínuo são essenciais.

A psicóloga enfatiza que o envelhecimento não deve ser sinônimo de preocupação ou algo negativo, mas sim uma fase da vida que pode ser vivida com leveza e bem-estar, representando o início de novas histórias.

A psicóloga conclui que o país ainda não está totalmente preparado para o envelhecimento populacional, apontando para a falta de conscientização e as lacunas nas políticas públicas. No Oeste Paulista, a necessidade de reorganizar estruturas, repensar serviços e ampliar estratégias de cuidado é urgente e crescente, exigindo adaptações em políticas de saúde, mobilidade, moradia, lazer e segurança.

Fonte: g1.globo.com

Relacionados