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Bloco de Brasília promove carnaval inclusivo e combate o capacitismo
© Valter Campanato/Agência Brasil
Enquanto as ruas de Brasília pulsam com a energia contagiante do carnaval, um bloco em particular se destaca por sua missão de romper barreiras e garantir que a festa seja verdadeiramente para todos. O “Deficiente é a mãe”, há 14 anos, transforma a folia momesca em um palco de inclusão, desafiando a histórica falta de acessibilidade em eventos culturais. A iniciativa nasceu da compreensão de que rampas, pisos táteis, transporte adaptado, intérpretes de Libras e espaços reservados não são favores, mas direitos fundamentais. Este movimento em Brasília serve como um poderoso lembrete de que o carnaval acessível é essencial para combater o capacitismo, a discriminação que subestima as capacidades de pessoas com deficiência.
A gênese da inclusão: Combatendo barreiras no carnaval
Uma história de luta e celebração
Fundado há 14 anos pela historiadora Lurdinha Danezy Piantino, em colaboração com pais e representantes de entidades dedicadas a pessoas com deficiência, o bloco “Deficiente é a mãe” nasceu da indignação contra o capacitismo. Para Lurdinha, mãe de Lúcio Piantino, a ocupação de espaços sociais e culturais é crucial. “A pessoa com deficiência tem que ocupar todos os espaços: sociais e culturais. E o momento cultural mais importante do ano é o carnaval. Então, a pessoa com deficiência tem que estar junto”, enfatiza a fundadora.
Lúcio Piantino, de 30 anos, é um dos corações pulsantes do bloco. Multifacetado, ele dá vida a Úrsula Up, a primeira Drag Queen com síndrome de Down do Brasil e uma voz ativa na causa LGBTQIA+. Fora dos palcos e sem a montação característica, Lúcio expande seu talento como ator, artista plástico, dançarino e palhaço. Gay e apaixonado pelo carnaval desde a infância, ele vê os blocos como ferramentas essenciais para promover a inclusão. “Sinto-me ótimo. É a vida, que é muito boa”, expressa Lúcio, transmitindo a alegria de participar plenamente da festa.
Mobilização e o impacto da festa
Superando obstáculos e inspirando participação
Na luta contra o preconceito, Luiz Maurício Santos, servidor público aposentado de 60 anos e cadeirante há 28 anos, é outro fundador do bloco. Apesar das dificuldades inerentes à organização – como a obtenção de recursos e a burocracia –, ele defende que mais pessoas com deficiência compreendam que o carnaval também é um espaço seu. “Temos ainda a dificuldade de mobilizar o segmento. As pessoas ainda ficam um pouco receosas de participar, de sofrer alguma discriminação. Então, sempre tentamos mobilizar essa turma para que apareçam”, relata Santos, destacando a importância de vencer a barreira do receio.
Um frequentador assíduo dos encontros anuais do bloco é o jovem Francisco Boing Marinucci, de 22 anos, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sua mãe, a professora Raquel Boing Marinucci, o leva ao bloco por seu amor por músicas, marchinhas de carnaval e sambas. Em uma homenagem criativa ao Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, Francisco e sua mãe elegeram as fantasias para o carnaval de 2026, revivendo as memórias de infância do jovem. “A mãe me adora, me ama de paixão. A mãe é minha companhia”, declara Francisco sobre a presença constante de Raquel. Para a professora, o bloco oferece um ambiente mais inclusivo e seguro para ambos. Ela ressalta a diferença na percepção social: “Quando as pessoas com deficiência intelectual são pequenas, há mais compreensão, porque, em geral, as crianças não são preconceituosas. Mas para um jovem ou adulto com deficiência intelectual não há inclusão de verdade. Por isso, não é possível deixá-lo sair sozinho em um ambiente sem um cuidador contratado ou alguém da família.”
O Brasil, segundo o IBGE, conta com 18,6 milhões de pessoas com deficiência com 2 anos ou mais, o que representa 8,9% da população nessa faixa etária, sendo a deficiência visual a mais comum, atingindo cerca de 3,1%. Thiago Vieira, auxiliar de biblioteca com baixa visão congênita, ilustra a necessidade de mais espaços inclusivos. Neste carnaval, ele desfrutou da festa ao lado de sua cão-guia Nina. Amante do carnaval, Thiago considera essencial ter eventos que o acolham. “No ano inteiro, a gente é bastante esquecido. Este bloco é um começo, me sinto seguro aqui. Quem sabe a sociedade se conscientiza para abrir mais lugares acessíveis para a gente?”, almeja.
Carlos Augusto Lopes de Sousa, secretário escolar em Recanto das Emas, é outro frequentador assíduo. Em cadeira de rodas devido a uma fratura na coluna há 37 anos, ele celebrou a segunda-feira de carnaval no centro de Brasília, afirmando: “Isso se chama inclusão e respeito.” Carlos também expressa otimismo em relação às pesquisas da professora doutora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, que desenvolveu um medicamento (composto polilaminina) com resultados promissores na regeneração de lesões medulares. “Ela é incrível! Heroína nacional”, celebra Carlos Augusto, esperançoso pela aprovação da Anvisa para estudos clínicos mais amplos.
Rumo a uma sociedade plenamente acessível
O bloco “Deficiente é a mãe” transcende a mera celebração carnavalesca, consolidando-se como um grito de resistência e um farol de esperança. Ao longo de mais de uma década, ele tem não apenas proporcionado momentos de alegria e confraternização para pessoas com deficiência e suas famílias, mas também atuado como um catalisador para a conscientização social. As histórias de Lurdinha, Lúcio, Luiz Maurício, Francisco, Thiago e Carlos Augusto são testemunhos vívidos da importância de garantir a participação plena e equitativa de todos nos diversos âmbitos da vida. A busca por um carnaval inclusivo em Brasília é um reflexo do anseio por uma sociedade onde a acessibilidade seja a norma, e não a exceção, promovendo dignidade e respeito para todos os cidadãos.
Perguntas frequentes sobre acessibilidade no carnaval
Qual é o objetivo principal do bloco “Deficiente é a mãe”?
O objetivo principal é promover a inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) no carnaval, combatendo o capacitismo e as barreiras físicas e sociais que limitam sua participação em eventos culturais.
Quais são os principais desafios de acessibilidade nos eventos de carnaval?
Os desafios incluem a falta de rampas, calçadas e pisos táteis adequados, pouca oferta de transporte público acessível, ausência de espaços reservados com boa visibilidade para cadeirantes, e o número limitado de intérpretes de Libras.
Quem é Úrsula Up e qual sua importância?
Úrsula Up é a Drag Queen interpretada por Lúcio Piantino, que possui síndrome de Down. Ela é a primeira Drag Queen com essa condição no Brasil e representa um ícone de representatividade LGBTQIA+ e de pessoas com deficiência, mostrando que a arte e a expressão são para todos.
Como a sociedade pode contribuir para um carnaval mais inclusivo?
A sociedade pode contribuir exigindo e apoiando a criação de estruturas acessíveis, participando ativamente de blocos e eventos inclusivos, conscientizando-se sobre o capacitismo e incentivando a participação de pessoas com deficiência em todos os espaços.
Engaje-se ativamente na promoção da inclusão e descubra mais sobre iniciativas que transformam o carnaval em uma festa verdadeiramente acessível para todos. Sua participação faz a diferença!
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br