O peso da camisa já não basta

 O peso da camisa já não basta
Compatilhe essa matéria

Por Jairo Giovenardi – @jairogiovenardi

O sonho do hexacampeonato da Seleção Brasileira foi adiado para 2030. Com show de Erling Haaland, os comandados de Carlo Ancelotti perderam para a Noruega por 2 a 1 e se despediram da Copa do Mundo ainda nas oitavas de final.

Foi a sexta derrota consecutiva do Brasil para uma seleção europeia em confrontos de mata-mata de Copa do Mundo, sob o comando de cinco treinadores diferentes: França (2006, com Parreira), Holanda (2010, com Dunga), Alemanha (2014, com Felipão), Bélgica (2018, com Tite), Croácia (2022, também com Tite) e, agora, Noruega (2026, com Ancelotti).

Não bastou Alisson fazer uma grande Copa do Mundo, com defesas decisivas, inclusive diante da própria Noruega. Não bastaram a juventude e o talento de Endrick, que, mesmo com poucos minutos em campo durante o Mundial, teve uma grande oportunidade logo após entrar em campo contra os noruegueses. Não bastou Neymar voltar a ser convocado. O camisa 10, infelizmente, atuou pouco e encerrou mais uma Copa do Mundo sem conseguir levantar a tão sonhada taça.

Faltou Vini Júnior assumir a cobrança do pênalti no primeiro tempo. Faltou eficiência ao ataque, que parou em Orjan Nyland. Faltou ao Brasil um líder como Lionel Messi, capaz de transformar talento em confiança. Faltou um meio-campista com o controle de jogo de Martin Ødegaard, que acertou 93% dos passes da seleção norueguesa. E faltou à defesa impedir que Haaland decidisse o jogo. Contra um atacante desse nível, qualquer espaço costuma ser fatal.

Carlo Ancelotti terá tempo de sobra para conduzir um ciclo completo até a Copa do Mundo de 2030 e tentar repetir na Seleção Brasileira o sucesso que construiu nos maiores clubes do planeta. O treinador italiano já afirmou que pretende buscar novas ideias. Será necessário. O futebol mundial mudou, novas forças surgiram e a camisa amarela, por mais respeitada que seja, já não vence jogos sozinha. Para voltar ao topo, o Brasil precisará fazer muito mais do que confiar no peso da própria história.

Quem é o Jairo?

Jairo Giovenardi é jornalista. Foi assessor de imprensa do Palmeiras, do São Bernardo e do Basket Osasco, produtor do Bandsports, repórter dos jornais Lance e Folha Universitária e das rádios ABC e Trianon. Atualmente é CEO da JGCOM, empresa especializada em Comunicação.

Relacionados