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Médicas de hospital público em são paulo flagradas em atividades pessoais no trabalho
G1
Três médicas ginecologistas do Ambulatório de Especialidades do Complexo Hospitalar Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, foram vistas realizando compras e frequentando aulas de pilates durante o horário em que deveriam estar atendendo pacientes. A situação foi constatada após apuração.
A escala fixada na recepção do ambulatório indica que as médicas Márcia Kamilos, Silmara Fialho e Mara Gomes integram o corpo de profissionais da área de ginecologia. No entanto, pacientes relatam dificuldades em agendar consultas há meses. Uma cozinheira afirmou não conseguir marcar atendimento com ginecologista há mais de seis meses, recebendo sempre a mesma resposta: falta de vagas e de médicos. A irmã da cozinheira também enfrenta a mesma dificuldade.
A investigação revelou que a médica Márcia Kamilos está afastada do hospital há um ano, desde dezembro de 2024, devido a um atestado médico de 365 dias, justificado por “capacidade laborativa prejudicada”. Apesar disso, foi possível agendar uma consulta particular com ela em uma clínica no bairro dos Jardins para o dia 17 de dezembro. A médica também participou de congressos e eventos em maio, setembro e outubro, inclusive ministrando aulas e palestras em diferentes cidades.
A médica Silmara Fialho tem escala de trabalho às segundas e quartas-feiras. No dia 17 de novembro, uma segunda-feira, registrou o ponto às 7h38 e deixou o local às 13h, duas horas antes do término oficial do expediente, sem retornar para registrar a saída. No dia 19, uma quarta-feira, chegou com uma hora e meia de atraso e saiu às 12h30. A equipe também a encontrou fazendo compras no centro da cidade, durante o horário em que deveria estar trabalhando no hospital. Nos dias 24 e 26 de novembro, ela não compareceu ao trabalho.
A escala de trabalho da médica Mara Gomes prevê jornadas de 10 horas às segundas e quartas e de seis horas às sextas. No dia 19 de novembro, foi verificado que ela retornou ao ambulatório às 12h10, após um período de três horas fora do hospital, onde fez aula de pilates e almoçou. No dia 24 de novembro, registrou o ponto e saiu para fazer pilates em outra cidade, sendo flagrada na aula às 9h. À tarde, retornou ao hospital e atendeu pacientes.
Dados do Portal da Transparência do Estado de São Paulo indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, as médicas Márcia Kamilos, Mara Gomes e Silmara Fialho receberam salários que totalizam mais de R$ 210 mil.
A médica Márcia Kamilos declarou que a administração do hospital tem conhecimento do seu afastamento e da documentação apresentada. As médicas Silmara Fialho e Mara Gomes não responderam aos contatos da reportagem.
A secretaria da Saúde informou que determinou à organização social responsável pela gestão do hospital a apuração imediata e rigorosa dos fatos, e que repudia qualquer conduta incompatível com a ética profissional. Caso as irregularidades sejam confirmadas, as profissionais envolvidas poderão sofrer sanções administrativas, trabalhistas e legais. A organização responsável pela gestão do hospital informou que iniciou a implementação de melhorias nos controles internos, como o registro de ponto por biometria facial, para aprimorar a supervisão de seus colaboradores.
Fonte: g1.globo.com