Não há flores suficientes para cobrir a violência

 Não há flores suficientes para cobrir a violência
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Por Elsa Oliveira

Chegamos a mais um mês de março. Mais um 8 de março. Mais um Dia Internacional da Mulher.

Mas o que exatamente estamos comemorando?

A data, celebrada desde meados da década de 1910, nasceu da denúncia da violência, da exploração e da morte de mulheres trabalhadoras. Foi oficialmente reconhecida pela Organização das Nações Unidas em 1975, mais de meio século depois de já ecoar nas ruas como símbolo de luta.

A própria demora em oficializar a existência política das mulheres já diz muito. Cem anos depois, o cenário ainda é alarmante. No Brasil, os números recentes de feminicídio seguem batendo recordes. São mais de 1.500 mulheres assassinadas em um único ano uma média de quatro por dia. Milhões relatam ter sofrido violência física, psicológica, moral ou sexual. E sabemos que há ainda aquelas que não denunciam. As que têm medo. As que dependem financeiramente. As que já não acreditam na proteção do Estado.

E aí, em meio a isso tudo, chega março, com suas campanhas publicitárias, flores e homenagens. Mas também chega com estatísticas que sangram, lembrando que não há muito o que comemorar quando ser mulher ainda é fator de risco.

O feminicídio não é tragédia isolada. É estrutura.

A violência doméstica não é exceção. É padrão.

O medo não é exagero. É experiência cotidiana.

Seguimos ensinando meninas a se protegerem, orientando mulheres a evitarem certos lugares, certas roupas, certos horários e, sobretudo, seguimos dizendo “cuidado”.

E diante de tanto fato, escrevo este manifesto como forma de chamado! Porque é hora de falarmos com os homens e não apenas sobre eles. É hora de convocá-los à responsabilidade ativa, a questionarem suas piadas e comportamentos machistas; a interromperem ciclos de violência; a educarem outros homens; a assumirem que igualdade não é concessão, é dever. Não se trata de uma pauta feminina: é uma questão humana, um problema social que exige transformação coletiva.

O Dia Internacional da Mulher não nasceu para ser confortável.Nasceu para incomodar e para lembrar a sociedade que nenhum direito nos foi dado. E mesmo assim, o pouco que conquistamos ainda está sob ameaça constante.

Que este 8 de março não seja apenas celebração simbólica. Que seja compromisso. Que seja ruptura. Que seja início de conversas difíceis que já deveriam estar acontecendo. Porque enquanto houver uma mulher com medo, nenhuma sociedade pode se chamar justa.

Não queremos flores. Queremos segurança.

Não queremos discursos vazios. Queremos mudança estrutural.

E ela já passou da hora de existir!

Elsa Oliveira- Vereadora e Presidente do Podemos Mulher, diretório Osasco

 

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