Crianças: suplementos proteicos geralmente são desnecessários, alertam especialistas

 Crianças: suplementos proteicos geralmente são desnecessários, alertam especialistas

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Uma tendência preocupante tem se solidificado no Brasil: o crescente consumo de suplementos proteicos, como whey protein e creatina, entre crianças e adolescentes. Inspirados por influenciadores digitais e pela busca por um ideal físico, muitos jovens adquirem esses produtos sem qualquer orientação profissional, muitas vezes sem o conhecimento dos pais. Este cenário levou a uma nota de alerta de pediatras, que sublinham as significativas implicações clínicas e nutricionais para a saúde dessa faixa etária. A mensagem é clara: para a maioria das crianças e jovens saudáveis, a necessidade de suplementos proteicos é rara, sendo a alimentação equilibrada a fonte ideal de todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento. O uso indiscriminado, sem acompanhamento, pode acarretar mais riscos do que benefícios.

O consumo desenfreado de suplementos e seus perigos para a saúde jovem

A popularização de suplementos como whey protein e creatina entre o público infantojuvenil não é apenas uma moda passageira, mas um fenômeno que acende um alerta vermelho na comunidade médica. Pediatras e nutricionistas apontam que, na vasta maioria dos casos, esses produtos são totalmente desnecessários para a dieta de crianças e adolescentes. Um corpo em desenvolvimento, quando saudável, obtém facilmente toda a proteína de que precisa através de uma alimentação cotidiana e balanceada, rica em nutrientes encontrados em itens básicos da mesa brasileira.

Desnecessidade nutricional e o risco da sobrecarga orgânica

A crença de que é preciso mais proteína do que a obtida na dieta regular é um dos maiores equívocos. Especialistas em nutrologia pediátrica enfatizam que as metas de ingestão de proteínas, estabelecidas por idade e fase de desenvolvimento, são facilmente alcançadas com alimentos comuns. Leite, ovos, carnes magras, queijos, iogurtes, e até mesmo fontes vegetais como o feijão, fornecem ampla quantidade de proteínas para sustentar o crescimento e as atividades diárias. Na verdade, é mais comum que a recomendação diária de proteína seja excedida do que não atingida, mesmo sem a adição de suplementos.

O uso de suplementos proteicos, sem uma indicação clínica específica e sem o devido acompanhamento profissional, pode trazer riscos concretos e alarmantes. A sobrecarga renal e hepática são preocupações primárias, dado que esses órgãos ainda estão em desenvolvimento e precisam processar um volume excessivo de substâncias. Desequilíbrios metabólicos também podem surgir, afetando o funcionamento do organismo de maneiras imprevisíveis. Além dos danos fisiológicos imediatos, o consumo indiscriminado fomenta uma relação disfuncional com a comida e com a imagem corporal. Jovens, influenciados pela busca incessante por um padrão estético, podem desenvolver transtornos alimentares e uma percepção distorcida de seus próprios corpos, priorizando a suplementação em detrimento de uma dieta saudável e variada.

A influência digital e a importância da orientação profissional

As redes sociais, embora ferramentas poderosas de conexão, infelizmente se tornaram um vetor significativo para a disseminação de desinformação no campo da saúde e nutrição. Conteúdos promovidos por influenciadores digitais frequentemente omitem a necessidade de uma avaliação médica ou nutricional, incentivando o consumo impulsivo de suplementos sem considerar as particularidades de cada indivíduo, especialmente de crianças e adolescentes. Essa falta de filtro e a idealização de corpos “perfeitos” contribuem para que jovens se sintam compelidos a experimentar produtos que veem sendo utilizados por seus ídolos virtuais.

O papel da família e do pediatra na decisão sobre suplementos

Diante desse cenário, a atuação dos pais e a orientação de profissionais de saúde tornam-se indispensáveis. Antes de qualquer decisão de suplementação, uma consulta com o pediatra é fundamental. O objetivo não é proibir o uso de suplementos de forma categórica, mas sim avaliar a real necessidade. Existem situações específicas onde um suplemento alimentar pode ser indicado, como no caso de adolescentes com prática esportiva intensa e de alto rendimento, ou para crianças que apresentam seletividade alimentar severa ou quadros de desnutrição diagnosticados. Nesses casos, a suplementação é uma ferramenta terapêutica e não um atalho para a performance ou estética.

A orientação nutricional, conduzida por um profissional qualificado, é igualmente crucial. Um nutricionista pode elaborar um plano alimentar personalizado que atenda às demandas energéticas e nutricionais do jovem, seja ele um atleta ou não, garantindo que o desenvolvimento ocorra de forma saudável e sustentável. Mesmo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabelecem regras específicas por faixa etária para o setor de suplementos, a avaliação individualizada e o acompanhamento médico e nutricional continuam sendo insubstituíveis. A mensagem para os pais é clara: a saúde e o bem-estar dos filhos devem ser prioridade, e a maioria dos nutrientes essenciais para um desenvolvimento saudável está no prato de comida, não no pote de suplemento.

Priorizando a saúde: alimentação equilibrada e orientação especializada

Em suma, a crescente popularidade dos suplementos proteicos entre crianças e adolescentes levanta sérias preocupações sobre sua segurança e necessidade. A maioria dos jovens não precisa desses produtos, pois uma dieta balanceada já fornece a proteína necessária para seu desenvolvimento. Os riscos de sobrecarga em órgãos vitais e a distorção da imagem corporal superam em muito os supostos benefícios, que, na ausência de indicação médica, são inexistentes. A consulta a um pediatra e um nutricionista é essencial para discernir necessidades reais e garantir que o crescimento e a saúde sejam promovidos da maneira mais segura e eficaz: através da comida.

Perguntas frequentes sobre suplementação em jovens

1. Por que a maioria das crianças e adolescentes não precisa de suplementos proteicos?
Crianças e adolescentes saudáveis conseguem suprir suas necessidades de proteína através de uma alimentação equilibrada, rica em fontes como leite, ovos, carnes, queijos, iogurtes e leguminosas (como o feijão). As metas de ingestão para o desenvolvimento adequado são facilmente atingidas com a dieta habitual, tornando a suplementação desnecessária e, muitas vezes, excessiva.

2. Quais são os riscos do uso indiscriminado de whey protein ou creatina em jovens?
O consumo sem orientação pode levar a sérios riscos, incluindo sobrecarga renal e hepática, desequilíbrios metabólicos e problemas a longo prazo, como uma relação disfuncional com a comida e a própria imagem corporal. A influência das redes sociais na promoção desses produtos sem o devido contexto profissional agrava a situação.

3. Quando a suplementação pode ser considerada para crianças ou adolescentes?
A suplementação é indicada apenas em casos muito específicos, sob estrita orientação médica e nutricional. Isso pode incluir adolescentes atletas de alto rendimento com necessidades energéticas e proteicas elevadas, crianças com seletividade alimentar severa que impede a ingestão adequada de nutrientes, ou em quadros diagnosticados de desnutrição. Fora dessas condições, o ideal é focar na alimentação natural.

Para garantir o desenvolvimento saudável e seguro de seus filhos, consulte sempre um profissional de saúde antes de considerar qualquer tipo de suplementação alimentar. Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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