Assinado acordo Mercosul-UE: bloco de US$ 22 trilhões e 720 milhões de

 Assinado acordo Mercosul-UE: bloco de US$ 22 trilhões e 720 milhões de

© REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

Compatilhe essa matéria

Um marco histórico nas relações comerciais globais foi alcançado neste sábado, 17, com a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia em Assunção, Paraguai. Este pacto sela a integração de dois dos maiores blocos econômicos do mundo, criando um mercado colossal de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado que ultrapassa os US$ 22 trilhões. Após mais de duas décadas de intensas negociações, o acordo Mercosul-União Europeia representa um firme posicionamento em favor da cooperação, do multilateralismo e do comércio livre baseado em regras, em um cenário global marcado por crescentes incertezas e tendências protecionistas. A formalização desta parceria é vista como um baluarte contra o isolamento e a coerção econômica.

O marco histórico e o impacto econômico
A celebração do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é o resultado de 26 anos de complexas negociações que envolveram idas e vindas, superando obstáculos políticos, econômicos e setoriais. Este período de diálogo, iniciado em 1999, reflete a magnitude e a ambição de um pacto que visa remodelar as cadeias de suprimentos e os fluxos de investimento entre os dois continentes. A assinatura em Assunção, no Paraguai, simboliza não apenas o término de uma longa jornada diplomática, mas o início de uma nova era para ambas as regiões, prometendo fortalecer suas economias e promover um desenvolvimento mais integrado e sustentável.

Vinte e seis anos de negociações e o gigante mercado
O potencial econômico do acordo é avassalador. Ao unir o Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai , e os 27 estados-membros da União Europeia, cria-se a maior zona de livre comércio do planeta. Esta parceria formará um mercado consumidor de 720 milhões de habitantes, representando uma força sem precedentes em termos de demanda e oportunidades. O PIB combinado de mais de US$ 22 trilhões confere a este bloco um peso significativo na economia global, capaz de influenciar tendências comerciais e financeiras em escala internacional. A expectativa é que o acordo gere um aumento substancial nas trocas comerciais, na atração de investimentos diretos e na diversificação das exportações e importações, impulsionando a competitividade e a inovação em diversos setores, desde o agronegócio e a indústria até serviços e tecnologia. A redução de barreiras tarifárias e não tarifárias deverá facilitar o acesso a novos mercados para empresas de ambos os lados, beneficiando consumidores com maior variedade de produtos e preços mais competitivos.

Vozes da diplomacia e a defesa do multilateralismo
A cerimônia de assinatura contou com a participação de importantes líderes e representantes diplomáticos, que sublinharam a relevância geopolítica e a mensagem global do acordo. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, representou o país na ocasião e destacou o caráter simbólico do pacto. Para Vieira, o acordo se ergue como um “baluarte” da democracia e da ordem multilateral, em contraponto a um cenário internacional caracterizado pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção. Ele enfatizou que a parceria é uma demonstração clara da crença na cooperação, no diálogo e na construção coletiva de soluções para os desafios globais. O ministro também repercutiu as palavras do presidente brasileiro, que classificou o acordo como uma prova da força do mundo democrático e um compromisso com a ordem multilateral, apostando na prosperidade compartilhada por meio do livre comércio baseado em regras.

Mensagens de cooperação e prosperidade compartilhada
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, cujo país ocupa a presidência temporária do Mercosul, descreveu o momento como um “dia verdadeiramente histórico”, aguardado com grande expectativa pelos povos das duas regiões. Peña ressaltou a importância da união entre a Europa e a América do Sul, destacando o papel fundamental do Brasil nas negociações. Ele saudou todos os líderes e visionários do Mercosul que persistiram na busca pela integração no século XXI. Complementando essa visão, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que o acordo estabelece a maior zona de comércio do planeta. Ela salientou que a iniciativa envia uma mensagem inequívoca ao mundo sobre a escolha do comércio em detrimento de tarifas, e de uma parceria duradoura e produtiva em vez do isolamento. Em sintonia, o presidente do Conselho Europeu, Antônio Costa, reiterou a mensagem de defesa do comércio livre, do multilateralismo e do direito internacional como pilares das relações entre países e regiões, posicionando o acordo como uma aposta na abertura e cooperação em face do unilateralismo e do uso do comércio como ferramenta geopolítica. Líderes da Bolívia, Argentina e Uruguai também prestigiaram a cerimônia, reforçando o consenso regional sobre a importância estratégica do acordo.

Próximos passos e expectativas
A concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, embora celebrado com otimismo, ainda depende de etapas cruciais para sua plena vigência. O texto final, agora assinado pelos representantes dos blocos, precisa passar por um processo de ratificação complexo e multifacetado. Primeiramente, ele deverá ser aprovado pelo Parlamento Europeu, onde debates sobre questões ambientais, trabalhistas e setoriais podem surgir, refletindo as diversas preocupações dos estados-membros da UE. Simultaneamente, nos países integrantes do Mercosul, o acordo necessitará da aprovação dos respectivos congressos nacionais. Este processo democrático é fundamental para garantir a legitimidade e o respaldo legislativo em cada nação, mas também pode apresentar desafios e atrasos devido a debates internos e interesses específicos de cada economia.

A expectativa do governo brasileiro é que a medida comece a vigorar no segundo semestre deste ano. A sua entrada em vigor trará consigo uma série de benefícios tangíveis, como a eliminação de tarifas para uma vasta gama de produtos agrícolas e industriais, o que tornará as exportações do Mercosul mais competitivas no mercado europeu e vice-versa. Além disso, o acordo prevê a harmonização de normas técnicas e sanitárias, facilitando o comércio e reduzindo a burocracia. Espera-se também um impulso significativo nos investimentos, com empresas europeias buscando expandir sua atuação no Mercosul e companhias sul-americanas encontrando novas oportunidades na Europa. O fortalecimento dos laços políticos e culturais é outro resultado antecipado, com a promoção de um diálogo mais constante e a cooperação em áreas como meio ambiente, pesquisa e desenvolvimento.

FAQ

1. O que significa o acordo entre Mercosul e União Europeia?
O acordo é um pacto comercial e de cooperação que visa integrar os mercados dos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, e Bolívia em processo de adesão) e os 27 estados-membros da União Europeia. Ele prevê a eliminação de tarifas, harmonização de normas e fomento a investimentos, criando a maior zona de livre comércio do mundo.

2. Qual o tamanho do mercado que este acordo cria?
A parceria forma um mercado combinado de aproximadamente 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões, representando um bloco econômico de enorme influência global.

3. Quais são os próximos passos para a efetivação do acordo?
Após a assinatura, o acordo precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país membro do Mercosul. Somente após essas aprovações ele poderá entrar plenamente em vigor, o que o governo brasileiro espera que ocorra no segundo semestre deste ano.

Para acompanhar todos os desdobramentos e impactos desta parceria transformadora, mantenha-se informado sobre as últimas notícias de comércio internacional e relações exteriores.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Relacionados