Cobertura vacinal contra a dengue: apenas 27% das crianças e jovens completos

 Cobertura vacinal contra a dengue: apenas 27% das crianças e jovens completos

G1

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A campanha de vacinação contra a dengue, iniciada há dois anos no Brasil, enfrenta desafios significativos na região de Ribeirão Preto, Barretos e Franca. Apesar da disponibilidade do imunizante para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que representam um dos grupos com maior número de internações pela doença, os índices de cobertura estão muito aquém do ideal, especialmente no que se refere à segunda dose. O Ministério da Saúde recomenda uma cobertura superior a 90%, mas os dados regionais revelam que menos de um terço do público-alvo completou o esquema vacinal, deixando uma grande parcela da população vulnerável à doença. Essa lacuna na imunização compromete a eficácia da proteção coletiva e individual.

Desafios na imunização: a lacuna da segunda dose contra a dengue

Panorama regional e o impacto da não adesão completa

Os números da vacinação contra a dengue na região são alarmantes e expõem uma preocupante queda na adesão à segunda dose do imunizante. Considerando as cidades de Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho e Barretos, a média regional para a primeira dose atinge 55,3% do público-alvo. No entanto, o percentual despenca drasticamente para apenas 27,7% quando se analisa a segunda dose, evidenciando que pouco mais da metade das crianças e adolescentes elegíveis iniciou a vacinação e menos de um terço completou o esquema.

Ribeirão Preto destaca-se com a maior cobertura da primeira dose, alcançando 84,5%, mas registra uma queda acentuada para 35,4% na segunda aplicação. Em Franca, 62,3% receberam a primeira dose, com apenas 37,7% retornando para a dose de reforço. Sertãozinho e Barretos apresentam percentuais ainda mais baixos em ambas as etapas: Sertãozinho com 40,47% na primeira e 21,08% na segunda dose, e Barretos com 33,76% na primeira e meros 16,54% na segunda.

Para Luzia Márcia Romanholi Passos, subsecretária de Vigilância em Saúde, essa disparidade é um dos principais desafios no combate à doença. “As pessoas tomam a primeira dose, produzem anticorpos, mas precisam da segunda para que esse nível se eleve e seja mais duradouro. Sem completar o esquema, a proteção fica comprometida. É preocupante, porque a vacina está disponível”, alerta. As cidades da região reforçam que a vacina contra a dengue continua acessível em diversas Unidades Básicas de Saúde, sem necessidade de agendamento, bastando apresentar documento de identificação e a caderneta de vacinação. Em Ribeirão Preto, por exemplo, 39 salas de vacinação estão operantes, com endereços disponíveis no site da prefeitura.

Novas estratégias e o cenário epidemiológico da dengue

A esperança da vacina Butantan-DV e o combate ao mosquito

Diante dos desafios na cobertura vacinal, novas iniciativas buscam fortalecer a imunização. O governo de São Paulo lançou uma campanha de vacinação com a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Este imunizante, o primeiro do mundo a ser aplicado em dose única, foi aprovado pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos e promete ser um aliado crucial para elevar a cobertura vacinal. Estudos demonstraram uma eficácia de quase 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações. Inicialmente, a vacina está sendo aplicada em profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal, mas a expectativa é que sua disponibilidade ampliada possa mudar o panorama.

O cenário epidemiológico da dengue na região tem sido de grande preocupação nos últimos anos. Em 2024, Ribeirão Preto confirmou 44.630 casos e 26 mortes; em 2025, os números caíram para 21.580 casos e 11 óbitos. Sertãozinho registrou 2.207 casos e quatro mortes em 2024, saltando para 9.169 casos e 14 óbitos em 2025. Barretos, Jaboticabal e Franca também enfrentaram picos significativos, com milhares de casos e dezenas de mortes anuais. Embora o início de 2026 apresente números menores, a subsecretária Luzia Márcia Romanholi Passos adverte que “janeiro nunca é preditor” e que as condições climáticas atuais — chuva frequente, calor e umidade — são ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, encurtando seu ciclo de reprodução e aumentando rapidamente a infestação.

Além da vacinação, as cidades mantêm um esforço contínuo no combate ao mosquito. Ribeirão Preto, por exemplo, realiza vistorias em imóveis, bloqueios de criadouros, nebulização em áreas de risco e mutirões de limpeza. Uma tecnologia inovadora, as estações disseminadoras de larvicida, onde armadilhas contaminam o mosquito que, por sua vez, espalha o larvicida entre os criadouros, foi implementada com cerca de 1,3 mil estações instaladas em pontos estratégicos. Contudo, todos os especialistas reforçam que a eficácia dessas medidas depende da colaboração da população. “A vacina ajuda, mas só funciona junto com o controle do mosquito. Nenhuma tecnologia substitui o cuidado dentro de casa. O mosquito é vulnerável na fase aquática. A melhor medida é não deixar ele nascer”, conclui Luzia, reiterando a importância de eliminar recipientes que acumulam água, limpar calhas e verificar ralos e quintais semanalmente.

A importância de completar o esquema vacinal e os riscos da dengue

A baixa cobertura da segunda dose da vacina contra a dengue na região de Ribeirão Preto, Franca e Barretos representa um grave risco para a saúde pública. Apesar dos esforços das autoridades em disponibilizar o imunizante e de implementar novas tecnologias de combate ao mosquito, a proteção efetiva contra a doença só é alcançada com o esquema vacinal completo. Os dados epidemiológicos dos últimos anos revelam a capacidade da dengue de causar surtos e mortes, reforçando a necessidade urgente de engajamento da população. A combinação da vacinação completa com as ações de controle do mosquito nos domicílios é a estratégia mais robusta para prevenir novos surtos e proteger a comunidade contra uma doença que pode ser grave e fatal.

Perguntas frequentes sobre a vacinação contra a dengue

Quem pode tomar a vacina contra a dengue atualmente?
Atualmente, a vacina disponibilizada pelo Ministério da Saúde é destinada a crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 14 anos. A nova vacina Butantan-DV foi aprovada para pessoas de 12 a 59 anos, mas sua distribuição em larga escala para o público geral ainda não foi anunciada.

Qual a importância da segunda dose da vacina?
A segunda dose é crucial para garantir uma imunização completa e duradoura. Sem ela, a proteção oferecida pela primeira dose pode ser insuficiente e de menor duração, deixando o indivíduo mais vulnerável à infecção e a quadros graves da doença.

Onde posso me vacinar e o que preciso levar?
A vacina está disponível em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e salas de vacinação das cidades da região. É necessário apresentar um documento de identificação com foto e a caderneta de vacinação da criança ou adolescente. Não há necessidade de agendamento prévio.

A nova vacina Butantan-DV já está disponível para o público geral?
Não, a Butantan-DV, embora aprovada pela Anvisa, está sendo aplicada inicialmente em profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal. Sua disponibilização para o público geral dependerá de novas fases e campanhas do governo.

Não espere para proteger sua família. Verifique a caderneta de vacinação e procure a unidade de saúde mais próxima para garantir a imunização completa contra a dengue.

Fonte: https://g1.globo.com

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