Na paraíba, homem morre em recinto de leoa e reacende debate sobre saúde mental

 Na paraíba, homem morre em recinto de leoa e reacende debate sobre saúde mental

Agência Brasil

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A trágica morte de um homem no Parque Arruda Câmara, conhecido como a Bica, em João Pessoa, após invadir a área de uma leoa, lançou luz sobre a crítica questão da saúde mental e a necessidade urgente de aprimorar o suporte oferecido às pessoas em situação de vulnerabilidade. Gerson Melo, a vítima, escalou uma estrutura de mais de seis metros, ultrapassando as barreiras de segurança e adentrando o recinto da leoa no último domingo. Seu comportamento, marcado pela aparente ausência de noção do perigo, levantou sérias questões sobre possíveis transtornos psiquiátricos subjacentes.

O psiquiatra Rivando Rodrigues enfatizou que ações como essa são reflexo de uma desconexão da realidade, reforçando a importância da avaliação e internação quando necessário. Segundo o especialista, o paciente, ao perder o contato com a realidade, coloca em risco a própria vida e a de outros. Ele destacou que pacientes psicóticos ou com alucinações e delírios podem chegar a um ponto de completo desligamento da realidade. Rivando alertou para a necessidade de intervenções imediatas e para a falta de cuidados e locais adequados para atender esses pacientes no setor público, o que poderia minimizar essas situações extremas.

O surto psicótico, explicou Rivando, manifesta-se por meio de sintomas como agitação psicomotora, agressividade, alucinações auditivas (ouvir vozes) e delírios (ideias fixas e falsas). O indivíduo pode apresentar comportamento errático, percepção distorcida da realidade e desconexão com o mundo ao seu redor.

Gerson Melo recebia acompanhamento do Caps Caminhar, um serviço da rede de saúde mental de João Pessoa. A diretora da unidade, Janaína de Mary, detalhou que Gerson era acompanhado desde a infância, mas apresentava dificuldades em aderir ao tratamento. A ausência de uma rede de apoio familiar também era um fator complicador. Ele chegou ao Caps em dezembro do ano anterior, desapareceu, foi procurado em visitas, retornou em junho e sumiu novamente. Descobriram que ele estava em um hospital psiquiátrico em Recife. Retornou ao serviço na semana anterior ao incidente, onde foi atendido e recebeu oferta de tratamento. Infelizmente, ele não compareceu ao serviço na sexta-feira, o último dia em que foi visto foi na quinta-feira.

Apesar da falta de acompanhamento constante, familiares relatam que Gerson vivia em um estado de vulnerabilidade profunda. Sua prima, Ícara Menezes, descreveu-o como alguém não agressivo ou malicioso, mas que era frequentemente explorado por outros. Em troca de favores, como um prato de comida, ele era induzido a cometer pequenos furtos. Ícara enfatizou que Gerson nunca roubou para sustentar vícios, mas sim para ajudar quem o explorava. Ela lamentou a falta de apoio familiar que ele sempre buscou.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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