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Piscinão da Anhaia Mello: atraso e custo elevado prolongam enchentes na zona Leste
G1
Moradores da Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo, enfrentarão mais um verão sob a ameaça de enchentes severas. A esperada obra do piscinão, projetada para conter as cheias do Córrego da Mooca, que atravessa a avenida, sofreu um novo atraso, adiando sua conclusão em quase um ano. Além disso, o custo total da construção foi elevado em aproximadamente R$ 12 milhões. Esta notícia reacende a preocupação de centenas de milhares de pessoas que dependem da região e que, por décadas, clamam por uma solução definitiva para os alagamentos que causam transtornos e perdas materiais. A gestão municipal justificou o aditamento contratual por acréscimos de serviços e adequações ambientais.
Atraso e custo elevado marcam obra crucial na zona leste
A obra do piscinão da Anhaia Mello, que tem como objetivo mitigar os impactos das fortes chuvas, estava inicialmente prometida para ser entregue em agosto de 2026. No entanto, um aditamento de contrato assinado em novembro passado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) com o consórcio DPJ Mooca redefiniu o cronograma. A nova previsão de conclusão aponta para o segundo semestre de 2027, estendendo o prazo em quase um ano e meio em relação à promessa inicial de 26 meses de execução.
Junto com o atraso, a população de São Paulo verá o valor investido na construção aumentar significativamente. O custo total da obra, inicialmente orçado em R$ 166,6 milhões, foi reajustado para R$ 178,5 milhões. Este acréscimo de quase R$ 12 milhões levanta questionamentos sobre o planejamento e a execução de projetos de grande porte na capital paulista, especialmente aqueles destinados a resolver problemas crônicos que afetam diretamente a qualidade de vida dos cidadãos.
Aditamento contratual e justificativas
A empresa municipal responsável por obras na capital paulista esclareceu, por meio de nota, que o aumento no valor e o novo cronograma foram motivados por “acréscimos de serviços identificados ao longo da execução da obra”. Entre as justificativas apresentadas estão a necessidade de remoção de postes de concreto, incluindo as etapas de demolição, carga e transporte; a utilização de argamassa de coulis, um tipo de argamassa fluida, para a execução de paredes diafragma plásticas – estruturas de contenção que formam barreiras subterrâneas; e adequações nas armaduras das estacas dos pilares da construção.
Além disso, foram citadas intervenções relacionadas ao atendimento das exigências da Licença Ambiental de Instalação (LAI), um documento crucial que atesta a conformidade ambiental da obra. Tais adequações, segundo a prefeitura, tornaram-se imperativas para garantir a segurança estrutural e a conformidade legal do projeto, mas impactaram diretamente o orçamento e o tempo de entrega.
Drama das enchentes persiste na Avenida Anhaia Mello
Enquanto a conclusão do piscinão é adiada, os moradores da Zona Leste de São Paulo continuam a enfrentar os efeitos devastadores das enchentes que atingem recorrentemente a Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello e suas vias transversais. A situação tem se mostrado um fardo constante para quem reside ou transita pela região, transformando cada chuva forte em um cenário de caos e prejuízos.
Impacto direto na vida dos moradores
O último episódio de alagamento significativo ocorreu no sábado, 17 de fevereiro, quando um forte temporal transformou a avenida em um rio, submergindo veículos e deixando motoristas ilhados. Uma das cenas mais dramáticas flagrou um casal aguardando socorro dos bombeiros sobre o capô de seu carro branco, completamente cercado pela água, na esquina com a Rua Américo Vespucci. Em várias estações da Linha 15-Prata do Monotrilho, que se estende sobre a avenida, passageiros ficaram retidos, esperando a água baixar para poder acessar ou sair das plataformas.
O problema das enchentes na Anhaia Mello não é recente e já resultou em tragédias. No verão do ano passado, a região foi palco de um alagamento que arrastou carros e ceifou a vida de um motorista de aplicativo de 50 anos. Ele ficou preso dentro de seu veículo durante uma enxurrada na Rua Prece, uma via próxima, e, apesar de ser socorrido com parada cardiorrespiratória e levado ao Hospital Estadual Vila Alpina, não resistiu. Esse trágico evento ressalta a urgência da obra e o perigo iminente que os alagamentos representam para a vida dos cidadãos.
Detalhes do projeto de contenção
A obra do piscinão, que teve início com um cronograma de 26 meses para ser concluída em agosto de 2026, é executada pelo Consórcio DPJ Mooca, formado pelas empresas DP Barros Pavimentação e Construção LTDA e Jofege Pavimentação E Construção LTDA. O projeto é grandioso, com a capacidade de armazenar 134,5 milhões de litros de água, o que equivale a 54 piscinas olímpicas.
A previsão é que a estrutura beneficie diretamente cerca de 500 mil pessoas residentes nos distritos da Mooca, Sapopemba, São Lucas e Vila Prudente, áreas historicamente castigadas pelas enchentes. A ideia é que, ao capturar e reter o volume excessivo de água das chuvas, o piscinão evite que o Córrego da Mooca transborde, protegendo a infraestrutura local e as residências dos moradores.
Perspectivas e desafios futuros
O novo atraso na entrega do piscinão da Anhaia Mello e o aumento de seu custo representam um desafio significativo para a administração municipal e uma frustração para os cidadãos. A prolongada espera por uma solução definitiva para as enchentes na Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Mello mantém em risco a segurança e o patrimônio de milhares de pessoas. A cada temporada de chuvas, a expectativa se transforma em apreensão, com a população refém de um problema que se arrasta por décadas. É imperativo que as autoridades garantam a conclusão da obra no novo prazo estabelecido, com transparência na gestão dos recursos e qualidade na execução, para que a comunidade possa, enfim, vislumbrar um futuro sem o constante pesadelo dos alagamentos.
Perguntas frequentes
Por que a obra do piscinão da Anhaia Mello atrasou?
A obra atrasou devido a acréscimos de serviços não previstos inicialmente, como remoção de postes de concreto, uso de argamassa de coulis para paredes diafragma plásticas, adequações nas armaduras dos pilares e exigências relacionadas à Licença Ambiental de Instalação (LAI).
Qual o novo prazo e custo da obra do piscinão da Anhaia Mello?
A conclusão da obra, inicialmente prevista para agosto de 2026, foi adiada para o segundo semestre de 2027. O custo total, que era de R$ 166,6 milhões, foi elevado para R$ 178,5 milhões, representando um acréscimo de quase R$ 12 milhões.
Quem são os beneficiários do piscinão da Anhaia Mello?
A obra beneficiará diretamente cerca de 500 mil pessoas que residem nos distritos da Mooca, Sapopemba, São Lucas e Vila Prudente, regiões frequentemente afetadas pelas enchentes.
Quais os impactos das enchentes na Avenida Anhaia Mello?
As enchentes na Avenida Anhaia Mello causam alagamentos severos, submergem veículos, isolam motoristas e passageiros (inclusive no Monotrilho), resultam em prejuízos materiais significativos e, tragicamente, já causaram a morte de um motorista de aplicativo em um episódio anterior.
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Fonte: https://g1.globo.com