Mulher arrasta por um quilômetro: caso é tratado como tentativa de feminicídio

 Mulher arrasta por um quilômetro: caso é tratado como tentativa de feminicídio

Agência Brasil

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O caso de uma mulher que foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na capital paulista foi classificado como tentativa de feminicídio pelo delegado da Polícia Civil de São Paulo, Fernando Barbosa Bossa. O delegado destacou a impossibilidade de defesa da vítima e os requintes de crueldade no ato.

Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada na manhã do último sábado por Douglas Alves da Silva, de 26 anos. A vítima está internada em um hospital municipal, onde se recupera das graves lesões sofridas, incluindo a mutilação de suas pernas. A Secretaria de Saúde não divulgou informações sobre seu estado de saúde, alegando sigilo médico.

Douglas Alves da Silva foi preso no domingo à noite. Investigações apontam que a vítima e o agressor tiveram um breve relacionamento.

“A motivação dele foi simplesmente porque ele não aceitava um término, aquela sensação de posse, em um total desprezo à condição de gênero e de mulher, autêntica tentativa de feminicídio”, declarou o delegado durante entrevista à imprensa. Segundo ele, as provas contra o suspeito são substanciais.

Vídeos registraram o momento em que Tainara foi atropelada e arrastada. Testemunhas, incluindo um amigo do agressor que estava no banco do passageiro, foram ouvidas. O delegado informou que o agressor passaria por audiência de custódia.

A investigação revelou que Douglas e Tainara discutiram em um bar antes do crime. Após a discussão, ele entrou no carro com o amigo e avançou contra a vítima.

“Ele passa o carro por cima dela literalmente e ela fica presa embaixo do carro. Ele puxa o freio de mão e começa a fazer o movimento [para frente e para trás] para poder lesionar mais a vítima, até [para] atentar contra a vida dela. Esse amigo dele, o passageiro, tenta impedi-lo e não consegue”, relatou o delegado.

Após o atropelamento, o agressor dirigiu o veículo com a vítima presa embaixo por aproximadamente um quilômetro, até que o passageiro conseguiu convencê-lo a parar.

Em São Paulo, 207 mulheres foram vítimas de feminicídio desde janeiro. Em outubro, foram registrados 22 casos de feminicídio e 5.838 casos de lesão corporal dolosa contra mulheres.

A advogada Luciane Mezarobba aponta que a violência contra a mulher no Brasil é influenciada por fatores como a tradição patriarcal, que mantém as mulheres em posição de subordinação. Ela também destaca que a proximidade entre agressor e vítima pode levar à subestimação dos riscos.

Mezarobba ressalta a importância de combater a subnotificação de casos de violência doméstica, explicando que o medo, a dependência financeira e a falta de apoio podem impedir que as vítimas denunciem. Ela alerta que as agressões tendem a escalar e que é fundamental dar a devida importância aos relatos das vítimas. A Lei Maria da Penha define cinco formas de agressão: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Em casos de agressão, a orientação é que a vítima priorize sua segurança, buscando se afastar do agressor e acionando sua rede de apoio. É essencial procurar uma Delegacia da Mulher para registrar a ocorrência, fornecendo o máximo de detalhes e provas. A Lei Maria da Penha garante medidas protetivas, como o afastamento do agressor e a proibição de aproximação. A vítima também tem direito a assistência médica, transporte para abrigo seguro e acompanhamento para retirar seus pertences do domicílio familiar. Além disso, pode buscar indenização por danos sofridos.

Mezarobba adverte sobre a revitimização da mulher, que frequentemente é julgada por buscar ajuda e justiça, especialmente em crimes de violência física e sexual.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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