Coalizão global de saúde prioriza o Combate à dengue como primeiro desafio

 Coalizão global de saúde prioriza o Combate à dengue como primeiro desafio

© Fernando Frazão/Agência Brasil

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O Ministério da Saúde anunciou um passo significativo para a equidade global em saúde: a recém-formada Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo elegeu o combate à dengue como sua primeira área de atuação prioritária. Criada sob a presidência brasileira do G20 em 2024, esta iniciativa multilateral visa ampliar mundialmente o acesso equitativo a medicamentos essenciais, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde, com foco especial nos países em desenvolvimento que historicamente enfrentam maiores barreiras à produção e inovação. A escolha da dengue reflete a urgência de uma doença que afeta milhões e cuja expansão é intensificada pelas mudanças climáticas globais, demandando uma resposta coordenada e robusta da comunidade internacional para proteger a população mundial de forma abrangente e eficaz.

A nova coalizão global e o desafio da dengue

Um compromisso mundial por equidade em saúde
A Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo é uma iniciativa estratégica forjada pela presidência brasileira do G20 em 2024. Sua missão central é promover mundialmente o acesso equitativo a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde, com um olhar diferenciado para os países em desenvolvimento, onde a capacidade de produção e inovação enfrenta obstáculos mais significativos. Além do Brasil, compõem o grupo a África do Sul, Alemanha, China, França, Indonésia, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana, demonstrando um amplo espectro de cooperação internacional. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assumirá o papel de secretariado executivo da coalizão, apostando em sua vasta experiência em projetos de cooperação internacional, sobretudo com países da África e América Latina, para desenvolver competências locais científicas, tecnológicas e, em alguns casos, industriais. Esta abordagem estruturante busca fortalecer as capacidades regionais e garantir que o avanço tecnológico na área da saúde seja distribuído de forma justa pelo mundo.

A dengue: uma ameaça global agravada pelo clima
A escolha da dengue como o primeiro eixo de ações prioritárias da coalizão foi justificada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em função da ampla distribuição da doença, que é endêmica em mais de 100 países e coloca em risco mais da metade da população mundial. Estima-se que ocorram entre 100 milhões e 400 milhões de infecções anualmente. O ministro destacou que essa expansão está diretamente relacionada às mudanças climáticas globais, que têm provocado o aumento das temperaturas, volumes de chuvas alterados e níveis mais elevados de umidade – condições que se mostram favoráveis para a transmissão do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença. Esse cenário também se aplica a outras arboviroses preocupantes, como a febre amarela, zika, chikungunya e febre oropouche. Padilha citou como exemplo de parcerias internacionais exitosas o acordo envolvendo a vacina contra a dengue Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Uma colaboração com a empresa chinesa WuXi, anunciada no final do ano passado, visa expandir a capacidade de fornecimento do imunizante, com a previsão de entrega de aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. A visão é de um mundo com mais vacinas e medicamentos acessíveis, em contrapartida a conflitos e perdas de vidas.

Fortalecendo a produção nacional e a inovação

Transferência tecnológica e o imunossupressor Tacrolimo
Em uma outra frente de fortalecimento da autonomia em saúde, o Ministério da Saúde anunciou o início da produção 100% nacional do medicamento imunossupressor Tacrolimo. Este fármaco é crucial para reduzir a resposta do sistema imunológico, evitando a rejeição de órgãos transplantados pelo organismo do paciente. A transferência tecnológica completa para viabilizar essa produção foi realizada em parceria com a Índia. O ministro destacou a relevância dessa iniciativa, ressaltando que cerca de 120 mil brasileiros recebem o Tacrolimo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) atualmente. O custo mensal do medicamento, que varia entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, representa um encargo significativo, considerando que pacientes transplantados precisam fazer uso contínuo por toda a vida. Com a produção nacional, o governo busca garantir a segurança do tratamento para esses pacientes, assegurando que o medicamento chegará a eles independentemente de crises globais, conflitos, pandemias ou interrupções na circulação internacional do produto. A produção local, por meio de uma fundação pública, oferece total garantia de acesso.

O avanço das vacinas de RNA mensageiro no Brasil
O ministro Alexandre Padilha também informou sobre a instalação de um novo centro de competência dedicado à produção de vacinas de RNA mensageiro (mRNA) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A tecnologia de mRNA utiliza uma molécula que transporta instruções genéticas do DNA para as células, permitindo que o corpo produza proteínas específicas do patógeno (como um vírus ou bactéria) e, assim, desenvolva uma resposta imunológica. Diferentemente das vacinas tradicionais, que empregam o patógeno enfraquecido ou inativado, as vacinas de mRNA usam apenas o código genético, oferecendo uma abordagem inovadora e potencialmente mais rápida para o desenvolvimento de imunizantes.

O Brasil já possui duas plataformas em desenvolvimento para essa tecnologia, uma na Fiocruz e outra no Instituto Butantan, com investimentos federais que somam cerca de R$ 150 milhões. O novo centro na UFMG receberá um investimento adicional de R$ 65 milhões para impulsionar ainda mais o desenvolvimento dessa tecnologia. Com essas três instituições públicas atuando na produção de vacinas de RNA mensageiro, o país não só expandirá sua capacidade de absorver e desenvolver tecnologias para diversas doenças, mas também estará significativamente mais preparado para responder rapidamente a novas pandemias ou ao surgimento de novos vírus, fortalecendo a soberania sanitária e a capacidade de resposta a emergências em saúde.

A criação da Coalizão Global e as iniciativas nacionais para fortalecer a produção de saúde, como a fabricação do Tacrolimo e o avanço nas vacinas de mRNA, representam um esforço robusto do Brasil e de seus parceiros para construir um sistema de saúde global mais equitativo e resiliente. Ao priorizar o combate à dengue e investir em inovação e autonomia tecnológica, o país demonstra seu compromisso em enfrentar desafios sanitários complexos e garantir acesso a tratamentos essenciais, impactando positivamente a vida de milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Essas ações sublinham a importância da cooperação internacional e do desenvolvimento de capacidades locais para um futuro com menos doenças e mais saúde acessível para todos.

FAQ

O que é a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo?
É uma iniciativa multilateral criada sob a presidência brasileira do G20 em 2024, com o objetivo de promover o acesso equitativo a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde em nível mundial, com foco nos países em desenvolvimento. Seus membros incluem nações do G20, a União Europeia e a União Africana.

Por que o combate à dengue é a primeira prioridade da Coalizão?
A dengue foi escolhida como primeira prioridade devido à sua vasta abrangência global, sendo endêmica em mais de 100 países e ameaçando mais da metade da população mundial. Sua expansão é agravada pelas mudanças climáticas, que criam condições ideais para a proliferação do vetor, tornando-a uma emergência de saúde global que demanda uma resposta coordenada.

Quais são os avanços recentes do Brasil na produção de tecnologias de saúde?
O Brasil anunciou a produção 100% nacional do imunossupressor Tacrolimo por meio de transferência tecnológica com a Índia. Além disso, um novo centro para desenvolvimento e produção de vacinas de RNA mensageiro será instalado na UFMG, complementando as plataformas já existentes na Fiocruz e no Instituto Butantan. Essas iniciativas visam fortalecer a autonomia e a capacidade de resposta do país em saúde.

Para acompanhar de perto o impacto dessas iniciativas e as próximas etapas na construção de um sistema de saúde global mais equitativo, continue a nos seguir e informe-se sobre os avanços que moldam o futuro da saúde mundial.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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