Pirapora no centro de uma solução para o Tietê
Por Gregorio Maglio, prefeito de Pirapora do Bom Jesus e presidente do CIOESTE
Durante muitos anos, Pirapora do Bom Jesus conviveu com uma realidade que exige coragem, responsabilidade e planejamento para ser enfrentada. Somos uma cidade profundamente ligada ao Rio Tietê, mas também uma das que mais sentem os impactos da poluição acumulada ao longo da bacia do Alto Tietê.
O rio que chega até nós carrega muito mais do que água. Carrega décadas de ocupação desordenada, lançamento de poluentes, ausência de soluções integradas e decisões que, por muito tempo, trataram um problema regional como se fosse apenas local. A espuma, o mau cheiro, os resíduos e a degradação ambiental afetam a saúde, a dignidade, o turismo, a economia e a relação da nossa população com o território onde vive.
Como prefeito de Pirapora, sempre compreendi que nossa cidade não poderia continuar sendo apenas o retrato final de um problema que começa muito antes. Era preciso transformar indignação em articulação, diagnóstico em planejamento e cobrança em projeto. Foi com esse entendimento que buscamos o Governo Federal e apresentamos a necessidade de uma ação estruturante para enfrentar a poluição do Rio Tietê com base técnica, responsabilidade pública e visão de futuro.
A implantação de um projeto piloto voltado à bacia do Alto Tietê representa uma conquista histórica. Estruturado no âmbito do Novo PAC, o estudo fará uma avaliação integrada das fontes poluidoras e da qualidade da água, desde as nascentes até o ponto em que o rio deixa a Região Metropolitana de São Paulo e chega a Pirapora do Bom Jesus. É um passo importante para que o enfrentamento da poluição considere não apenas os efeitos, mas também as causas.
Essa conquista também demonstra a importância da cooperação entre governos, instituições e municípios. Como presidente do CIOESTE, tenho convicção de que nenhum desafio ambiental dessa dimensão será superado de forma isolada. O Tietê atravessa territórios, histórias, economias e responsabilidades. Por isso, o que se inicia em Pirapora tem significado para toda a região e pode se tornar referência para outras bacias hidrográficas do país.
Recebo esse avanço com gratidão e senso de responsabilidade. Gratidão ao Governo Federal, à ANA, aos ministérios envolvidos, às equipes técnicas e a todos que compreenderam a urgência dessa pauta. E responsabilidade porque sabemos que este é apenas o começo de um caminho que exige continuidade, planejamento e compromisso permanente.
Pirapora do Bom Jesus deixa de ser vista apenas como a cidade que sofre os impactos da poluição do Tietê e passa a ocupar um lugar de protagonismo na construção de soluções. O que nasce aqui pode servir de referência para outros trechos do rio, para outras bacias hidrográficas e para políticas públicas mais amplas de recuperação ambiental. Esse é o papel de uma gestão pública séria: reconhecer os problemas com honestidade, buscar apoio com maturidade e trabalhar para entregar respostas concretas à população.
Cuidar do Rio Tietê é cuidar da nossa história, do nosso presente e das próximas gerações. E Pirapora está pronta para liderar, junto com a região, essa nova etapa.