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Idosos em asilos clandestinos: perfil revela vítimas vulneráveis em ribeirão preto
G1
Em Ribeirão Preto, a recente descoberta de asilos clandestinos trouxe à tona a dura realidade de idosos vulneráveis. As investigações revelaram o perfil das 36 vítimas resgatadas: pessoas com idades entre 72 e 85 anos, de baixa renda, e que, apesar da idade, mantinham certo grau de lucidez e autonomia.
As casas de repouso, mantidas por uma mulher presa sob a acusação de descumprir ordens judiciais, cobravam mensalidades de até R$ 2,5 mil. De acordo com o promotor de Justiça da Pessoa Idosa, muitas famílias dependiam do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pagar pelas acomodações. O BPC, um auxílio do governo que garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais que não contribuíram para o INSS, era muitas vezes a única fonte de renda utilizada para custear a estadia nos asilos irregulares. Em alguns casos, as famílias complementavam o valor do benefício para cobrir a mensalidade.
A situação levanta questionamentos sobre a capacidade do sistema de assistência social em atender às necessidades dos idosos carentes na região. Segundo o promotor, existe uma fila de espera com mais de 100 idosos aguardando vagas em instituições filantrópicas. Ele observa que o valor cobrado nos asilos clandestinos era insuficiente para garantir os cuidados adequados, indicando que o perfil dos residentes se encaixaria melhor em instituições filantrópicas.
O Ministério Público destaca que os idosos resgatados apresentavam diferentes graus de dependência, mas a maioria demonstrava autonomia para realizar atividades diárias. Apesar de alguns necessitarem de fraldas e cuidados específicos, não havia relatos de pessoas totalmente acamadas ou dependentes de alimentação por sonda.
Após o resgate, os idosos foram encaminhados a diferentes instituições. Alguns foram internados em unidades de saúde, enquanto outros foram acolhidos por equipes da prefeitura em outras casas de repouso. A prefeitura de Brodowski, que custeava as despesas de dois idosos, transferiu seus pacientes para outra instituição regularizada em Ribeirão Preto. Seis idosos que não tinham para onde ir foram encaminhados a uma instituição local, aguardando contato de seus familiares.
Enquanto isso, a defesa da responsável pelos asilos nega as acusações, alegando que sempre houve zelo e dedicação para garantir qualidade de vida aos idosos, muitos deles abandonados pelas famílias. A investigação do caso continua, buscando esclarecer as responsabilidades e garantir o bem-estar dos idosos afetados.
Fonte: g1.globo.com