São Paulo: Um Porto Seguro para Migrantes e Refugiados em Busca de Recomeço Digno
São Paulo: Um Porto Seguro para Migrantes e Refugiados em Busca de Recomeço Digno
Os acolhidos também recebem orientação profissional e jurídica. Foto: Luiz Vicente Pereira/SEDS
A busca por um novo lar e a construção de uma vida em um país estrangeiro podem ser jornadas desafiadoras, especialmente quando marcadas pela vulnerabilidade social. Fatores como a barreira do idioma, a ausência de documentação adequada e a dificuldade de regularização tornam o recomeço ainda mais complexo para migrantes, refugiados e vítimas de tráfico de pessoas. Consciente dessa realidade, o Governo de São Paulo, através da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado (SEDS), implementou os Serviços de Acolhimento Institucional na modalidade Casa de Passagem, oferecendo um suporte integral para aqueles que chegam ao estado em situação de risco.
O objetivo primordial dessas unidades é prover acolhimento completo, garantindo a proteção de indivíduos em necessidade, restabelecendo sua autonomia e facilitando sua integração à comunidade. A iniciativa visa assegurar que cada pessoa, independentemente de sua origem, encontre em São Paulo não apenas um teto, mas um ponto de partida para reconstruir sua vida com dignidade. Conforme a secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém, “Nosso compromisso é garantir que qualquer pessoa que chegue a São Paulo em situação de extrema vulnerabilidade encontre não apenas um teto, mas um ponto de recomeço com dignidade. Nas Casas de Passagem, oferecemos uma acolhida integral para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas, recuperar sua autonomia e se sentir verdadeiramente pertencentes e protegidos pela nossa sociedade”.
Estrutura e Atendimento Multidisciplinar nas Casas de Passagem
Para efetivar esse compromisso, as Casas de Passagem Terra Nova II e Terra Nova III, estrategicamente localizadas em Guarulhos e Cotia, respectivamente, operam 24 horas por dia, dispondo de uma capacidade conjunta para acolher até 200 pessoas. A abordagem é integral e multidisciplinar, contando com equipes de profissionais de diversas áreas para atender às múltiplas necessidades dos acolhidos.
Os serviços oferecidos vão muito além do abrigo. Incluem atendimento social, psicológico e jurídico especializado, bem como a promoção de atividades de fortalecimento de vínculos, pedagógicas e culturais. Para auxiliar na inserção social e profissional, os usuários recebem orientação específica, são matriculados em cursos de língua portuguesa, obtêm auxílio para inclusão produtiva e são encaminhados para a rede de políticas públicas essenciais, visando o fortalecimento de seus direitos e a plena cidadania.
A Jornada da Integração: Do Acolhimento à Autonomia Plena
A permanência nas Casas de Passagem tem duração média de 90 dias, período que pode ser prorrogado mediante avaliação técnica, permitindo que cada indivíduo tenha o tempo necessário para se reestruturar. Os encaminhamentos para o serviço provêm majoritariamente do Posto Avançado de Atendimento Humanizado do Município de Guarulhos e de agências internacionais da ONU dedicadas a refugiados e migrantes, como ACNUR e OIM, além da Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania e da rede socioassistencial municipal.
Desde 2023, mais de 6,4 mil pessoas já foram beneficiadas por esse serviço vital, evidenciando a escala e a relevância do programa. O investimento do Governo de São Paulo na implantação e custeio das unidades durante esse período alcançou R$ 34,9 milhões. A rede de apoio é resultado de uma parceria robusta com órgãos internacionais e municípios, transformando momentos de incerteza em trajetórias de integração e novas perspectivas para milhares de pessoas, como ressalta a secretária Andrezza Rosalém.
Histórias de Resiliência e Novos Horizontes
A diversidade dos acolhidos reflete os fluxos migratórios globais, com as nacionalidades mais frequentemente identificadas no atendimento sendo venezuelana, boliviana, afegã, nigeriana e marroquina. Cada indivíduo traz consigo uma história única de superação, e as Casas de Passagem se tornam um capítulo essencial em suas narrativas de recomeço.
Um exemplo inspirador é o casal Mohamed e Sarah. Fugindo da violência de gênero e da ausência de direitos em seu país de origem, eles encontraram na Terra Nova III, em Cotia, o suporte para se reintegrar. Seus dois filhos, de 9 e 3 anos, já estão matriculados na escola, enquanto Mohamed, um engenheiro por formação, trabalha como repositor em um supermercado. A coordenadora da Terra Nova III, Andréia Vasconcelos, enfatiza o apoio emocional fundamental: “Nosso papel aqui também é dar apoio emocional para que eles não desistam. Mohamed fica um pouco frustrado de ter que trabalhar fora da área de formação. Mas procuramos fazer com que ele não desista, tente fazer a equivalência de diplomas e quem sabe conseguir exercer a profissão aqui”.
Desde sua implantação em abril de 2024, a Terra Nova III já assistiu cerca de 50 famílias na inserção no mercado de trabalho, e dez delas concluíram com sucesso o processo de integração social, deixando a unidade para seguir seus caminhos.
Abrangência e Perspectivas Futuras
É importante notar que o programa das Casas de Passagem não se restringe apenas a estrangeiros; pessoas brasileiras em situações de vulnerabilidade que demandam proteção também são acolhidas, conforme o perfil e as necessidades apresentadas. Além disso, a capital paulista complementa essa rede de apoio com a disponibilização de outras 80 vagas na modalidade de República, voltadas especificamente para o atendimento de migrantes e refugiados, ampliando ainda mais as opções de acolhimento.
A iniciativa do Governo de São Paulo demonstra um compromisso firme com a dignidade humana e a construção de uma sociedade mais inclusiva. Ao oferecer não apenas abrigo, mas ferramentas para a autonomia e a reinserção social, as Casas de Passagem se consolidam como um pilar fundamental na jornada de recomeço de milhares de pessoas, transformando vulnerabilidade em esperança e novas oportunidades para todos que buscam um futuro em solo paulista.
Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br