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Maçonaria revelada: uma jornada exclusiva ao interior de um templo maçônico
G1
A Maçonaria, uma das mais antigas e reservadas fraternidades do mundo, sempre despertou curiosidade. Um acesso exclusivo permitiu desvendar o interior de uma loja maçônica, explorando suas tradições, símbolos e filosofia. Com mais de 300 anos de história, a Maçonaria mantém rituais envoltos em mistério, atraindo figuras notáveis que compartilham seus princípios de ciência, justiça e trabalho.
Entre os membros históricos da Maçonaria, encontram-se filósofos como Voltaire, músicos como Mozart e Beethoven, e líderes como Napoleão e Garibaldi. No Brasil, Dom Pedro I, Duque de Caxias, Deodoro da Fonseca, Washington Luís e Luiz Gonzaga também fizeram parte da fraternidade. Em Bauru, personalidades como Azarias Leite, Gerson França e Carlos Marques estão ligadas à Loja Arquitetos de Ormuzd, uma das mais antigas do interior paulista e do Brasil, fundada antes mesmo da criação oficial da cidade.
A organização maçônica é dividida em ritos e graus. Recentemente, a Loja Arquitetos de Ormuzd, em Bauru, sediou a elevação de membros ao grau 33, um evento inédito fora de uma capital brasileira. O Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o Rito Escocês Antigo e Aceito, Antônio Carlos Barbosa Ramos, esteve presente na cerimônia.
Em entrevista exclusiva, o Comendador Antônio Carlos explicou o significado da elevação ao grau 33: “É atingir o ápice da pirâmide, o clímax do conhecimento humano através da prática das virtudes e do conhecimento da trajetória da humanidade”. Ele ressaltou que um maçom de grau 33 deve buscar o bem e evitar o mal, pautando suas ações pelo bom senso, conhecimento e louvor a Deus.
Sobre a descentralização da elevação para Bauru, o Comendador explicou que o objetivo é aproximar o Supremo Conselho dos irmãos, promovendo a troca de informações e o debate de ideias para uma conduta sadia e construtora para o bem geral e da Maçonaria. Ele enfatizou a importância da influência positiva do maçom na sociedade, buscando melhorar a comunidade, a cidade e o país, e promovendo o respeito mútuo.
Questionado sobre os preconceitos em relação à Maçonaria, o Comendador afirmou que são fruto da ignorância. “Fora da Maçonaria, ninguém a conhece de fato”, disse ele, acrescentando que a Maçonaria não deve se preocupar em refutar tais preconceitos, pois ela se sustenta nos princípios de bons costumes.
Márcio Augusto Cuxida, delegado litúrgico da região de Bauru, apresentou o templo maçônico da Loja Arquitetos de Ormuzd. As lojas maçônicas são identificadas pelo símbolo do compasso e do esquadro, que remetem às origens da Maçonaria ligadas a construtores. No interior do templo, predominam a cor azul e diversas simbologias, como triângulos, colunas zodiacais e a Corda de 81 Nós, que simboliza a união entre os irmãos. O termo “templo” está relacionado à contemplação do Grande Arquiteto do Universo, uma referência a Deus.
Para ingressar na Maçonaria, o candidato deve ser crente em Deus e ser indicado por um membro da irmandade. Mulheres não são aceitas, mas existe a organização DeMolay, que reúne filhos de maçons menores de 18 anos. Um homem só pode entrar na Maçonaria com o aval de uma mulher, seja sua mãe ou esposa, demonstrando a importância da família para a fraternidade.
As reuniões maçônicas são fechadas, o que confere à Maçonaria o caráter de sociedade discreta, mas não secreta. Em algumas ocasiões, como as Sessões Brancas, o espaço é aberto a autoridades e políticos. Os símbolos maçônicos são importantes para a comunicação e o reconhecimento entre os membros da fraternidade em diferentes lugares.
Fonte: g1.globo.com