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Operação Carbono Oculto: Rede Multibilionária de Lavagem de Dinheiro no Setor de Combustíveis é Desmantelada
© Fernando Frazão/Agência Brasil
A Operação Carbono Oculto, em sua terceira e mais recente fase deflagrada nesta quinta-feira (24), intensifica o combate ao crime organizado focado na lavagem de dinheiro no mercado financeiro e no setor de combustíveis. A investigação aponta para uma movimentação financeira estimada em impressionantes R$ 11,6 bilhões, revelando uma sofisticada teia de ocultação de bens e recursos ilícitos que buscam infiltrar-se na economia formal.
Alvos de Destaque e Suas Conexões Financeiras
Entre os principais alvos desta etapa da operação estão figuras com trânsito no mercado financeiro nacional. Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, proprietário da Entre Investimentos, foram intimados a prestar esclarecimentos. Freixo, inclusive, já possui um acordo de delação homologado pelo Supremo Tribunal Federal, relacionado à investigação do financiamento do filme 'Dark Horse', sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, onde ele teria sido responsável pelo repasse de recursos a um fundo nos Estados Unidos, demonstrando sua inserção em esquemas de grande envergadura.
A Arquitetura Criminosa: Usina, Distribuidora e Pulverização de Capitais
As investigações revelam a montagem de uma complexa estrutura criminosa com o objetivo de ocultar o controle de uma usina de álcool localizada no interior de São Paulo e, posteriormente, adquirir uma distribuidora de combustíveis. Para isso, o grupo empregava uma rede de operadores financeiros, fintechs e advogados, desenhando o que a Justiça de São Paulo descreveu como uma “sofisticada arquitetura de lavagem de capitais”. A organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 100 milhões destinados à compra da distribuidora, um valor que era rapidamente pulverizado em múltiplas contas para dificultar qualquer rastreamento. Adicionalmente, identificou-se uma transação de aproximadamente R$ 370 milhões vinculada à usina sob investigação, reforçando a escala das operações ilícitas.
Os líderes dessa organização, Roberto Augusto Leme da Silva, vulgo 'Beto Loco', e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como 'Primo', tinham como projeto a aquisição da distribuidora Terrana. A estrutura montada servia para blindar os imóveis e os ativos do grupo criminoso, perpetuando o ciclo de lavagem de dinheiro por meio de operações aparentemente lícitas.
O Papel dos Intermediários e Movimentações Suspeitas
A investigação também lançou luz sobre o papel de intermediários-chave. O advogado Rogério Garcia Peres, sócio da administradora Altinvest, é outro alvo da operação. Ele é suspeito de ter movimentado impressionantes meio bilhão de reais em sua conta pessoa física, remetendo parte desse montante para a Entre Payments. Segundo os investigadores, essa manobra visava ocultar recursos para terceiros, aproveitando os canais financeiros da Entre Payments, que estaria sendo utilizada pelo crime organizado para facilitar a movimentação de capitais ilícitos, servindo como uma ponte para a legitimação de fundos criminosos.
Lotéricas como Ferramenta de Reciclagem de Recursos
Um método peculiar de reciclagem de dinheiro foi identificado nas apurações: o uso de apostas em lotéricas. Antônio Carlos Freixo Júnior, o 'Mineiro', teria obtido mais de 500 'ganhos' em apostas, um número que, segundo a decisão judicial, é um claro indício da utilização da remessa de recursos ilícitos para apostas. O retorno desses valores através de prêmios se tornava uma etapa crucial para legitimar o dinheiro sujo, incorporando-o de volta à economia formal de maneira aparentemente lícita e dificultando a identificação de sua origem real.
Combate à 'Lavanderia do Crime': A Visão do Ministério da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, após a deflagração da operação, detalhou o modus operandi da rede criminosa. Ele explicou como uma usina de etanol utilizava operações financeiras complexas, envolvendo fundos de investimento que 'cascateavam' títulos e recursos para outras entidades, explorando o próprio sistema financeiro para ocultar a origem ilícita. Segundo Durigan, empresas como a Entre Payments, ao receberem dinheiro do crime organizado e auxiliarem na estruturação da ocultação de patrimônio, permitiam que negócios ilegais, como a distribuidora de combustíveis, atuassem no mercado em concorrência desleal com o setor legalizado, prejudicando a integridade econômica do país.
Durigan enfatizou a determinação do governo em combater essa “lavanderia do crime”. Ele afirmou que, com o avanço dos sistemas automatizados e o uso de inteligência artificial pela Receita Federal, esquemas complexos de lavagem de dinheiro, que ele classificou como “metástases no nosso desenho brasileiro de fundos de investimento”, serão cada vez mais prontamente identificados e desarticulados, sinalizando uma nova era no combate à criminalidade financeira no Brasil e na proteção do mercado formal.
Próximos Passos e O Contato com a Defesa
A terceira fase da Operação Carbono Oculto representa um avanço significativo na luta contra a corrupção e a lavagem de dinheiro em setores estratégicos da economia. As autoridades seguem empenhadas em desvendar todas as ramificações dessa complexa rede e em garantir a punição dos envolvidos, reforçando o compromisso com a transparência e a legalidade. A reportagem informa que ainda não conseguiu contato com a defesa dos investigados para comentários sobre as acusações apresentadas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br