Cop30: impasse no financiamento ameaça metas climáticas globais

 Cop30: impasse no financiamento ameaça metas climáticas globais

© Bruno Peres/Agência Brasil

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Um impasse crítico em relação ao financiamento de medidas de adaptação climática paira sobre as negociações na COP30, travando o progresso na definição de metas globais para enfrentar os impactos da crise climática. A crescente urgência imposta pelo aquecimento global exige que os países superem suas divergências e cheguem a um acordo para mitigar os efeitos devastadores que já afetam comunidades e ecossistemas em todo o mundo.

Durante a reunião de Alto Nível realizada em Belém, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, alertou para a necessidade urgente de reconhecer a transformação que a emergência climática já impõe sobre vidas, economias e ecossistemas globalmente. Ela enfatizou que, mesmo que as emissões de gases de efeito estufa fossem interrompidas imediatamente, as consequências persistiriam por muitos anos, exigindo medidas de adaptação robustas.

“A adaptação precisa estar no centro da resposta global,” declarou a ministra. “Proteger pessoas e territórios depende de instrumentos concretos para medir o progresso, orientar políticas e reduzir vulnerabilidades. Por isso, é fundamental que essa COP30 saia com os indicadores globais de adaptação finalmente aprovados.”

A especialista em mudanças climáticas do WWF-Brasil, Flávia Martinelli, ressalta que as negociações sobre adaptação devem levar em consideração a capacidade de avaliar a vulnerabilidade das sociedades aos eventos climáticos extremos. A definição de um padrão de ação e implementação é crucial para monitorar o progresso a longo prazo, avaliando o quão perto ou longe se está de proteger as populações dos impactos climáticos.

A COP30, já considerada a “COP da Adaptação”, tem o objetivo de concretizar a Meta Global de Adaptação, estabelecida de forma genérica no Acordo de Paris. A definição de indicadores é essencial para direcionar investimentos e projetos para cumprir a meta global, incentivar os países a aumentar sua capacidade de resposta às mudanças climáticas e orientar os Planos Nacionais de Adaptação (NAPs).

Inicialmente, foram levantados mais de 10 mil possíveis indicadores para definir a Meta Global de Adaptação. Após extensas discussões, uma lista resumida de 100 indicadores foi publicada, servindo como base para as negociações atuais.

Lucas Turmena, pesquisador associado do Instituto para o Meio Ambiente e Segurança Humana da Universidade das Nações Unidas, exemplificou alguns desses indicadores, como a porcentagem de pessoas com acesso a água proveniente de sistemas resilientes ao clima, a proporção de reurbanização de comunidades urbanas com foco na adaptação, e a porcentagem de pessoas vivendo na pobreza em áreas de alto risco.

No entanto, a definição desses indicadores enfrenta dois obstáculos principais: a viabilidade de mensuração das metas, considerando que nem todos os países possuem as mesmas condições de medição, e o financiamento necessário para a medição dos critérios, incluindo dinheiro e tecnologia.

Na fase atual das negociações, a discussão das metas enfrenta resistências de países que buscam adiar o acordo final ou vinculá-lo a garantias financeiras para o cumprimento. Um grupo de países africanos propôs adiar a negociação por mais dois anos, sugerindo que o acordo sobre adaptação seja definido na COP da Etiópia, em 2027. Outras nações árabes pressionam para que a discussão seja diretamente vinculada ao aumento do financiamento, argumentando que as metas não devem ser definidas sem discutir os recursos necessários para cumpri-las.

A presidência do Brasil tem mediado em busca de um consenso e de uma resposta definitiva dos países ao tema da adaptação nesta COP30.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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