Cubanos Assumem Liderança nos Pedidos de Refúgio no Brasil, Revela Relatório

 Cubanos Assumem Liderança nos Pedidos de Refúgio no Brasil, Revela Relatório

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

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O Brasil testemunhou uma mudança significativa no perfil dos solicitantes de refúgio, com cidadãos cubanos emergindo como o grupo predominante. De acordo com o relatório "Refúgio em Números", divulgado recentemente pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), o país registrou um total de 75.600 pedidos no ano passado. Desse montante, quase 42 mil foram realizados por cubanos, superando historicamente a hegemonia venezuelana e reconfigurando o cenário migratório nacional.

A Nova Dinâmica do Refúgio no Brasil

A ascensão dos cubanos à primeira posição representa uma alteração notável no fluxo de solicitações de refúgio. Durante vários anos, os venezuelanos lideraram o ranking, mas o último período analisado mostrou uma queda de aproximadamente 20% em seus pedidos, que totalizaram 21.233. Esta inversão consolida um novo panorama para as autoridades brasileiras e organizações de apoio a migrantes.

Embora em números bem menores, solicitantes da Colômbia e de Angola também figuram entre os principais países de origem. O relatório detalha que a maioria das solicitações gerais provém de homens em idade produtiva, buscando amparo no território brasileiro.

Perfil dos Solicitantes e Disparidades Demográficas

Analisando as características dos solicitantes, o levantamento da OBMigra aponta para uma predominância masculina em idade ativa entre os pedidos em geral. Contudo, há nuances importantes ao considerar grupos específicos, como detalha Gustavo Junger, diretor de pesquisa do IBGE e membro do comitê de especialistas em população e estatísticas sociais da ONU.

Segundo Junger, no que diz respeito aos solicitantes de refúgio latino-americanos, especialmente colombianos e venezuelanos, observa-se uma significativa presença de crianças e adolescentes, além de um equilíbrio maior na proporção entre homens e mulheres, embora os homens ainda representem a maioria nesse segmento.

Reconhecimento de Refugiados e o Contexto Global

No último ano, cerca de nove mil pessoas tiveram seu status de refugiado oficialmente reconhecido no Brasil. A esmagadora maioria desses reconhecimentos foi concedida a venezuelanos, principalmente devido a graves e generalizadas violações dos direitos humanos em seus países de origem, sublinhando a urgência das crises humanitárias na região.

Em escala global, a Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estima que cerca de 117,8 milhões de pessoas estão deslocadas de suas casas em todo o mundo. Embora este seja o primeiro dado a indicar uma redução em dez anos, Silvia Sander, oficial de proteção da ACNUR no Brasil, alerta que essa estatística pode ser enganosa. A aparente diminuição não reflete a resolução dos conflitos, mas sim retornos forçados a países ainda inseguros, como ocorre com afegãos, sírios e sudaneses.

Sander ressalta que cerca de 4,4 milhões de refugiados estão sendo pressionados a retornar a contextos perigosos, caracterizando esses movimentos como "retornos prematuros". Este cenário global é particularmente acentuado nas Américas, que, de acordo com a ONU, é a principal região do mundo em deslocamento forçado, com 22,8 milhões de pessoas fora de seus lares.

Os dados apresentados evidenciam a complexidade e a constante evolução dos fluxos migratórios forçados, tanto em nível nacional quanto global. O Brasil, ao receber um número crescente de solicitações, principalmente de cubanos, reflete as pressões geopolíticas e humanitárias que impulsionam milhões a buscar segurança e novas oportunidades, enquanto o cenário internacional alerta para a fragilidade dos retornos e a persistência de crises que demandam atenção urgente e soluções duradouras.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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