Lula adota modelo do RS para financiar moradias em Minas Gerais

 Lula adota modelo do RS para financiar moradias em Minas Gerais

© Tânia Rego/Agência Brasil

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O governo federal, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou uma série de medidas emergenciais e de longo prazo para as famílias que perderam suas casas devido às fortes chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais. Os financiamentos de moradias para os desabrigados seguirão um modelo já testado e aprimorado nas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul há dois anos, buscando agilidade e eficácia na reconstrução. A declaração, feita após reunião com prefeitos de cidades impactadas, como Juiz de Fora, Ubá e Matias Pereira, reforça o compromisso da União em oferecer apoio integral, abrangendo não apenas a assistência humanitária e a reconstrução de infraestrutura, mas também linhas de crédito facilitadas para pequenos empresários afetados pelos temporais.

Modelo de apoio federal e reconstrução

Adoção do padrão do Rio Grande do Sul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que a estratégia para os financiamentos de moradias destinadas às famílias que perderam suas residências nas recentes e intensas chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais será baseada no modelo implementado durante as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul há dois anos. Essa decisão visa replicar um plano que se mostrou eficaz em situações de calamidade climática.

Em pronunciamento conjunto à imprensa, após encontros com os prefeitos de Juiz de Fora, Ubá e Matias Pereira, o presidente assegurou que o governo federal fornecerá apoio irrestrito às cidades atingidas. Entre as ações previstas, destacam-se a assistência direta às administrações municipais e a disponibilização de linhas de crédito especiais para os pequenos empresários que sofreram perdas significativas em seus negócios devido aos temporais. Lula enfatizou a importância de aprender com experiências anteriores: “Aprendemos com a tragédia no Rio Grande do Sul. Vamos ajudar os prefeitos a recuperar suas cidades, vamos ajudar os pequenos empresários a ter crédito para recuperar suas empresas e vamos dar casa para as pessoas que perderam suas casas”.

Escritório federal e compra assistida

Para garantir a celeridade e a eficácia das operações de reconstrução, o presidente Lula determinou a instalação de um escritório federal na cidade de Juiz de Fora. Essa unidade terá como principal objetivo coordenar e agilizar todos os trabalhos relacionados à recuperação das áreas afetadas e à assistência à população.

Um dos pilares do plano de reconstrução habitacional é a determinação de que as novas moradias não serão edificadas em áreas classificadas como de risco, repetindo a premissa adotada no Rio Grande do Sul. O objetivo é evitar futuras tragédias e garantir a segurança dos moradores. Caso um município não possua terrenos seguros e adequados para a construção de novas casas, o governo federal está preparado para implementar o modelo de “compra assistida”. Esse formato, já empregado em outros desastres climáticos no país, permite que a família que perdeu seu imóvel receba um valor diretamente do governo federal para adquirir uma nova residência, seja ela nova ou usada, em qualquer cidade do estado. Todos os custos envolvidos nesse processo serão integralmente assumidos pela União. “Se a cidade não tiver terreno, vamos arrumar. Se não tiver, vamos adotar o sistema de compra assistida”, explicou Lula, reiterando que a prioridade máxima é proporcionar moradia digna e segura, longe de encostas ou regiões suscetíveis a alagamentos.

Visita presidencial e abrangência dos impactos

Sobrevoo e contato com desabrigados

Na manhã da data da visita, o presidente Lula desembarcou na região e realizou um sobrevoo por diversas cidades afetadas, permitindo uma avaliação aérea da extensão dos danos. Em Juiz de Fora, município que concentra o maior número de vítimas e milhares de desalojados, o presidente visitou as áreas mais devastadas. No local, conversou diretamente com moradores que se encontram em abrigos improvisados, ouvindo seus relatos e manifestando solidariedade.

Além de Juiz de Fora, outras localidades como Ubá, Matias Barbosa, Divinésia e Senador Firmino também foram severamente impactadas pelas chuvas, registrando deslizamentos de terra, inundações e danos consideráveis a prédios públicos e infraestrutura urbana. A dimensão dos estragos reforça a necessidade de uma resposta coordenada e abrangente.

Mapeamento dos prejuízos e recursos emergenciais

Durante os encontros com os prefeitos da região, o presidente Lula fez um pedido crucial: que as administrações municipais elaborem um levantamento detalhado e preciso de todos os prejuízos sofridos. Esse inventário será fundamental para viabilizar a rápida liberação de recursos federais destinados à recuperação. “O que for material, seja na saúde, na educação ou na infraestrutura, nós vamos garantir que seja recuperado”, assegurou o presidente, destacando o compromisso com a reconstrução de todos os setores.

Em um esforço conjunto, o governo federal já havia anunciado a liberação de verbas para ações emergenciais e assistência humanitária nas cidades que declararam estado de calamidade pública. Esses recursos são direcionados ao restabelecimento de serviços essenciais, suporte a abrigos e reparo de estruturas públicas danificadas. Adicionalmente, foi confirmada a antecipação dos pagamentos do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para as famílias diretamente impactadas. Moradores dos municípios atingidos terão, ainda, a possibilidade de solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguindo as normas específicas para desastres naturais. Para pequenos empresários, medidas incluem acesso facilitado a linhas de crédito, visando a retomada das atividades e a recomposição de estoques e equipamentos perdidos.

Compromisso integral e próximos passos

Assistência sem distinção política

Ao final de sua agenda em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de reforçar que o apoio federal será concedido independentemente de quaisquer alinhamentos políticos com prefeitos ou lideranças locais. “Não importa o partido do prefeito. Teve problema na cidade, tem projeto bem-feito e demanda verdadeira, nós vamos ajudar”, afirmou o presidente, enfatizando uma postura de não partidarização da ajuda humanitária e da reconstrução.

Lula reconheceu a dor irreparável das vidas perdidas na tragédia, mas garantiu que o governo federal empregará todos os esforços para restabelecer as condições de moradia e infraestrutura, oferecendo uma perspectiva de futuro aos sobreviventes. “A vida a gente não consegue trazer de volta. Mas podemos garantir que as pessoas tenham perspectiva e dignidade para recomeçar”, concluiu. A comitiva presidencial incluía os ministros Jader Filho (Cidades), Alexandre Padilha (Saúde), Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Wellington Dias (Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome), além do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira, e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e o prefeito de Ubá, José Damato, também participaram dos pronunciamentos.

Medidas adicionais e homenagem às vítimas

Em sua manifestação, a prefeita Margarida Salomão expressou gratidão e o compromisso das administrações locais. “Me atrevo a falar em nome de todos os prefeitos da região. Nós vamos fazer o dever de casa, levantar detalhadamente as necessidades e vamos colocá-las para o governo federal. E tenho absoluta certeza de que ninguém vai ficar para trás. Ninguém vai ficar sem casa, ninguém vai ficar desassistido. A vida não conseguimos recuperar, mas a perspectiva de vida a todos podemos garantir”, declarou a prefeita, reiterando a parceria com o governo federal. A visita foi encerrada, a pedido do presidente Lula, com um minuto de silêncio em memória das vítimas fatais do desastre climático, um gesto de respeito e solidariedade àqueles que perderam a vida. O governo reitera seu compromisso com a reconstrução e a assistência integral às famílias afetadas, visando restaurar a normalidade e a dignidade de vida em todas as comunidades impactadas.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual modelo de financiamento de moradias será adotado para os desabrigados em Minas Gerais?
O governo federal adotará o mesmo modelo de financiamento de moradias utilizado nas enchentes do Rio Grande do Sul há dois anos, que se mostrou eficaz na reconstrução e reassentamento de famílias.

2. Como funcionará o sistema de “compra assistida” de imóveis?
No sistema de “compra assistida”, caso o município não disponha de terrenos seguros para novas construções, o governo federal fornecerá um valor à família desabrigada para que ela possa adquirir uma casa nova ou usada em qualquer cidade do estado, com todos os custos arcados pela União.

3. Quais outras formas de auxílio estão sendo disponibilizadas para os municípios e famílias afetadas?
Além do financiamento de moradias, estão sendo liberados recursos para ações emergenciais e assistência humanitária, apoio a abrigos, reconstrução de infraestrutura, antecipação do Bolsa Família e BPC, saque do FGTS (conforme regras) e linhas de crédito facilitadas para pequenos empresários.

4. Onde será estabelecido o escritório federal para acelerar os trabalhos de reconstrução?
Um escritório federal será estabelecido na cidade de Juiz de Fora, que concentra o maior número de vítimas e desalojados, para coordenar e agilizar todos os trabalhos de reconstrução e assistência.

Para mais informações sobre o auxílio e como solicitá-lo, acompanhe os canais oficiais do governo federal e as prefeituras locais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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