Rodovias Paulistas: Estruturas de Travessia de Fauna Promovem Segurança Viária e Conservação da Biodiversidade

 Rodovias Paulistas: Estruturas de Travessia de Fauna Promovem Segurança Viária e Conservação da Biodiversidade

Luiz Guglielmi / CNL

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A presença de animais silvestres cruzando as rodovias paulistas concedidas é um cenário que, embora por vezes fascinante, representa um desafio significativo tanto para a segurança dos motoristas quanto para a preservação da fauna. Diante de capivaras, tatus, cotias, onças e até lobos-guarás, muitos condutores questionam como proceder, refletindo a necessidade premente de soluções eficazes para mitigar os riscos de acidentes e atropelamentos.

Nesse contexto, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) desempenha um papel fundamental. A agência monitora o cumprimento das obrigações ambientais das concessionárias, assegurando a implementação de medidas que protejam a biodiversidade local e aprimorem a segurança viária em toda a malha rodoviária sob concessão.

A Importância Vital das Travessias de Fauna

A construção de passagens de fauna representa uma das mais eficazes estratégias ambientais adotadas nas rodovias. Essas estruturas são projetadas para permitir que animais de diversos portes atravessem as estradas de forma segura, reduzindo drasticamente o risco de atropelamentos e, consequentemente, de acidentes com veículos. Mais do que isso, elas funcionam como corredores ecológicos, conectando fragmentos de habitat natural que, de outra forma, seriam isolados pela infraestrutura rodoviária. Isso é crucial para a manutenção da diversidade genética das populações e para a viabilidade de ecossistemas inteiros.

O uso dessas passagens pelos animais é mais frequente em horários específicos, como no início da manhã ou durante a noite, períodos em que muitas espécies estão ativas em busca de água e alimentos. A localização estratégica dessas travessias é determinada por estudos de comportamento animal e mapeamento de áreas de alta ocorrência de fauna.

Tipos de Estruturas e o Panorama Atual em São Paulo

São Paulo possui uma infraestrutura crescente dedicada à proteção da fauna. Um levantamento da Artesp, realizado em 2015, já apontava para 415 estruturas de travessia em funcionamento nas rodovias concedidas, com a previsão de implantação de outras 121 novas passagens. Essas estruturas se dividem principalmente em dois tipos: subterrâneas e aéreas.

A maioria é composta por passagens subterrâneas, que possibilitam o trânsito seguro de animais sob a rodovia. Muitas delas são adaptações de bueiros, galerias de drenagem e pontes existentes, otimizando recursos e aproveitando a infraestrutura já presente. Para espécies que se deslocam pelas copas das árvores, como primatas e aves, as passagens aéreas são a solução. Elas incluem pontes suspensas que ligam o dossel das florestas e viadutos vegetados, garantindo a continuidade do habitat arbóreo sobre a pista.

Inovações e Expansão da Rede de Proteção

A instalação de passagens de fauna tem sido implementada em pontos críticos de 29 rodovias paulistas. Entre os exemplos de destaque, a Rodovia dos Tamoios conta com 17 passagens operacionais, das quais 14 são subterrâneas e três aéreas. Dentre estas últimas, incluem-se duas voltadas especificamente para primatas e um viaduto vegetado, reconhecido pela Artesp como o primeiro de seu tipo no estado. No Rodoanel Norte, a Via SP Serra já instalou cinco passagens inferiores do tipo galeria e planeja outras 15 passagens aéreas nos trechos adjacentes.

A região de Ribeirão Preto abriga a primeira passagem aérea de fauna suspensa na Rodovia Antônio Machado Sant’Anna (SP-255). A concessionária Arteris ViaPaulista já implantou 40 passagens em sua concessão, com mais 52 previstas. A SPVias, por sua vez, mantém 29 estruturas distribuídas pelas cinco rodovias sob sua administração. Outras concessionárias, como Eixo SP e Entrevias, também estão expandindo significativamente suas infraestruturas de proteção à fauna, com a adição de dezenas de novas travessias, predominantemente subterrâneas, que incluem adaptações de estruturas existentes e a construção de passagens exclusivas.

Novas Concessões e o Compromisso com a Fauna

O compromisso com a proteção da fauna é uma exigência cada vez mais presente nos novos contratos de concessão rodoviária. Os projetos da Nova Raposo e da Rota Sorocabana, por exemplo, preveem a implantação conjunta de 50 passagens, com um investimento estimado em R$ 16,9 milhões. A Nova Raposo receberá 22 estruturas (11 aéreas e 11 subterrâneas), com um aporte de R$ 7,4 milhões, enquanto a Rota Sorocabana terá 28 passagens, representando um investimento de R$ 9,5 milhões. Essas concessionárias serão responsáveis por realizar estudos anuais para identificar trechos com maior risco de atropelamento, encaminhando os resultados à Artesp e à Cetesb para análise e planejamento.

Estratégias Complementares e Monitoramento Contínuo

Além das passagens físicas, um conjunto de medidas de mitigação é empregado para garantir a segurança viária e a proteção animal. Isso inclui a instalação de cercas de direcionamento que guiam os animais para as travessias seguras, sinalização de advertência em áreas de maior risco, redução da velocidade em zonas próximas a habitats naturais, campanhas educativas para conscientizar os motoristas e um rigoroso monitoramento da movimentação dos animais. Esse trabalho contínuo de fiscalização, realizado pelas concessionárias, é essencial para identificar a presença de animais na pista e atuar preventivamente, reforçando a segurança e prevenindo acidentes.

Conclusão: Um Futuro de Coexistência Segura

O expressivo investimento e a expansão da infraestrutura de passagens de fauna nas rodovias paulistas concedidas demonstram um compromisso crescente com a coexistência harmônica entre o desenvolvimento da malha viária e a conservação da biodiversidade. Essa abordagem integrada, que combina soluções de engenharia, monitoramento ambiental e educação, não apenas protege a vida selvagem, mas também eleva a segurança para todos os usuários das estradas. São Paulo se posiciona, assim, como um modelo na busca por um futuro onde o progresso da infraestrutura se alinhe de forma responsável com a proteção do meio ambiente natural.

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br

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