Chefão do tráfico internacional que simulou morte é detido em SP

 Chefão do tráfico internacional que simulou morte é detido em SP

G1

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A Polícia Civil de Campinas, em uma operação conjunta de grande relevância, prendeu Adriano Pereira Cosmo, de 44 anos, conhecido como “Puff”, apontado como um dos principais chefes de uma sofisticada organização criminosa com ramificações internacionais. Sua captura ocorreu na terça-feira (23), em Paranapanema (SP), onde ele pretendia passar as festividades de fim de ano escondido. Puff era um alvo prioritário das autoridades, estando foragido desde 2023 e com mandados de prisão preventiva expedidos em Minas Gerais e no Paraná. A prisão representa um golpe significativo contra o tráfico internacional de drogas, desmantelando parte de uma rede que atuava em diversos estados brasileiros e mantinha conexões com países como Colômbia, Bolívia e Paraguai.

A captura do chefe e a Operação Nômade

A detenção de Adriano Pereira Cosmo, o “Puff”, em Paranapanema (SP), foi o resultado de um minucioso trabalho de inteligência e investigação conduzido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas, em colaboração com a Polícia Civil de Sergipe. O traficante, que era procurado pelas autoridades há mais de um ano, escolheu o interior de São Paulo como refúgio para as festas de Natal e Ano Novo, na tentativa de permanecer oculto. No entanto, o cerco policial se fechou, culminando em sua prisão no dia 23 de dezembro.

Puff era um dos alvos centrais da “Operação Nômade”, deflagrada em 2022 pela Polícia Civil de Minas Gerais. Essa operação visava desarticular completamente a complexa quadrilha que ele chefiava, mas na ocasião, Puff conseguiu escapar, mantendo-se foragido desde então. As investigações que levaram à “Operação Nômade” tiveram início no final de 2021, a partir de uma série de grandes apreensões de drogas realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em diferentes estados brasileiros, revelando a extensão e a capacidade logística da organização criminosa liderada por Puff.

As grandiosas apreensões que revelaram a rede

A envergadura da rede de tráfico de Puff começou a ser desvendada a partir de apreensões significativas que demonstraram a capacidade de movimentação de grandes volumes de entorpecentes por parte da organização. Em outubro de 2021, em Umbaúba (SE), a PRF interceptou uma carga impressionante: 1,3 tonelada de maconha, 40 quilos de cloridrato de cocaína e uma pistola, um sinal claro da sofisticação e do poder de fogo do grupo. Apenas um mês depois, em novembro de 2021, na Grande Belo Horizonte, em Sarzedo (MG), um caminhão com placa do Paraná foi parado transportando 428 kg de cloridrato de cocaína, astutamente misturados a uma carga lícita de polietileno destinada a uma indústria química, evidenciando o engenhoso modus operandi da quadrilha.

O ano de 2022 trouxe novas e vultosas apreensões que reforçaram as evidências contra a organização. Em setembro daquele ano, em São José de Mipibu (RN), a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 1,2 tonelada de cloridrato de cocaína, consolidando a percepção da ampla atuação da rede criminosa em diversas regiões do país. Pouco depois, em outubro de 2022, na cidade de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, mais uma apreensão maciça de 1,1 tonelada de cocaína foi realizada. Essas operações conjuntas foram cruciais para mapear a atuação de Puff e sua quadrilha, resultando na emissão de mandados de prisão preventiva contra ele em Minas Gerais e no Paraná pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

O modus operandi peculiar e a tentativa de enganar a justiça

A organização criminosa liderada por Adriano Pereira Cosmo, o “Puff”, operava com um modus operandi peculiar e extremamente astuto para o transporte de entorpecentes em larga escala, conforme detalhado pela Polícia Civil. Segundo o delegado Thiago Machado, chefe da Divisão Especializada de Combate ao Narcotráfico de Minas Gerais, o grupo recrutava motoristas que eram pessoas lícitas, com empregos e vidas normais. A oferta era tentadora: “Nós vamos comprar um caminhão para você, vamos te dar, você vai pagar uma parte, e a gente faz o parcelamento”, explicou o delegado em 2022.

Essa estratégia criava um laço de dívida e dependência. Ao aceitar a proposta, o caminhoneiro passava a dever à organização, que então exercia controle sobre suas atividades. O grupo criminoso ditava quais cargas lícitas poderiam ser transportadas e para onde deveriam ir, utilizando essas cargas como disfarce para ocultar as mercadorias ilícitas, ou seja, as drogas. Os motoristas eram forçados a “pagar” o restante do caminhão com essas viagens controladas, transformando-os em peças-chave involuntárias na complexa engrenagem do tráfico internacional.

Além da sofisticação em sua logística de tráfico, Puff demonstrou um nível surpreendente de astúcia e desespero para escapar da justiça. A Polícia Civil revelou que, em uma tentativa audaciosa de fugir dos processos criminais, o traficante utilizava documentos falsos em nome de um irmão. O auge dessa estratégia foi a simulação da própria morte: Puff chegou a forjar uma certidão de óbito, acreditando que isso o livraria de suas responsabilidades legais. Durante o momento de sua prisão em Paranapanema, os policiais apreenderam diversos telefones celulares e dois veículos, que serão analisados para auxiliar nas investigações sobre a extensão e os membros restantes da rede criminosa. Por razões de segurança, a Polícia Civil optou por não divulgar o local exato onde Adriano Pereira Cosmo será mantido detido antes de sua transferência para o estado de Sergipe, onde deve responder por parte de seus crimes.

Encerramento das atividades de um líder do tráfico

A prisão de Adriano Pereira Cosmo, conhecido como “Puff”, representa um avanço significativo na luta contra o tráfico de drogas internacional e a criminalidade organizada no Brasil. Sua captura não apenas retira de circulação um dos chefes de uma complexa rede que se estendia por múltiplos estados e países, mas também desmantela um modus operandi engenhoso que explorava indivíduos para fins ilícitos. A persistência e a coordenação entre as forças policiais de diferentes estados foram fundamentais para localizar e prender um criminoso que, com sua audácia, tentou até mesmo forjar a própria morte para escapar da justiça. Este sucesso policial reforça o compromisso das autoridades em combater o crime organizado, garantindo que a impunidade não prevaleça diante da sofisticação e da violência do tráfico de entorpecentes.

FAQ

Quem é Adriano Pereira Cosmo, o “Puff”?
Adriano Pereira Cosmo, conhecido como “Puff”, é apontado pela Polícia Civil como um dos chefes de uma organização criminosa de tráfico internacional de drogas, com atuação em diversos estados brasileiros e conexões na Colômbia, Bolívia e Paraguai.

Como funcionava o modus operandi da organização criminosa de Puff?
A quadrilha de Puff recrutava motoristas lícitos, oferecendo a compra de caminhões. Ao aceitar, os motoristas ficavam endividados e sob controle do grupo, que os forçava a transportar cargas lícitas misturadas com drogas para ocultar o tráfico.

Onde e quando Adriano Pereira Cosmo foi preso?
Puff foi preso na terça-feira, 23 de dezembro, em Paranapanema (SP), por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas, em uma operação conjunta com a Polícia Civil de Sergipe.

Por que Puff tentou forjar a própria morte?
Adriano Pereira Cosmo tentou forjar sua própria morte, utilizando documentos de um irmão e uma certidão de óbito falsificada, com o objetivo de escapar dos processos criminais e se livrar das investigações das autoridades.

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Fonte: https://g1.globo.com

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