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Agenda cultural: Dia Internacional da Mulher – O Protagonismo Feminino na Arquitetura da Cultura Brasileira
Mais que celebração a data nos leva a uma análise do impacto histórico e contemporâneo das mulheres na construção cultural do país.
Por Marluci Zanelato
O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, não é apenas uma data comemorativa. É um marco que nos convida a refletir sobre a contribuição feminina na formação das sociedades e, de maneira muito particular, na construção da identidade cultural brasileira.
Além disso, a cultura não se resume às artes ou aos grandes eventos públicos. Ela se manifesta nos valores transmitidos dentro de casa, na educação dos filhos, na preservação das tradições, na fé que atravessa gerações e na ética que sustenta a convivência social. E nessa arquitetura cultural, a mulher ocupa posição central.
As mulheres representam mais de 51% da população brasileira e são maioria entre aqueles com ensino superior completo. Ainda assim, recebem, em média, cerca de 20% a menos que homens em empresas de médio e grande porte. Quando se considera o recorte racial, a desigualdade se intensifica, atingindo especialmente mulheres negras. São dados objetivos que revelam desafios persistentes.
Por outro lado, o avanço é inegável. As mulheres ampliaram sua presença no mercado de trabalho e já representam aproximadamente 30% dos empregadores no país. Cresce também sua atuação em áreas estratégicas como ciência, gestão, educação superior e empreendedorismo.
Historicamente, a influência feminina moldou a cultura nacional. Das mulheres indígenas que preservaram saberes originários às mulheres negras que mantiveram vivas tradições religiosas, culinárias e musicais, a identidade brasileira foi construída com participação feminina decisiva.
Na literatura, autoras como Clarice Lispector transformaram a sensibilidade narrativa do país. Na música, intérpretes como Elis Regina consolidaram a força expressiva da arte nacional. No campo institucional, a trajetória de Maria da Penha representou um marco na proteção da dignidade feminina.
Mas o verdadeiro protagonismo também está longe dos holofotes. Está na mulher que administra o orçamento doméstico, que educa, que empreende, que concilia múltiplas jornadas e que, mesmo diante de obstáculos, sustenta estruturas familiares e comunitárias.
O Dia Internacional da Mulher precisa ser mais do que celebração simbólica. Deve ser um chamado à maturidade social: reconhecer méritos, enfrentar desigualdades com responsabilidade e fortalecer oportunidades.
Porque uma nação não se consolida apenas por discursos, mas por bases sólidas. E a base cultural do Brasil tem, desde suas origens, assinatura feminina.
No 8 de março, mais do que homenagens, o Brasil precisa de consciência de que o futuro cultural da nação continuará sendo escrito com firmeza, competência e protagonismo feminino.
Portanto valorizar a mulher não é concessão nem tendência ideológica é coerência histórica. Ignorar sua centralidade é distorcer a própria compreensão do país que somos.