Criações digitais iluminam madureira celebrando a consciência negra

 Criações digitais iluminam madureira celebrando a consciência negra

© Fernando Frazão/Agência Brasil

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Em celebração ao Dia da Consciência Negra, o Viaduto de Madureira, no Rio de Janeiro, se transformou em uma galeria digital a céu aberto. Quatro artistas negros de diferentes partes do país exibem suas criações em telões de LED, convidando o público a refletir sobre temas como libertação, cura e reexistência da população negra.

A mostra, que teve início nesta quarta-feira (19), apresenta obras de Guilherme Bretas, Ilka Cyana, Poliana Feulo e Walter Mauro. Cada artista traz sua perspectiva única, explorando diferentes técnicas e abordagens. A intervenção artística faz parte da programação da Festa Literária das Periferias (Flup) e integra o projeto Códigos Negros, uma iniciativa do Olabi que busca promover a tecnologia e a inovação como ferramentas de transformação social.

Silvana Bahia, codiretora executiva do Olabi e curadora do Códigos Negros, descreve as obras como audiovisuais, muitas delas criadas com o auxílio de inteligência artificial. Ela destaca a individualidade de cada artista e sua habilidade em utilizar diferentes campos das artes, desde o trabalho com acervos e memória até a direção de arte e o uso de tecnologias inovadoras.

A exposição encontra inspiração no livro “Os Condenados da Terra”, de Frantz Fanon, um dos maiores intelectuais negros da história. No ano do centenário de seu nascimento, Fanon também é homenageado em outra mostra da Flup. Sua obra, que explora os efeitos da colonização na subjetividade das pessoas negras e seu impacto nas relações sociais e culturais, serve como ponto de partida para as reflexões propostas pelas obras digitais.

“Esse trabalho do Fanon estimula a gente a pensar muito sobre a colonização, sobre os efeitos que esse processo colonizador tem na subjetividade, esses efeitos psicológicos na subjetividade das pessoas negras e como isso impacta nas relações sociais, culturais. E como é pensar tudo isso a partir dessa perspectiva de um corpo negro”, comenta Silvana Bahia.

A intervenção digital acontece em duas etapas: a primeira até o dia 23 de novembro, e a segunda, de 27 a 30 de novembro. A entrada é gratuita.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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