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Curso capacita profissionais para atendimento a mulheres com deficiência vítimas de violência
Agência SP
A rede de proteção à mulher no estado de São Paulo está sendo fortalecida por uma importante iniciativa: a abertura de inscrições para um curso de capacitação focado no atendimento a mulheres com deficiência vítimas de violência. Esta formação essencial visa aprimorar a atuação de promotores, delegados, policiais e outros profissionais que lidam diretamente com casos de violência de gênero, garantindo um acolhimento mais humanizado e eficaz. A qualificação é gratuita e integra o Programa TODAS in-Rede, fruto de uma parceria estratégica entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Este curso representa um passo crucial para assegurar que as mulheres com deficiência recebam o suporte adequado e tenham acesso pleno à justiça.
A urgência do atendimento especializado
Mulheres com deficiência enfrentam um cenário de vulnerabilidade ampliada, sendo desproporcionalmente mais suscetíveis à violência em suas diversas formas, e com barreiras adicionais para denunciar e acessar a justiça. A invisibilidade social, a dependência de cuidadores e familiares, e a dificuldade de comunicação são apenas alguns dos fatores que as tornam alvos mais fáceis e dificultam a busca por auxílio. Muitas vezes, a própria rede de proteção, embora bem-intencionada, carece de conhecimentos específicos e ferramentas adequadas para compreender e lidar com as particularidades de cada tipo de deficiência, seja ela física, intelectual, auditiva ou visual. Este déficit na preparação profissional pode resultar em um atendimento inadequado, re-vitimização ou, ainda pior, na completa ausência de amparo para essas mulheres.
O papel fundamental da capacitação
Reconhecendo essa lacuna crítica, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência destaca a essencialidade de qualificar os profissionais da linha de frente. Marcos da Costa, secretário da pasta, enfatiza que “Mulheres com deficiência enfrentam barreiras adicionais quando são vítimas de violência, muitas vezes invisibilizadas ou sem acesso a um atendimento adequado. Capacitar profissionais da segurança pública e da rede de proteção é fundamental para que esse atendimento seja humanizado, acessível e preparado para compreender as especificidades de cada deficiência. É assim que fortalecemos a proteção e garantimos que nenhuma mulher fique sem amparo”. Esta capacitação, portanto, não é apenas um adendo, mas um pilar para a construção de um sistema de proteção mais robusto, equitativo e inclusivo, capaz de responder às necessidades complexas de cada mulher. Ao preparar delegados, promotores e policiais para identificar sinais de violência, adaptar a comunicação e encaminhar corretamente, o curso contribui diretamente para desmantelar as barreiras enfrentadas por essas vítimas, promovendo um acesso real e digno à justiça e aos serviços de acolhimento.
Estrutura e alcance do programa de formação
O curso “Atendimento à mulher com deficiência vítima de violência” foi cuidadosamente estruturado para oferecer um conteúdo abrangente e prático, essencial para aprimorar a atuação dos profissionais. O formato virtual foi escolhido estrategicamente para facilitar o acesso e a participação de agentes de diferentes regiões do estado de São Paulo, permitindo flexibilidade de horários e ritmo de estudo. Com uma carga horária total de 36 horas, divididas em 21 aulas ministradas por especialistas renomados na área, a formação aborda desde o contexto histórico da deficiência até as mais modernas tecnologias e redes de apoio. O período para conclusão se estende por dois meses a partir do início das aulas, garantindo que os participantes possam absorver o conteúdo de forma eficaz.
Detalhes dos módulos e metodologia de ensino
A jornada de aprendizado é dividida em quatro módulos interligados, projetados para construir uma base sólida de conhecimento e habilidades:
1. Contexto histórico: Este módulo inicial explora a evolução da percepção social sobre a pessoa com deficiência, desde a marginalização até a busca por inclusão e direitos. Compreender o histórico é fundamental para desconstruir preconceitos e abordar a violência sob uma perspectiva mais empática e informada, reconhecendo as lutas e avanços conquistados.
2. Tipos de deficiência e suas especificidades: Um atendimento qualificado exige o conhecimento aprofundado sobre os diferentes tipos de deficiência — física, intelectual, auditiva, visual, psicossocial, entre outras — e como cada uma delas pode influenciar a experiência da violência e a forma de interagir com o sistema de justiça. Este módulo capacita os profissionais a identificar as necessidades específicas de comunicação, mobilidade e cognição, permitindo uma abordagem personalizada e respeitosa.
3. Legislação e tipificação da violência: Aborda a legislação pertinente à proteção da mulher com deficiência, incluindo a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência. Os participantes aprendem a tipificar os diferentes atos de violência (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral), reconhecendo suas manifestações e implicações legais específicas para esse público.
4. Tecnologias e instrumentalização para um atendimento qualificado e redes de apoio: Este módulo foca nas ferramentas práticas e tecnológicas disponíveis para facilitar o atendimento, como recursos de acessibilidade comunicacional e plataformas de denúncia. Além disso, enfatiza a importância da construção e fortalecimento das redes de apoio interinstitucionais, demonstrando como a colaboração entre diferentes órgãos (saúde, assistência social, segurança pública) é vital para oferecer um suporte integral e contínuo às vítimas.
Conforme Caroline Reis, coordenadora do programa TODAS in-Rede, a flexibilidade do formato on-line é um diferencial. “São 21 aulas ministradas por especialistas que podem ser assistidas de onde for mais conveniente para os participantes. Com duas ou três aulas por semana, é possível concluir o curso com tranquilidade dentro do prazo, garantindo uma boa absorção do conteúdo”, explica, reforçando o compromisso com a acessibilidade e a qualidade do ensino.
O programa TODAS in-Rede: um olhar mais amplo
A realização deste curso está inserida no contexto maior do Programa TODAS in-Rede, uma iniciativa abrangente que transcende a capacitação de profissionais. O TODAS in-Rede tem como missão principal promover o empoderamento de mulheres com deficiência, abordando uma vasta gama de temas cruciais para a construção de sua autonomia e bem-estar. Entre as frentes de atuação do programa, destacam-se cursos e ações voltados para temas como trabalho e geração de renda, autonomia financeira, prevenção à violência, autoestima, liderança e a garantia dos direitos afetivos, sexuais e reprodutivos. Ao oferecer uma visão holística e integrada das necessidades das mulheres com deficiência, o TODAS in-Rede busca não apenas combater a violência, mas também criar um ambiente onde essas mulheres possam florescer, exercendo plenamente sua cidadania e potencial. A capacitação de profissionais é, portanto, um elo vital nessa corrente de apoio, fortalecendo a rede de proteção e ampliando o acesso a serviços que garantam direitos e acolhimento. A iniciativa também ganha relevância especial por integrar as ações da SEDPcD voltadas para o Mês das Mulheres, celebrado em março, ressaltando o compromisso contínuo com a equidade de gênero e a inclusão das pessoas com deficiência.
Perspectivas e impacto social
A capacitação de profissionais para o atendimento a mulheres com deficiência vítimas de violência representa um avanço significativo na política pública do estado de São Paulo. Ao investir na formação contínua dos agentes da rede de proteção, o governo estadual reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos humanos e a promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva. O impacto desta iniciativa reverberará diretamente na vida de milhares de mulheres que, muitas vezes, enfrentam a violência em silêncio. Um atendimento humanizado, acessível e tecnicamente preparado pode ser o divisor de águas entre o ciclo de violência e a reconstrução da dignidade e da segurança. A sinergia entre o Programa TODAS in-Rede e esta capacitação especializada cria um ecossistema de apoio que não apenas combate a violência, mas também fortalece a autonomia e o empoderamento das mulheres com deficiência em todos os aspectos de suas vidas. Esta é uma demonstração clara de que, com investimentos em conhecimento e colaboração interinstitucional, é possível construir um futuro onde nenhuma mulher fique sem amparo, independentemente de sua condição.
Perguntas frequentes
1. Quem pode se inscrever no curso “Atendimento à mulher com deficiência vítima de violência”?
O curso é destinado a promotores, delegados, policiais e demais profissionais que atuam na rede de proteção à mulher em todo o estado de São Paulo.
2. O curso é totalmente online e gratuito?
Sim, o curso é oferecido em formato virtual e é completamente gratuito, facilitando o acesso de profissionais de diversas regiões do estado.
3. Qual o período de duração e os módulos abordados na capacitação?
As aulas começam em 23 de abril e ficam disponíveis por dois meses, totalizando 36 horas de carga horária e 21 aulas. Os módulos incluem Contexto histórico, Tipos de deficiência e suas especificidades, Legislação e tipificação da violência, e Tecnologias e instrumentalização para um atendimento qualificado e redes de apoio.
Não perca a chance de aprimorar suas habilidades e fazer a diferença na vida de mulheres com deficiência vítimas de violência. Inscreva-se já e faça parte dessa rede de proteção essencial.
Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br