Mudança climática significa pobreza e doença, alerta davi kopenawa

 Mudança climática significa pobreza e doença, alerta davi kopenawa

© Ricardo Stuckert/PR

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Lideranças indígenas e quilombolas expressaram forte preocupação com a lentidão na resposta global à crise climática. Durante a COP30, em Belém, o xamã Davi Kopenawa, do povo Yanomami, e Katia Penha, coordenadora da Conaq, participaram de um debate crucial sobre as soluções territoriais para o combate à crise climática. O evento ocorreu na zona azul, a área oficial de negociação da conferência.

Davi Kopenawa questionou a ausência dos Estados Unidos, apontando o país como um dos maiores responsáveis pela poluição global. “Quem inventou isso? Mudança climática? Os americanos”, indagou Kopenawa, expressando frustração com a aparente falta de responsabilização. “Será que tem americanos aqui, para explicar para nós como que eles criaram esse problema, criaram essa doença, criaram esse veneno? Envenenar a água, desmatamento. Eles são culpados. Cadê eles?”

O líder Yanomami destacou o sofrimento contínuo da Terra Indígena Yanomami, assolada por invasões de garimpeiros ilegais que levam fome e morte à comunidade. Apesar dos esforços do governo federal para retirar os invasores desde 2023, Kopenawa alertou que o mundo enfrentará ainda mais dificuldades devido à inação na preservação do meio ambiente. “Daqui para a frente vai ter muita coisa ruim. Vai morrer muita floresta. Vai ter muito problema. Daqui para frente, 60 anos, o sofrimento vai chegar. Vai chegar fome. Essa mudança climática que, para mim, significa pobreza, doença, poluição de água. Sem a floresta, nós vamos sofrer”.

Katia Penha, da Conaq, enfatizou o papel vital das comunidades quilombolas na proteção dos biomas brasileiros, argumentando que a titulação de suas terras tradicionais é fundamental para o combate eficaz às mudanças climáticas. “Nós estamos com uma delegação grande e trazendo pontos. Porque nós queremos discutir soluções climáticas e não há soluções climáticas sem pensar em território quilombola titulado no Brasil. Não há soluções climáticas sem haver mudanças de adaptações viáveis e a gente falando como nós queremos construir essas soluções climáticas”, declarou Penha.

Para a coordenadora da Conaq, o sucesso das ações climáticas depende crucialmente da escuta atenta das comunidades mais afetadas pelos líderes mundiais. “A comunidade deve ser incluída nas decisões sobre as mudanças climáticas. Nós somos um povo guardião desse planeta e nós estamos nessa América Latina protegendo 205 milhões de hectares. Isso aí não dá para ser invisível e isso precisa discutir aqui como uma política, porque esses territórios estão preservados, porque se tem essas comunidades, esse povo, esse saber ancestral dentro desses territórios”.

A COP30 segue até 21 de novembro em Belém, com o objetivo de construir consensos entre os países para implementar medidas que limitem o aumento da temperatura global e atenuem a crise climática.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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