Bolsonaro deve ter alta nesta quinta e retornar à cela da PF

 Bolsonaro deve ter alta nesta quinta e retornar à cela da PF

© Bruno Peres/Agência Brasil

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O ex-presidente Jair Bolsonaro está com alta programada para a manhã desta quinta-feira (1º), marcando o fim de uma internação hospitalar iniciada na véspera de Natal. Após passar por diversos procedimentos cirúrgicos e tratamentos complexos, incluindo uma cirurgia de hérnia inguinal e intervenções para uma persistente crise de soluços, Bolsonaro retornará à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. A equipe médica do Hospital DF Star, onde o ex-presidente esteve internado, confirmou a possibilidade de liberação, ressalvando que a alta ocorrerá caso não surjam novas intercorrências clínicas. O retorno à carceragem significa a retomada do cumprimento de sua pena de 27 anos, imposta no processo da trama golpista, sob o acompanhamento contínuo de sua equipe médica e a necessidade de autocuidado no ambiente prisional.

Alta programada e retorno à carceragem

A expectativa médica e o destino na PF
A equipe médica que acompanha Jair Bolsonaro atualizou seu estado de saúde e confirmou a expectativa de alta para a manhã desta quinta-feira (1º). O cardiologista Brasil Caiado, do Hospital DF Star, onde o ex-presidente estava internado, afirmou a jornalistas que, “a princípio, a alta já está programada, salvo alguma intercorrência”. A avaliação final será realizada cedo na quinta-feira e, se não houver complicações, a Superintendência da Polícia Federal será comunicada para proceder com o retorno.

O ex-presidente foi internado no hospital particular da capital federal no dia 24 de dezembro, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Sua saída da Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena, foi temporária para a realização dos procedimentos cirúrgicos necessários. Com a alta, Bolsonaro voltará à cela onde cumpre a sentença de 27 anos de prisão, imposta no processo relacionado à trama golpista.

Desafios de saúde: da hérnia aos soluços persistentes

Cirurgias e o enigma dos soluços
Durante o período de internação, Jair Bolsonaro foi submetido, no dia 25 de dezembro, a uma cirurgia de hérnia inguinal. No entanto, um dos maiores desafios enfrentados pela equipe médica foi a crise persistente de soluços, que o acompanha há meses. Para tentar contê-la, o ex-presidente passou por ao menos três cirurgias de bloqueio do nervo frênico, responsável pelo controle do diafragma, um músculo essencial para o movimento de respiração.

O cirurgião Claudio Birolini explicou que, apesar dos bloqueios em ambos os lados terem diminuído a intensidade dos soluços, a crise não cessou. Segundo o especialista, “isso mostra que o estímulo não é do pescoço para baixo, mas é do pescoço para cima. É provavelmente um estímulo de origem no sistema nervoso central, que não adianta você fazer um bloqueio definitivo do nervo”. O tratamento para os soluços, conforme Birolini, seguirá com medicação e outras terapias alternativas, buscando um alívio mais efetivo para a condição.

Impacto psicológico e o uso de antidepressivos
As crises prolongadas de soluços têm um impacto significativo no bem-estar psicológico do ex-presidente, conforme avaliado pela equipe médica. O cardiologista Brasil Caiado observou uma piora considerável no estado emocional de Bolsonaro durante esses episódios. “A gente percebe uma piora considerável nos momentos de soluços prolongados. A diferença no estado emocional, físico, ele fica bem abatido nas noites ou nos dias que ele passa com soluços. É o pior estágio”, relatou Caiado.

O desconforto emocional foi tão evidente que o próprio ex-presidente solicitou o uso de medicamentos antidepressivos. “O próprio presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo, então, foi introduzido e a gente espera que esse tratamento passe a fazer algum efeito em alguns dias”, informou o cirurgião Claudio Birolini. A equipe médica monitorará a evolução do estado emocional e a resposta ao tratamento nos próximos dias, em meio à sua transição de volta ao ambiente prisional.

Outras condições médicas e o autocuidado na prisão

Esofagite, gastrite e apneia do sono
Além das cirurgias já mencionadas, o ex-presidente passou por outros exames e iniciou tratamentos para condições preexistentes. Um boletim médico recente indicou que ele melhorou da crise de soluços e realizou uma endoscopia digestiva alta. Este exame evidenciou a persistência de esofagite e gastrite, condições que requerem acompanhamento e tratamento contínuos para evitar complicações.

Outro problema de saúde enfrentado por Bolsonaro é a apneia obstrutiva do sono. Para gerenciar essa condição, ele passou a utilizar um aparelho médico conhecido como CPAP. Este dispositivo fornece um fluxo constante de ar através de uma máscara, mantendo as vias aéreas abertas e prevenindo paradas respiratórias e roncos durante o sono. O cirurgião Claudio Birolini confirmou a boa adaptação do ex-presidente ao aparelho: “Já é a segunda noite que ele usa a máscara, o CEPAP, ele se adaptou bem, disse que dormiu melhor e está sim indicado o uso contínuo enquanto ele tiver na carceragem. Inclusive, ele vai sair daqui com o aparelho”.

Rotina e adaptação na cela da PF
A partir da alta hospitalar, o autocuidado se tornará uma parte crucial da rotina do ex-presidente na cela da Polícia Federal. Segundo o Dr. Brasil Caiado, Bolsonaro demonstrou disciplina durante a internação. “Ele está mais disciplinado, entendeu a importância de colaborar em relação à alimentação, a não deitar depois de comer, que é um ponto que gera muito refluxo, comendo de forma mais adequada, mais fracionada”, disse o cardiologista, ressaltando que ele seguiu todas as recomendações médicas.

A cela de Bolsonaro na Superintendência da PF, em Brasília, possui cerca de 12 metros quadrados e foi reformada recentemente para oferecer condições adequadas de permanência. O espaço é equipado com paredes brancas, uma cama de solteiro, armários, mesa de apoio, televisão, frigobar, ar condicionado e uma janela, além de contar com um banheiro privativo. Embora ele retorne ao ambiente prisional, os médicos asseguram que poderão visitá-lo sempre que for preciso ou solicitado para garantir a continuidade de seu tratamento e monitoramento de sua saúde.

Conclusão
A alta de Jair Bolsonaro nesta quinta-feira marca o fim de um período de intensa atenção médica, com cirurgias e tratamentos para diversas condições de saúde, desde uma hérnia inguinal até uma persistente crise de soluços e apneia do sono. Seu retorno à Superintendência da Polícia Federal significa a retomada do cumprimento de sua pena, mas também a continuidade de um acompanhamento médico complexo. A equipe médica assegura que, mesmo no ambiente prisional, o monitoramento e o autocuidado serão essenciais para gerenciar suas condições de saúde.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quando Bolsonaro deve ter alta do hospital?
A alta de Jair Bolsonaro está programada para a manhã desta quinta-feira (1º), condicionada à ausência de novas intercorrências médicas.

Quais foram os principais procedimentos médicos realizados durante a internação?
Ele passou por uma cirurgia de hérnia inguinal e ao menos três cirurgias de bloqueio do nervo frênico para tratar soluços persistentes. Exames também revelaram esofagite e gastrite, e foi iniciado tratamento para apneia do sono.

Como está o tratamento para a persistente crise de soluços?
As cirurgias de bloqueio do nervo frênico diminuíram a intensidade dos soluços, mas não os cessaram, indicando uma possível origem no sistema nervoso central. O tratamento continuará com medicação e outras terapias, e antidepressivos foram introduzidos devido ao impacto psicológico.

Ele levará algum equipamento médico para a cela da Polícia Federal?
Sim, o ex-presidente levará consigo o aparelho CPAP, utilizado para tratar a apneia obstrutiva do sono, cujo uso contínuo foi indicado pela equipe médica.

Para informações atualizadas sobre os desdobramentos da saúde e situação legal do ex-presidente, acompanhe as notícias em nosso portal.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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