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Casa de Jorge Amado inaugura novos espaços com homenagens a figuras icônicas
© Guilherme Weber de Lima/Fundaç
A Fundação Casa de Jorge Amado, um dos mais importantes marcos culturais de Salvador, Bahia, celebra 38 anos de existência com a emocionante inauguração de dois novos espaços expositivos. A partir desta sexta-feira, 12 de abril, visitantes terão a oportunidade de mergulhar nas trajetórias e legados de duas mulheres extraordinárias que, cada uma à sua maneira, deixaram marcas indeléveis na cultura brasileira: a ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi e a escritora, memorialista e fotógrafa Zélia Gattai. Esta iniciativa enriquece ainda mais a experiência cultural no Largo do Pelourinho, unindo história, arte e espiritualidade, e reforça o papel da fundação como um guardião da memória e da diversidade cultural do Brasil.
O legado espiritual e literário de Mãe Stella de Oxóssi
A Fundação Casa de Jorge Amado abre suas portas para um tributo permanente à icônica Mãe Stella de Oxóssi, uma das mais respeitadas lideranças candomblecistas da Bahia e uma voz potente na disseminação da cultura afro-brasileira. Falecida em 2018, Mãe Stella, que completaria 100 anos em 2025, terá sua vida e obra eternizadas na Casa Exu 47, um dos espaços que compõem o projeto de integração dos casarões históricos 47, 49 e 51 no Largo do Pelourinho.
A escolha da Casa Exu 47 para abrigar a exposição dedicada a Mãe Stella não é meramente arquitetônica, mas profundamente simbólica. Exu, orixá guardião da comunicação e dos caminhos, foi o escolhido por Jorge Amado como protetor de sua casa, e agora, este espaço celebra a guardiã da fé e da sabedoria. A exposição trará itens cuidadosamente selecionados que narram a trajetória de Mãe Stella, desde sua infância em Salvador até sua ascensão como Ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, um dos terreiros de candomblé mais tradicionais e influentes do Brasil.
Seu trabalho transcendeu os limites do terreiro, alcançando a academia e a literatura. Mãe Stella foi uma prolífica escritora, com obras que abordaram temas cruciais como o candomblé, a intolerância religiosa, o racismo e a preservação das tradições africanas no Brasil. Sua erudição e sua capacidade de dialogar com diferentes públicos a levaram a ocupar uma cadeira na Academia de Letras da Bahia, um reconhecimento de sua contribuição intelectual e cultural. Além disso, foi agraciada com o título de Doutor Honoris Causa por importantes instituições de ensino, como a Universidade Federal da Bahia e a Universidade do Estado da Bahia, atestando seu impacto no pensamento e na educação. A exposição é um convite à reflexão sobre a riqueza da herança africana no Brasil e o papel fundamental de Mãe Stella na sua preservação e valorização.
A celebração da sabedoria na Casa Exu 47
A Casa Exu 47, agora um espaço permanente, foi concebida para ser um ponto de encontro entre a espiritualidade afro-brasileira e a memória cultural. A exposição sobre Mãe Stella de Oxóssi permitirá aos visitantes uma imersão em sua filosofia e em sua incansável luta pela igualdade e pelo respeito às tradições. O público poderá ver de perto objetos que pertenceram à Ialorixá, manuscritos, fotografias raras e depoimentos que ilustram sua sabedoria, sua resiliência e seu profundo amor pela cultura de seu povo. A exposição busca não apenas homenagear uma grande líder religiosa, mas também educar sobre a importância do candomblé como um pilar da identidade brasileira, muitas vezes marginalizado ou incompreendido. Através de seu exemplo, Mãe Stella de Oxóssi demonstrou que a fé e a cultura podem ser instrumentos poderosos de transformação social e de promoção do diálogo inter-religioso e intercultural.
Zélia Gattai: Guardiã da memória e da arte
O segundo novo espaço inaugurado pela Fundação Casa de Jorge Amado é uma homenagem comovente a Zélia Gattai, a inseparável companheira de vida de Jorge Amado e figura central na criação e manutenção da própria fundação. Conhecida por sua doçura, inteligência e perspicácia, Zélia foi uma escritora talentosa, memorialista detalhista e fotógrafa apaixonada, cuja obra registra cinco décadas da história cultural e política do Brasil, além de capturar a intimidade e o cotidiano de grandes personalidades.
A sala dedicada a Zélia Gattai é um verdadeiro tesouro, onde os visitantes encontrarão uma rica coleção de fotografias, manuscritos originais, cartas pessoais e objetos que fizeram parte de sua vida. O espaço oferece um vislumbre da mente criativa de Zélia e de sua capacidade de observar e documentar o mundo ao seu redor. Sua produção literária, que inclui cerca de 14 obras, abrange desde a autobiografia “Anarquistas, Graças a Deus”, que marcou sua estreia e se tornou um clássico, até livros infantis e romances. Através de suas memórias, Zélia Gattai não apenas contou sua própria história, mas também a história de um Brasil em transformação, de seus amigos artistas e intelectuais, e da efervescência cultural que vivenciou ao lado de Jorge Amado.
Um dos destaques da exposição é a revelação de parte de seu vasto arquivo fotográfico, estimado em 21 mil negativos. Essas imagens são um patrimônio inestimável, registrando eventos históricos, paisagens e, sobretudo, retratos de personalidades que marcaram uma época, muitos deles amigos íntimos do casal Amado. A habilidade de Zélia em capturar momentos e expressões confere às suas fotografias um caráter documental e artístico singular. A escritora também alcançou o reconhecimento institucional de sua obra, ocupando, a partir de 2002, a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras, a mesma vaga que havia sido anteriormente ocupada por seu companheiro, Jorge Amado, um testemunho de sua própria estatura literária e de sua profunda conexão com o legado do marido.
Uma vida em imagens e palavras
A sala de Zélia Gattai é mais do que um memorial; é uma janela para a alma de uma mulher que foi protagonista e testemunha ocular de grandes momentos. Ao percorrer a exposição, o visitante poderá sentir a presença vibrante de Zélia, através de suas palavras e de suas lentes. A mostra explora sua visão de mundo, sua paixão pela vida e seu compromisso em preservar a memória. Os manuscritos revelam o processo criativo, as anotações à mão, as correções, enquanto as fotografias transportam o observador para dentro dos círculos intelectuais e artísticos do século XX brasileiro. É uma celebração não apenas de sua obra, mas de sua personalidade afetuosa e de sua contribuição inestimável para a cultura brasileira, seja como escritora, fotógrafa ou como a grande parceira que inspirou e apoiou um dos maiores escritores do país.
A Fundação Casa de Jorge Amado fortalece sua missão cultural
A inauguração destes novos espaços na Fundação Casa de Jorge Amado representa um marco significativo em sua trajetória de quase quatro décadas. Ao homenagear Mãe Stella de Oxóssi e Zélia Gattai, a fundação não apenas amplia seu acervo e sua oferta cultural, mas também reafirma seu compromisso em celebrar a diversidade e a riqueza da cultura brasileira. A integração dos casarões históricos 47, 49 e 51 no Largo do Pelourinho cria um complexo cultural ainda mais robusto e convidativo, oferecendo aos visitantes uma experiência imersiva na vida e obra de Jorge Amado e nas influências que moldaram sua criação literária, como a religiosidade afro-brasileira e as memórias de sua companheira. Esta iniciativa solidifica a Casa de Jorge Amado como um polo de memória, educação e arte, essencial para a compreensão das raízes e da identidade nacional.
FAQ
Quais são os novos espaços inaugurados na Fundação Casa de Jorge Amado?
Foram inaugurados dois novos espaços expositivos permanentes: um dedicado à ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi, localizado na Casa Exu 47, e outro que homenageia a escritora, memorialista e fotógrafa Zélia Gattai.
Quem são as personalidades homenageadas e qual a relevância de cada uma?
Mãe Stella de Oxóssi foi uma das mais importantes líderes candomblecistas do Brasil, escritora e disseminadora da cultura afro-brasileira, com reconhecimento na Academia de Letras da Bahia. Zélia Gattai foi companheira de Jorge Amado, escritora, memorialista e fotógrafa, com um vasto arquivo fotográfico e membro da Academia Brasileira de Letras. Ambas tiveram um papel fundamental na cultura brasileira e na vida de Jorge Amado.
Quais são os horários de funcionamento da Fundação e há entrada gratuita?
A Fundação Casa de Jorge Amado funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 16h. A entrada é gratuita para todos os visitantes nas quartas-feiras.
Visite a Fundação Casa de Jorge Amado e mergulhe nas histórias que moldaram a cultura brasileira.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br