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Torcedor do Santos morto por veículo da PM vivia nas ruas e era PCD
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A morte de Alex Nunes Pinheiro do Carmo, um torcedor do Santos de 37 anos, após ser atropelado por um caminhão blindado da Tropa de Choque da Polícia Militar no estacionamento da Neo Química Arena, em São Paulo, gerou grande comoção e levantou questionamentos. Alex, que vivia em situação de rua e era Pessoa com Deficiência (PCD), era um devoto fanático do Santos Futebol Clube. Sua irmã, Luciana Calixto Nunes, expressou o choque e a tristeza da família, que busca respostas sobre as circunstâncias que levaram à trágica perda. O incidente ocorreu durante uma partida do Campeonato Paulista, e o caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, enquanto as autoridades e o estádio prometem investigar a fundo os detalhes do ocorrido para elucidar a dinâmica fatal.
A tragédia no estacionamento da Neo Química Arena
O lamentável incidente que culminou na morte de Alex Nunes Pinheiro do Carmo aconteceu na tarde de domingo, 25 de fevereiro, durante o confronto entre Santos e Bragantino pelo Campeonato Paulista. O torcedor, conhecido por sua paixão incondicional pelo Peixe, estava em frente ao portão “O” da Neo Química Arena, uma área comumente utilizada por torcidas organizadas. Foi ali que ele foi atingido por um caminhão blindado da Tropa de Choque da Polícia Militar, um veículo robusto destinado ao acompanhamento e segurança dos torcedores durante eventos esportivos de grande porte.
Detalhes do incidente fatal
As informações apuradas indicam que o veículo policial precisou realizar uma manobra no estacionamento do estádio. O policial ao volante, devido à configuração do caminhão e à posição de Alex, não teria percebido a presença do torcedor. O veículo, sendo de grande porte, possui uma altura considerável, posicionando o motorista a cerca de três metros do chão. Alex, por sua vez, estaria a aproximadamente dois metros da parte dianteira do caminhão, uma área que constitui um ponto cego crítico, impossibilitando sua visualização pelo condutor. Esse fator é crucial para a compreensão do acidente, que foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor pelas autoridades.
No local, equipes da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal (IML) estiveram presentes para realizar a perícia e coletar dados que auxiliarão na investigação. A Neo Química Arena, por meio de nota oficial, lamentou a morte de Alex e informou ter encaminhado as imagens de suas câmeras de monitoramento à Polícia Militar, contribuindo para a apuração dos fatos. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também se pronunciou, expressando pesar pela perda e garantindo que os laudos técnicos, assim que finalizados, serão analisados para a tomada das devidas providências. A clareza sobre a sequência dos eventos é fundamental para a família e para a sociedade, que acompanha o caso com atenção.
A vida de Alex: paixão pelo Santos e desafios
A trajetória de Alex Nunes Pinheiro do Carmo, aos 37 anos, era marcada por uma paixão avassaladora pelo Santos Futebol Clube e por uma série de desafios pessoais, que o levaram a viver em situação de rua por muitos anos. Antes de sua morte trágica, Alex era uma figura conhecida no universo santista, um torcedor inconfundível que, apesar das adversidades, mantinha viva sua devoção ao time. A família descreve um homem com um passado de jogador de futebol de várzea e ajudante de pedreiro, cuja vida tomou um rumo difícil após um evento marcante.
Uma trajetória marcada pela rua e pelo futebol
De acordo com sua irmã, Luciana Calixto Nunes, Alex começou a viver nas ruas após o desaparecimento de sua mãe em 2014. Ele teria se sentido culpado pelo ocorrido, uma vez que a mãe estava sob seus cuidados na época e nunca mais foi encontrada. Por aproximadamente quatro anos, Alex morou nas imediações da Vila Belmiro, o estádio do Santos, em Santos. Ali, ele se tornou “Acarajé”, um apelido carinhoso que o tornou uma figura carimbada nos jogos do Peixe. A família, que o buscava, recebia notícias dele por meio das redes sociais e de integrantes das torcidas organizadas, que o acolhiam.
Luciana relata que a paixão de Alex pelo Santos era tamanha que “ele era capaz de ir em tudo. Em todos os jogos, ele estava na concentração, no ginásio”. Sua presença era tão constante na Vila Belmiro que “o pessoal deixava ele entrar para tomar banho. Era como se ele fosse da família”, conta a irmã, evidenciando o vínculo que ele havia construído com a comunidade santista.
Em 2018, Alex teve um breve retorno ao lar familiar após sofrer um grave acidente em Campinas (SP). Ele caiu de uma estrutura no Teatro Castro Mendes, sob efeito de álcool, e os médicos chegaram a dizer que ele não voltaria a andar. Contudo, com o tempo, Alex demonstrou uma recuperação surpreendente, passando da cadeira de rodas para o carrinho e, finalmente, utilizando apenas uma muleta. Apesar da melhora e de ter conseguido a aposentadoria por invalidez, Alex retornou às ruas. Sua irmã lamenta que ele utilizasse o dinheiro recebido para a compra de drogas, o que o levou a vender seus bens e, consequentemente, a não conseguir permanecer em casa. O último contato da família com Alex havia sido no início de 2025, quando ele passou alguns dias em Campinas, antes de retornar à sua vida nas ruas.
A busca por justiça e respostas
A família de Alex Nunes Pinheiro do Carmo foi informada de sua morte por um integrante de uma torcida organizada do Santos, o que intensificou o sentimento de desamparo e a necessidade de esclarecimentos. Luciana Calixto Nunes, a irmã de Alex, expressou a profunda dor da família e a urgência em compreender a sequência exata dos eventos que levaram à tragédia na Neo Química Arena.
A principal demanda da família é o acesso às imagens das câmeras de segurança. Luciana busca entender se o atropelamento foi de fato em um ponto cego, se o policial que dirigia o caminhão blindado realmente não conseguiu ver seu irmão, e qual a verdadeira dinâmica do acidente. A família ressalta que Alex não era um desconhecido, sendo uma figura pública e conhecida entre os torcedores do Santos. Essa visibilidade, na visão da irmã, deveria ter garantido um mínimo de atenção ou reconhecimento por parte dos envolvidos. Há também uma frustração expressa pela falta de apoio ou contato direto por parte dos clubes de futebol (Santos e Corinthians) e da própria polícia, o que a família considera essencial em um momento tão delicado. A busca por justiça e por uma investigação transparente e detalhada é a prioridade da família, que espera que todos os elementos sejam considerados para que a verdade seja estabelecida e as responsabilidades apuradas.
Reflexões e o futuro da investigação
A morte de Alex Nunes Pinheiro do Carmo é uma tragédia que expõe a vulnerabilidade de indivíduos em situação de rua e levanta questões sobre segurança pública e responsabilidade em eventos de grande público. A história de Alex, um torcedor apaixonado que encontrou no futebol um refúgio e uma identidade, agora se torna um caso emblemático que clama por clareza e justiça. Enquanto a família lida com a dor da perda e a busca por respostas, as autoridades — Polícia Civil, Instituto Médico Legal e a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo — continuam suas investigações.
A promessa de análise dos laudos e das imagens de monitoramento é um passo crucial para a elucidação dos fatos. A transparência na condução do inquérito de homicídio culposo na direção de veículo automotor é fundamental para restaurar a confiança da comunidade e, principalmente, para oferecer o mínimo de conforto e encerramento à família de Alex. O episódio na Neo Química Arena serve como um lembrete sombrio das complexidades da vida urbana e da necessidade de atenção e cuidado com os mais vulneráveis. Acompanhar o desenrolar desta investigação é imperativo para garantir que a memória de Alex seja honrada com a verdade.
Perguntas frequentes
Quem era Alex Nunes Pinheiro do Carmo?
Alex Nunes Pinheiro do Carmo, de 37 anos, era um torcedor fanático do Santos Futebol Clube. Ele vivia em situação de rua, era Pessoa com Deficiência (PCD) e era conhecido como “Acarajé” nas redondezas da Vila Belmiro, onde morou por anos e era uma figura reconhecida pela torcida.
Como ocorreu o atropelamento?
Alex foi atropelado por um caminhão blindado da Tropa de Choque da Polícia Militar no estacionamento da Neo Química Arena, em São Paulo, durante uma partida de futebol. O veículo, de grande porte, estaria realizando uma manobra, e o policial ao volante não teria percebido a presença de Alex devido a um ponto cego, considerando a altura do caminhão e a posição da vítima.
O que a família de Alex busca agora?
A família de Alex busca principalmente acesso às imagens das câmeras de segurança para entender a dinâmica exata do acidente. Eles desejam clareza sobre se o atropelamento ocorreu em um ponto cego e se o motorista não conseguiu ver Alex. Além disso, a família expressa a necessidade de apoio e esclarecimentos por parte das autoridades e dos clubes envolvidos.
Qual a posição das autoridades e do estádio sobre o caso?
A Neo Química Arena lamentou a morte de Alex e informou ter encaminhado as imagens de monitoramento à Polícia Militar. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também lamentou o ocorrido e garantiu que os laudos técnicos serão analisados para as devidas providências. O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, e as investigações continuam em andamento.
Para mais detalhes sobre este caso e atualizações da investigação, continue acompanhando nossas notícias.
Fonte: https://g1.globo.com