Festival dos Povos da Floresta exalta cultura amazônica em Belém

 Festival dos Povos da Floresta exalta cultura amazônica em Belém

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

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O Festival dos Povos da Floresta chega a Belém, Pará, com uma vibrante programação cultural gratuita que promete iluminar a rica produção artística da Amazônia. Com o intuito primordial de expandir o circuito cultural brasileiro para além do tradicional eixo Sul-Sudeste, o evento oferece uma imersão nas diversas linguagens artísticas da região, abrangendo desde oficinas de fotografia e vídeo até exposições visuais e apresentações musicais. Esta primeira edição do Festival dos Povos da Floresta na capital paraense funciona como um ponto de encontro essencial entre artistas, comunidades tradicionais e o público em geral, celebrando a diversidade e a força das vozes amazônicas. A programação gratuita se estende até o próximo domingo, oferecendo uma oportunidade única para o público conhecer e apreciar o talento regional e nacional.

Uma plataforma para vozes amazônicas

A trajetória itinerante e o impacto cultural

O Festival dos Povos da Floresta consolidou-se como um evento de caráter itinerante, desenhado para levar a riqueza cultural da Amazônia a diversos estados da região. Desde sua concepção, o festival tem sido um catalisador para a união de artistas e comunidades, criando um espaço de troca e valorização. Antes de aportar em Belém, o evento já havia percorrido importantes cidades amazônicas, incluindo Porto Velho, em Rondônia; Boa Vista, em Roraima; e Macapá, no Amapá. Em cada uma dessas paradas, o festival ganhou força e forma, crescendo com a colaboração de diversos artistas e profissionais envolvidos, atraindo um público significativo de quase 30 mil pessoas e reunindo cerca de 60 artistas e grupos em suas edições anteriores.

Em Belém, o festival encontrou dois espaços emblemáticos para sediar suas atividades: o Museu da Imagem e do Som (MIS) de Belém, que acolhe a parte visual e expositiva, e o Teatro Estação Gasômetro, palco para as apresentações musicais e outras performances. Essa escolha estratégica de locais históricos e culturalmente relevantes amplia o alcance do evento e proporciona um cenário adequado para a diversidade das expressões artísticas apresentadas. A proposta é não apenas divulgar, mas também fortalecer a identidade cultural da Amazônia, promovendo o intercâmbio e a valorização de seus criadores.

A relevância da visibilidade indígena e originária

Um dos pilares fundamentais do Festival dos Povos da Floresta é a amplificação das vozes dos povos originários e de suas manifestações artísticas. A participação de artistas indígenas, como Djuena Tikuna, que ganhou projeção nacional ao cantar o Hino Nacional em língua Tikuna nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, é um testemunho da importância do festival. Djuena ressalta a visibilidade que o evento oferece, afirmando: “Ecoamos a nossa luta, a nossa resistência, trazemos a nossa verdade, o canto dos povos originários”.

Para artistas como Djuena, o palco do festival não é apenas um espaço de performance individual, mas uma plataforma de representação coletiva. “Estou aqui representando não só o meu povo, mas também todos os povos originários da Amazônia, do Brasil. Porque quando uma artista está dentro de um palco, de um festival que tem essa possibilidade de dar visibilidade para a artista indígena, nós estamos ali representando os povos originários, os povos indígenas”, explica a cantora. Essa perspectiva sublinha o papel crucial do festival em não apenas entreter, mas também educar e conscientizar o público sobre as ricas culturas, desafios e a contínua luta por reconhecimento e respeito dos povos indígenas na Amazônia e em todo o Brasil.

Programação diversificada: música, arte e oficinas

Destaques musicais no Teatro Gasômetro

O Teatro Estação Gasômetro se tornou o epicentro das atrações musicais do festival em Belém, oferecendo dois dias de espetáculos memoráveis. Nomes de destaque no cenário musical brasileiro e amazônico abrilhantam o palco, proporcionando uma experiência sonora rica e diversificada. Entre as atrações confirmadas, o público teve a oportunidade de prestigiar a renomada cantora Tulipa Ruiz, vencedora do Grammy Latino, cuja performance trouxe sua sonoridade única e poética à capital paraense.

Outro grande nome a se apresentar foi o músico Felipe Cordeiro, conhecido por comandar o animado Baile do Mestre Cupijó, que celebra a cultura musical paraense. Além dessas figuras de projeção nacional, a cena amazônica também foi amplamente representada por talentos locais e regionais, como o vibrante grupo de carimbó Suraras do Tapajós, que trouxe toda a energia e tradição do ritmo paraense. O conjunto Tambores do Pacoval, com sua percussão contagiante, e a já mencionada cantora indígena Djuena Tikuna, com sua voz potente e representativa, completaram a programação musical, garantindo uma verdadeira celebração da diversidade sonora da Amazônia.

Exposições e aprendizado no MIS

Além da extensa programação musical, o Festival dos Povos da Floresta oferece um mergulho nas artes visuais por meio de uma exposição de obras de mais de 40 artistas da região Norte. A mostra está em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) de Belém, um local que por si só já é um guardião da memória e da criatividade local. Essa exposição proporciona um panorama da produção artística contemporânea da Amazônia, permitindo que o público visualize as diversas perspectivas e técnicas utilizadas pelos criadores da região.

Complementando a oferta cultural, o festival também incluiu em sua agenda a realização de oficinas de fotografia e vídeo. Embora já realizadas, essas atividades pedagógicas reforçam o compromisso do evento em capacitar e desenvolver novos talentos, além de oferecer ferramentas para a documentação e divulgação da cultura amazônica. Essas oficinas representam um investimento no futuro da produção cultural da região, ensinando técnicas que permitem aos participantes capturar e narrar suas próprias histórias e a beleza de seus territórios, perpetuando o legado dos povos da floresta por meio de outras formas de arte.

Conclusão

O Festival dos Povos da Floresta em Belém reafirma sua posição como um evento cultural de grande relevância, consolidando-se como uma plataforma essencial para a valorização e difusão da rica produção artística da Amazônia. Ao oferecer acesso gratuito a uma programação diversificada que abrange música, exposições e oficinas, o festival cumpre seu objetivo de ampliar o circuito cultural do país, dando voz e visibilidade a artistas e comunidades tradicionais que muitas vezes permanecem à margem dos grandes holofotes. Sua natureza itinerante e seu impacto em Belém demonstram o poder da arte em conectar pessoas, celebrar identidades e promover a resistência cultural, fortalecendo o elo entre a floresta, seus povos e o público brasileiro.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Onde e quando ocorre o Festival dos Povos da Floresta em Belém?
O festival ocorre em Belém, Pará, com programação no Museu da Imagem e do Som (MIS) e no Teatro Estação Gasômetro. A programação gratuita se estende até o próximo domingo.

Quais são os principais destaques da programação musical do festival?
A programação musical inclui artistas renomados como Tulipa Ruiz e Felipe Cordeiro , além de talentos da cena amazônica como o grupo Suraras do Tapajós, o conjunto Tambores do Pacoval e a cantora indígena Djuena Tikuna.

Qual o objetivo principal do Festival dos Povos da Floresta?
O objetivo principal é divulgar a produção cultural da Amazônia, ampliar o circuito cultural brasileiro para além do eixo Sul-Sudeste e servir como um ponto de encontro entre artistas, comunidades tradicionais e o público, dando visibilidade às vozes amazônicas.

O festival oferece outras atividades além de música e exposições?
Sim, o festival também incluiu em sua programação oficinas de fotografia e vídeo, além de uma exposição com obras de mais de 40 artistas da região Norte no Museu da Imagem e do Som.

Não perca a chance de vivenciar a rica diversidade cultural da Amazônia e apoiar os artistas que dão voz à nossa floresta. Verifique a programação completa e aproveite os últimos dias do Festival dos Povos da Floresta em Belém!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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