Moradores da penha protestam contra operação policial letal

 Moradores da penha protestam contra operação policial letal

© Fernando Frazão/Agência Brasil

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Moradores do Complexo da Penha e de outras comunidades do Rio de Janeiro, juntamente com movimentos sociais de diversas partes do país, se uniram em manifestações nesta sexta-feira para expressar sua indignação contra a recente operação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão. A ação, que resultou em 121 mortes, incluindo a de quatro policiais, é considerada a maior e mais letal da história do estado.

O protesto, intitulado “Chamada geral contra a morte: o Estado mata negros e pobres no Rio de Janeiro e no Brasil”, teve como objetivo prestar solidariedade às vítimas e suas famílias, além de exigir uma investigação transparente e independente das circunstâncias que levaram a tantas mortes. Os manifestantes clamam por responsabilização para todos os envolvidos na operação.

No Complexo da Penha, a manifestação reuniu moradores e representantes de organizações como o Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento e Voz das Comunidades. Liliane dos Santos, moradora da comunidade, compartilhou o terror que vivenciou durante a operação. “No dia da operação, pra gente foi um baque. Foi um dia desesperador pra gente, que parece que o tiro estava sendo dentro de casa”, relatou.

Raimunda de Jesus, dirigente sindical presente no ato, criticou o tratamento dispensado aos moradores. “A forma que aconteceu aqui não acontece na zona sul, nas áreas mais ricas, que lá também tem bandidos. Então, não é da mesma forma. Então, aqui, nós que moramos na periferia, somos discriminados. O Estado não pode nos ver como inimigos. O Estado tem que tratar e cuidar do seu povo, da sua população”, afirmou.

Tainã de Medeiros, do Instituto Papo Reto, ressaltou que a comunidade da Penha tem um histórico de operações policiais com resultados trágicos. “Isso já aconteceu antes, teve a chacina do PAN, teve a de 2010, teve uma ocupação aqui também com os militares também que teve muitas mortes. Recentemente tinha tido uma outra chacina aqui com 21 pessoas assassinadas. Toda essa construção de narrativa de que tem que entrar para matar bandido não está fazendo sentido pra gente”, explicou.

Além de expressar sua indignação, os atos visam fortalecer a organização comunitária em busca da garantia de direitos para os moradores das comunidades afetadas pela violência.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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