São Paulo: 38 Anos Sem Poliomielite – Um Marco de Vigilância e Imunização Contínua

 São Paulo: 38 Anos Sem Poliomielite – Um Marco de Vigilância e Imunização Contínua

Todas as doses estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde. Foto: Fernando …

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O Estado de São Paulo se destaca como um exemplo de sucesso na saúde pública, caminhando para um marco de 38 anos sem registrar casos de poliomielite até 2026. Essa notável conquista, fruto de décadas de campanhas de imunização eficazes, sublinha a força do compromisso com a saúde infantil. Contudo, enquanto a paralisia infantil permanece uma ameaça em diversas partes do mundo, a vigilância constante e a manutenção de altas taxas de vacinação são cruciais para impedir a reintrodução do vírus em território paulista, um desafio que a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) faz questão de reiterar, especialmente no Dia Mundial de Combate à Poliomielite.

A Jornada Histórica Rumo à Eliminação da Paralisia Infantil

A erradicação da poliomielite no Brasil é um testemunho da eficácia das políticas de saúde pública. No cenário paulista, a resposta às campanhas nacionais de vacinação, iniciadas em 1980, foi imediata e impressionante. Naquele ano, o estado contabilizou 101 ocorrências da doença, um número que, em apenas um ano, despencou para sete em 1981, uma redução expressiva de 93%. O último episódio de poliomielite no Estado de São Paulo foi documentado em 1988, na cidade de Teodoro Sampaio, na região de Presidente Prudente. Pouco depois, em 1989, o Brasil registrava seu derradeiro caso. Esse esforço culminou em um reconhecimento internacional em 1994, quando a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) certificou as Américas como a primeira região global livre da transmissão do poliovírus selvagem, um feito histórico que pavimentou o caminho para a proteção de milhões de crianças.

Mantendo o Escudo: Desafios e Estratégias na Cobertura Vacinal

Apesar da trajetória de sucesso, a luta contra a poliomielite exige vigilância ininterrupta. A circulação do poliovírus selvagem em países como Afeganistão e Paquistão, juntamente com surtos de outras variantes em diversas nações, serve como um alerta constante. Em São Paulo, embora a situação seja controlada, os dados preliminares da SES-SP, referentes a agosto de 2026, indicam que a cobertura vacinal contra a poliomielite ainda não atingiu a meta de 95% preconizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). As taxas atuais são de 88,74% para crianças menores de um ano e 84,51% para o primeiro reforço, administrado aos 15 meses de idade. Para fortalecer a imunização, o calendário nacional passou a incluir, desde agosto do ano corrente, uma segunda dose de reforço da vacina inativada contra a poliomielite (VIP), aplicada aos 4 anos. Essa medida complementa o esquema exclusivamente injetável, adotado pelo Brasil em 2024, que substituiu a antiga vacina oral, popularmente conhecida como 'gotinha'. O esquema vacinal atual compreende cinco doses da VIP, distribuídas da seguinte forma: doses iniciais aos 2, 4 e 6 meses, seguidas por um primeiro reforço aos 15 meses e, agora, um segundo reforço aos 4 anos. Todas as aplicações estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A SES-SP, em colaboração com os municípios, intensifica ações como a identificação de cadernetas incompletas, a busca ativa de crianças com doses pendentes e a orientação às famílias, visando ampliar a proteção em todas as regiões.

A Sentinela Ativa: O Papel da Vigilância Epidemiológica

Mesmo com quase quatro décadas sem casos autóctones, a vigilância epidemiológica em São Paulo permanece ativa e rigorosa. O Programa de Vigilância das Paralisias Flácidas Agudas (PFA) é a ferramenta essencial nesse monitoramento, permitindo a detecção e investigação precoce de qualquer ocorrência suspeita. De acordo com o protocolo, todas as notificações de paralisia flácida aguda em indivíduos com menos de 15 anos são compulsórias e devem ser investigadas detalhadamente, independentemente do diagnóstico inicial. Este processo inclui a coleta de amostras de fezes para análise laboratorial do poliovírus, preferencialmente dentro de 14 dias após o início do déficit motor, e uma reavaliação neurológica após 60 dias. A transparência e o acesso à informação são pilares dessa estratégia; a SES-SP disponibiliza um painel público online com dados atualizados sobre a vigilância da poliomielite e das paralisias flácidas agudas no estado, reforçando o compromisso com a saúde pública, com informações disponíveis em seu portal dedicado.

Poliomielite: Uma Doença Viral Persistente

A poliomielite, ou paralisia infantil, é uma doença viral altamente contagiosa, capaz de afetar tanto crianças quanto adultos. Sua transmissão ocorre predominantemente pela via fecal-oral, através da ingestão de água, alimentos ou contato com objetos contaminados, além de poder ser transmitida por secreções de indivíduos infectados. Embora a maioria dos infectados não manifeste sintomas, quando presentes, as manifestações mais comuns incluem febre, mal-estar geral, dor de cabeça, distúrbios gastrointestinais e rigidez de nuca. Em quadros mais severos, o vírus pode invadir o sistema nervoso central, resultando em paralisia súbita, especialmente nos membros inferiores, com alto risco de sequelas permanentes e, em casos extremos, óbito. Compreender a natureza dessa doença é fundamental para valorizar a importância das medidas preventivas.

A história de São Paulo com a poliomielite é um lembrete contundente de que a erradicação de doenças infecciosas é um processo contínuo que exige colaboração e compromisso de toda a sociedade. Atingir e manter o patamar de quase quatro décadas sem a doença é uma prova da resiliência e eficácia do sistema de saúde pública do estado. No entanto, a ameaça global do poliovírus e a necessidade de fortalecer as coberturas vacinais exigem que a população continue engajada. Manter a caderneta de vacinação em dia e estar atento às informações confiáveis, como as disponíveis no portal Vacina 100 Dúvidas do Governo de São Paulo, são passos essenciais para assegurar que as futuras gerações possam desfrutar de um mundo verdadeiramente livre da paralisia infantil, perpetuando esse legado de saúde e proteção.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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