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Luciano Calazans: músico é artista ao lado de grandes nomes da música
© luciano_calazans/Instagram
Desde os anos 1990, Luciano Calazans tem esculpido uma carreira notável no cenário musical brasileiro. Nascido em Salvador em 1974, este talentoso baixista, pesquisador e arranjador se destacou não apenas por sua versatilidade e presença em grandes projetos, mas também por sua veemente defesa do papel do músico como um artista pleno. Calazans, que já acompanhou ícones como Gilberto Gil, Ivete Sangalo e Daniela Mercury, defende que o talento e a dedicação dos instrumentistas merecem o mesmo reconhecimento que as estrelas do palco. Sua trajetória, marcada por um ecletismo musical desde os bailes que o formaram, culminou em colaborações duradouras e momentos memoráveis, sempre com a convicção de que cada nota tocada é uma expressão artística em si.
A formação eclética e a ascensão no cenário musical
Nascido em Salvador em 1974, Luciano Calazans iniciou sua jornada musical nos anos 1990, estabelecendo-se como uma figura proeminente no cenário brasileiro. Além de sua maestria como contrabaixista, Calazans dedicou-se à pesquisa e arranjos, contribuindo significativamente para diversos projetos. Sua passagem por bandas e colaborações com artistas do calibre de Gilberto Gil, Ivete Sangalo e Daniela Mercury solidificou sua reputação de versatilidade e profissionalismo.
A busca pelo ecletismo sempre foi uma bússola em sua carreira. Calazans recorda que sua formação musical ocorreu nos bailes, um verdadeiro caldeirão de gêneros onde a adaptabilidade era essencial. “Minha escola na música foi o baile”, afirma. “Tinha que tocar de sertanejo, como Chitãozinho e Chororó e Leandro e Leonardo, passando por clássicos como Frank Sinatra e Tony Bennett, até a Jovem Guarda.” Essa amplitude de repertório não apenas lapidou sua técnica e repertório, mas também ampliou sua compreensão da música em suas diversas manifestações, preparando-o para os desafios de um mercado musical dinâmico e exigente.
No auge da Axé Music, gênero que dominou as paradas brasileiras, Calazans ganhou ainda mais projeção, integrando projetos que o colocaram no centro da efervescência cultural da Bahia. Sua primeira experiência formal acompanhando um artista em estúdio foi com Sarajane, um momento que descreve como extasiante e revelador da intensidade da vida de músico de estúdio. “Eu gravava às vezes 15 álbuns por mês”, revela, demonstrando a produtividade de sua atividade profissional na época. “Sarajane foi um dos álbuns que gravei, e ser chamado para tocar com ela foi uma lembrança pungente.” Antes disso, ele já havia integrado a Banda Reflexu’s, enriquecendo ainda mais seu portfólio de experiências e sua capacidade de transitar por diferentes estilos.
O músico como artista: uma filosofia de reconhecimento
Atualmente, Luciano Calazans integra a banda de Margareth Menezes como contrabaixista, uma parceria que já dura mais de duas décadas e que tem sido palco de inúmeras performances memoráveis. No entanto, sua visão sobre o papel do músico vai além do simples acompanhamento, defendendo apaixonadamente que os instrumentistas de grandes estrelas merecem pleno reconhecimento como artistas. Esta é uma tese central em sua perspectiva sobre a indústria musical brasileira.
“A gente tem que parar com esse olhar, que é bem específico aqui do Brasil e do Nordeste, onde a pessoa que está cantando, a estrela no caso, é o artista, e o músico é o acompanhante”, argumenta Calazans com convicção. “Não! O músico é artista! O músico é um artista que está acompanhando outro.” Essa perspectiva desafia a hierarquia frequentemente imposta no cenário musical, onde o vocalista ou frontman é o único a ser percebido como “artista”, relegando os instrumentistas a um papel secundário, apesar de sua contribuição fundamental para a sonoridade e a performance.
Para Calazans, acompanhar uma estrela do carnaval ou uma figura proeminente é, de certa forma, um trabalho que se torna seu também, devido ao envolvimento e à dedicação exigidos. “Porque você está vestindo aquela camisa”, ele explica, enfatizando a entrega pessoal e a imersão no projeto artístico. “Quem vive da arte, quem vive da música, eu posso me arriscar tranquilamente a dizer que ninguém está pensando em trabalho na hora que está em um palco ou em um trio.” Segundo ele, o que move esses profissionais é a paixão e o amor pelo momento da criação e da performance. “Eu acho que todos estão pensando ali no momento e todos estão amando. Pelo menos eu estou falando por mim, né?” Sua fala ressalta que a performance musical é uma expressão coletiva de arte, onde cada membro da banda contribui com sua própria sensibilidade, técnica e talento, moldando o resultado final da obra.
Superando desafios: a anedota da viagem à Europa
Ao longo de sua vasta carreira, especialmente durante os mais de 20 anos de parceria com Margareth Menezes, Calazans e a equipe enfrentaram situações inusitadas, algumas das quais exigiram driblar o preconceito e a xenofobia. Uma dessas histórias, que hoje é contada com bom humor, ocorreu durante uma viagem à Europa para uma gravação de grande importância.
Calazans recorda de um episódio marcante quando estavam a caminho de Paris para gravar com o renomado maestro Aldo Brizzi. A viagem de trem, partindo da Alemanha, tomou um rumo inesperado e desagradável devido ao comportamento de outros passageiros. “Dois caras ficaram rindo o tempo todo, rindo, rindo o tempo todo. Nós sabíamos que eles estavam rindo da gente”, ele narra. Em resposta ao comportamento inadequado, Calazans e seus companheiros de banda decidiram rir de volta, criando uma dinâmica peculiar e tensa na cabine do trem.
A situação escalou quando os rapazes se aproximaram e exigiram: “Passaporte, please.” Calazans, demonstrando perspicácia e calma diante da situação, questionou a autoridade deles. “Você é policial? Qual é a sua autoridade?” Quando o trem finalmente parou em uma estação, os indivíduos, visivelmente incomodados pela recusa em ceder à sua intimidação, desceram para conversar com um policial, como se a banda de Margareth Menezes tivesse cometido alguma infração. No entanto, antes que qualquer ação pudesse ser tomada, as portas do trem se fecharam, deixando os agressores para trás. “Eles ficaram lá na estação e a gente foi embora”, lembra Calazans com um sorriso. “A gente saiu dando risada pra caramba, porque eles desceram do trem pra falar com o policial como se estivéssemos fazendo algo errado.” A banda seguiu viagem em paz, e a gravação em Paris foi, segundo ele, “maravilhosa”, transformando um incidente desagradável em uma anedota de resiliência e bom humor que sublinha a capacidade de superação diante de situações adversas.
O legado e a visão de um músico completo
A trajetória de Luciano Calazans é um testemunho da paixão e dedicação à música. Sua formação nos palcos de baile, sua colaboração com alguns dos maiores nomes da música brasileira e sua defesa incansável do status do músico como artista completo, o solidificam como uma voz importante no cenário cultural. Através de sua arte e de suas convicções, Calazans não apenas contribui para a riqueza musical do país, mas também inspira uma reflexão sobre o valor e o reconhecimento de todos aqueles que, com seus instrumentos, dão vida às canções e espetáculos, reafirmando que a música é uma linguagem universal que prospera na colaboração e no respeito mútuo. Sua carreira multifacetada demonstra que a paixão pela arte pode coexistir com o profissionalismo, culminando em um legado de excelência e inspiração.
Perguntas frequentes
Qual a importância dos bailes na formação musical de Luciano Calazans?
Os bailes foram a principal “escola” de Luciano Calazans, onde ele desenvolveu sua versatilidade ao tocar uma vasta gama de gêneros, desde sertanejo e Jovem Guarda até clássicos internacionais, preparando-o para o ecletismo que marcaria sua carreira profissional.
Qual a principal tese de Luciano Calazans sobre o papel do músico?
Calazans defende que o músico é, de fato, um artista, e não apenas um acompanhante. Ele argumenta que o olhar que hierarquiza o vocalista como a estrela e o instrumentista como mero suporte é um preconceito que precisa ser superado, pois todos no palco compartilham da arte e da paixão.
Como foi a experiência de Luciano Calazans com a xenofobia na Europa?
Durante uma viagem de trem na Alemanha com Margareth Menezes, Calazans e a equipe foram alvo de risos e abordagens questionáveis por parte de dois indivíduos. Com calma, Calazans questionou a autoridade deles, e o incidente culminou com os agressores ficando para trás na estação, enquanto a banda seguiu viagem para uma gravação bem-sucedida em Paris.
Acompanhe a carreira de Luciano Calazans e descubra mais sobre a visão de um músico que eleva o papel do artista em cada nota.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br