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Inverno: Estratégias Essenciais para Proteger Asmáticos de Crises Respiratórias
© Mojpe/Pixabay
A chegada do inverno, com suas temperaturas mais baixas e a consequente mudança de hábitos, representa um período de alerta para milhões de brasileiros que convivem com a asma. Embora o frio em si não seja o principal vilão, fatores como a maior permanência em ambientes fechados, o aumento da circulação de vírus e o contato com itens guardados por longo tempo podem desencadear ou agravar crises, especialmente em crianças e adolescentes. A prevenção e o controle contínuo da doença são cruciais para garantir a qualidade de vida durante a estação mais fria do ano.
Os Verdadeiros Gatilhos da Asma no Inverno
Contrariando a percepção comum, o coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, esclarece que não é o frio diretamente que agrava a condição asmática. O inverno se torna um período de risco devido à proliferação de vírus respiratórios, como os da gripe (Influenza), Covid-19 e o vírus sincicial respiratório (VSR). Essas infecções virais adicionam uma inflamação às vias aéreas já sensíveis dos asmáticos, podendo precipitar crises em quadros não controlados. “Se a asma não está bem tratada, bem controlada, o resfriado ou a virose adicionam mais uma inflamação na via aérea da pessoa, nos brônquios, e ela pode ter uma crise”, explica o especialista.
A Vitalidade do Tratamento Contínuo e da Vacinação
Emilio Pizzichini enfatiza que a atenção ao tratamento adequado da asma deve ser mantida ao longo de todo o ano, já que a maioria dos casos requer medicação contínua para manter a inflamação sob controle. Além disso, a vacinação contra agentes infecciosos como Influenza, Covid-19 e VSR é uma ferramenta preventiva poderosa, reduzindo o risco de inflamações respiratórias graves e, consequentemente, de crises asmáticas e hospitalizações. No Brasil, estima-se que cerca de 20 milhões de asmáticos enfrentem uma ou duas infecções respiratórias anualmente.
Asma na Infância e Adolescência: Um Alerta Nacional
A vulnerabilidade de crianças e adolescentes à asma no inverno é um dado alarmante. Levantamentos do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), realizados pela organização Umane, revelam que a faixa etária de 0 a 14 anos foi responsável por impressionantes 70,5% das internações por asma em julho de 2024. Neste mês específico, foram 4.034 hospitalizações nesse grupo, quase o dobro das registradas em janeiro. Ao longo de 2024, o Brasil acumulou 52.087 internações por asma, com 73,7% delas concentradas entre crianças e adolescentes.
Medidas Preventivas Essenciais no Ambiente Doméstico
Para minimizar os riscos de crises, a pneumologista Marcela Marques, do Atendimento Multiassistencial de Saúde da Umane, oferece orientações práticas para o ambiente doméstico. É fundamental manter a casa arejada e ensolarada, prevenindo o acúmulo de mofo e umidade. A limpeza deve priorizar panos úmidos ou aspiradores em vez de vassouras, para evitar a dispersão de poeira. Recomenda-se também a limpeza frequente de cortinas e a redução de objetos que possam acumular pó, como brinquedos e bichos de pelúcia nos quartos infantis. A preferência por edredons em detrimento de cobertores pesados também é aconselhada. Outro ponto crítico é evitar a exposição à fumaça de qualquer tipo, seja de cigarro comum, eletrônico ou narguilé, visto que o tabagismo passivo é um dos piores gatilhos para crises de asma.
Desafios na Orientação e no Acompanhamento da Asma
Marcela Marques aponta uma lacuna na atenção à saúde, lamentando a falta de orientação precoce às famílias sobre o tratamento da asma, muitas vezes apenas iniciada após uma primeira internação. Um tratamento preventivo adequado, iniciado prontamente, pode tornar novas hospitalizações raras. O coordenador da SBPT, Emilio Pizzichini, reforça que a infecção respiratória precisa ser tratada na atenção primária, pois muitas crianças não realizam testes para determinar se sintomas como o chiado são realmente decorrentes da asma. A especialista ressalta que o conhecimento sobre os gatilhos das crises e um plano de ação claro para quando os sintomas surgem são fundamentais para evitar visitas frequentes a prontos-socorros. A capacitação das famílias para gerenciar a doença em casa é um passo essencial para o controle eficaz da asma.
Aglomeração e a Facilitação da Transmissão Viral
Pedro Giavina-Bianchi, alergista e imunologista do Departamento Científico de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), complementa que o comportamento humano no inverno contribui significativamente para o problema. O frio leva as pessoas a passarem mais tempo em locais fechados e aglomerados, o que naturalmente eleva a taxa de transmissão de vírus respiratórios. “Então, realmente, a gente tem um aumento da frequência, que a gente chama de prevalência, de infecções virais, nessa época, e, por consequência, acaba tendo mais crises de asma também”, afirma. Ele reforça a recomendação para que asmáticos evitem contato com indivíduos gripados ou resfriados e mantenham as vacinas em dia, incluindo não apenas a da Influenza, mas também a pneumocócica, para uma proteção mais abrangente.
Em suma, o inverno demanda uma atenção redobrada para os asmáticos, não pelo frio, mas pela complexa interação de fatores ambientais e comportamentais que favorecem as infecções virais e a exposição a alérgenos. A gestão eficaz da asma passa pelo tratamento contínuo, pela adesão rigorosa ao calendário vacinal, pela criação de um ambiente doméstico saudável e, fundamentalmente, pela educação e orientação familiar sobre a doença. Ao adotar essas medidas preventivas e buscar o acompanhamento médico adequado, é possível atravessar a estação com mais segurança e minimizar o impacto das crises respiratórias.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br