Pesquisa da USP Mapeia Experiências de Parto no Brasil para Aprimorar a Saúde Materna

 Pesquisa da USP Mapeia Experiências de Parto no Brasil para Aprimorar a Saúde Materna

O objetivo da pesquisa é contribuir para melhorar a assistência ao parto no País. Foto: Divulg…

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A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com o Consórcio Internacional The Birth Experience Study (IC-BESt) e apoio da Fapesp e CNPq, lançou uma iniciativa de pesquisa abrangente. O estudo visa entender profundamente como as mulheres brasileiras vivenciam o parto, tanto na rede pública quanto na privada, e comparar essas experiências com as diretrizes e recomendações globais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa coleta de dados é fundamental para subsidiar políticas públicas e práticas de saúde que garantam um parto mais humanizado e positivo no país.

O Contexto e a Relevância da Pesquisa

Nas últimas décadas, o Brasil testemunhou avanços significativos na saúde materna, com a quase totalidade dos partos realizados por profissionais qualificados. Contudo, desafios persistentes, como a alta incidência de intervenções desnecessárias durante o parto natural e as elevadas taxas de cesariana, continuam a impactar a experiência das mulheres e a aumentar o risco de complicações. Compreender a experiência do parto – que engloba sentimentos, cuidados recebidos e a forma como cada mulher interpreta os acontecimentos físicos, emocionais, psicológicos e sociais – tornou-se um foco crescente na pesquisa científica, revelando-se crucial para a saúde e o bem-estar de mães, bebês e suas famílias.

Estudos internacionais indicam que, enquanto uma parte considerável das mulheres descreve o parto como uma experiência positiva e transformadora, uma parcela igualmente significativa relata vivências negativas ou até traumáticas. Essa disparidade e o impacto profundo dessas experiências na vida das mulheres reforçam a urgência de investigações detalhadas no contexto brasileiro, onde a qualidade da assistência tem forte influência sobre o desfecho percebido.

Objetivos e Abrangência do Estudo

Liderado no Brasil pela professora Simone Diniz e sua equipe da FSP-USP, o estudo global sobre atenção obstétrica, nascimento e saúde materna tem como meta principal contribuir para o aprimoramento da assistência em todo o ciclo gravídico-puerperal: pré-natal, parto e pós-parto. Orientada pelos princípios da justiça reprodutiva e da interseccionalidade, a pesquisa busca dar voz a todas as mulheres que deram à luz no Brasil, independentemente do período em que o parto ocorreu, para capturar um panorama completo e representativo das vivências.

Metodologia: Uma Abordagem Integrada

Para alcançar seus objetivos, a pesquisa emprega uma metodologia mista, combinando abordagens quantitativas e qualitativas, com o uso da plataforma Qualtrics. O componente quantitativo consiste em um questionário online, disponível para participação de mulheres de todo o Brasil, que busca mapear experiências positivas e negativas relacionadas ao parto. Este questionário foi adaptado com a colaboração de grupos organizados de usuárias, que também contribuirão na interpretação dos resultados preliminares.

Complementarmente, a fase qualitativa aprofundará os relatos das participantes, explorando temas de particular relevância para a realidade brasileira. Será dada atenção especial às diferenças entre os setores público e privado de saúde e às experiências de grupos específicos, frequentemente marginalizados ou com necessidades diferenciadas. Isso inclui mulheres pretas, pardas e indígenas, mulheres com sobrepeso, aquelas com complicações clínicas e homens trans, para os quais será desenvolvido um questionário específico, garantindo uma coleta de dados sensível e inclusiva.

Impacto e Aplicações dos Resultados

Os dados coletados no Brasil serão comparados com os de outros 15 países participantes do IC-BESt, proporcionando um valioso intercâmbio de conhecimento internacional. Essa análise comparativa contribuirá significativamente para a produção científica global e, mais crucialmente, para o aprimoramento da assistência ao parto em nível nacional. Os resultados da pesquisa serão divulgados em redes sociais e canais acadêmicos, visando embasar e fortalecer políticas públicas, promover práticas humanizadas e garantir os direitos reprodutivos das mulheres brasileiras. A participação de cada mulher é um passo vital para transformar e melhorar a experiência de parto das futuras gerações.

Como Contribuir com a Pesquisa

A participação na pesquisa é voluntária e completamente confidencial, sem custos associados. Consiste em responder a um questionário online que aborda temas como acesso ao sistema de saúde, a relação com os profissionais, intervenções durante o parto, assistência pós-parto e saúde mental. O tempo estimado para completar o questionário varia de 60 a 90 minutos, dependendo da profundidade das respostas, e as participantes têm a liberdade de interromper o preenchimento a qualquer momento.

É importante notar que, embora muitas participantes relatem alívio ao compartilhar suas experiências, o conteúdo do questionário pode abordar questões delicadas que podem gerar desconforto ou reativar lembranças difíceis. Caso isso ocorra, a pesquisa oferece acesso a redes de apoio indicadas no decorrer do questionário. A identidade das participantes será mantida em absoluto sigilo, e as informações obtidas serão analisadas de forma agregada, sem qualquer identificação individual.

Ao compartilhar suas vivências, cada mulher se torna parte ativa de um esforço coletivo para dar voz às experiências de parto e promover um futuro com assistência obstétrica mais respeitosa e alinhada às necessidades e expectativas das gestantes e parturientes em todo o Brasil. O questionário está disponível para participação neste link.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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