Relação de confiança abalada em golpe milionário envolvendo banco digital

 Relação de confiança abalada em golpe milionário envolvendo banco digital

G1

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Em Ribeirão Preto, São Paulo, um caso de suposto golpe milionário envolvendo um banco digital e seu CEO, Eduardo Scatambulo Ribeiro, vem à tona, revelando a complexidade de transações financeiras pautadas em laços de amizade e confiança. Clientes que haviam investido grandes somas no Tresory Bank, atraídos pela promessa de rendimentos de 2% ao mês, agora buscam a polícia, alegando terem perdido centenas de milhares de reais. O empresário é alvo de um inquérito por estelionato, com vítimas que descrevem uma relação de proximidade tão intensa que o CEO era considerado “de dentro de casa”, visitando residências e compartilhando momentos pessoais. A quebra dessa confiança, somada à interrupção na comunicação e à impossibilidade de resgate dos valores aplicados, gerou um cenário de profunda frustração e perdas financeiras significativas, levantando sérias questões sobre a segurança dos investimentos e a ética nos negócios digitais.

A teia de confiança: do convívio à quebra

A estratégia do empresário Eduardo Scatambulo Ribeiro, sócio e CEO do Tresory Bank, parecia basear-se na construção de laços profundos e pessoais com seus clientes. As vítimas que procuraram as autoridades para denunciar o suposto golpe em Ribeirão Preto descrevem uma relação que ia muito além da esfera profissional, permeada por uma intimidade que tornava o investimento no banco digital uma extensão de uma parceria de vida. Essa proximidade, para muitos, foi o fator decisivo para confiar grandes somas de dinheiro a Scatambulo e ao Tresory Bank.

Laços pessoais e promessas de altos rendimentos

Um dos relatos mais contundentes é o de João Luiz Simonacci, proprietário de um restaurante, que alega ter perdido R$ 530 mil. Simonacci descreve Scatambulo como alguém da família: “Uma pessoa que é de dentro de casa, te chama de tio. Eu perdi um filho de 19 anos e ele foi um braço do meu outro filho, vivia dentro de casa”. Essa confiança extrema foi cultivada ao longo de anos, com Scatambulo frequentando o restaurante de Simonacci e até mesmo passando férias com a família em locais como Ilhabela. A promessa era de rendimentos atrativos de 2% ao mês sobre as aplicações, um percentual que seduzia investidores em busca de retornos acima da média de mercado.

Contudo, após as aplicações de grandes valores no Tresory Bank, a dinâmica mudou drasticamente. As vítimas relatam que, diante das sucessivas cobranças para resgate dos investimentos e dos lucros prometidos, Eduardo Scatambulo Ribeiro teria cortado a comunicação, tornando-se inacessível. Essa súbita interrupção, após um período de convivência e garantias, foi o estopim para que as denúncias começassem a surgir, transformando a confiança em desilusão e a amizade em suspeita de estelionato. A dificuldade em reaver o capital investido obrigou João Luiz Simonacci a recorrer a um empréstimo de R$ 450 mil para honrar compromissos financeiros que contavam com os recursos que deveriam ter sido resgatados do banco digital, agravando ainda mais sua situação.

Acusações de estelionato e a história do Tresory Bank

O empresário Eduardo Scatambulo Ribeiro, sócio do Tresory Bank, está atualmente sob investigação policial por estelionato, após diversas denúncias apresentadas por clientes que se sentem lesados. O padrão das queixas é semelhante: grandes investimentos no banco digital com promessas de alta rentabilidade, seguido por dificuldades no resgate e, finalmente, a interrupção da comunicação por parte do CEO. A relevância do caso se intensifica pela natureza pessoal dos relacionamentos envolvidos, o que amplifica o sentimento de traição por parte das vítimas.

O relato do amigo de infância e o investimento em CDB

Entre os denunciantes está Nicolas Simonacci, um bancário que se considera amigo de infância de Scatambulo. A relação de amizade entre os dois era tão sólida que Nicolas afirma ter “confiado nele de olho fechado”. Ele e sua esposa, Mariana Santini, investiram aproximadamente R$ 500 mil no Tresory Bank. Inicialmente, por alguns meses, houve um retorno dos investimentos, ainda que com alguns atrasos. No entanto, a situação mudou quando o casal solicitou o resgate de R$ 10 mil de um total de R$ 100 mil aplicados em um Certificado de Depósito Bancário (CDB) com liquidez diária.

O Certificado de Depósito Bancário é um investimento de renda fixa geralmente considerado de baixo risco e, em muitos casos, com liquidez diária, o que significa que permite o saque de valores no mesmo dia da solicitação. A incapacidade de resgatar uma quantia relativamente pequena de um CDB com liquidez diária foi um sinal de alerta crucial para Nicolas e Mariana. As justificativas do empresário se tornaram cada vez mais evasivas. “Cara, você é meu irmão, você é minha família, nunca colocaria em risco o dinheiro”, teria dito Scatambulo, reforçando os laços emocionais para justificar os atrasos. A dificuldade de Nicolas em acreditar na índole do amigo de longa data é palpável, refletindo o choque da traição.

Essa relação de amizade de Nicolas se estendeu a toda a família Simonacci, o que explica a confiança do seu pai, João Luiz Simonacci, em aportar os R$ 530 mil no Tresory Bank no final de 2023. O resgate desse valor, previsto para novembro do ano seguinte, nunca se concretizou, forçando João Luiz a buscar alternativas financeiras urgentes. A quebra da confiança, segundo João Luiz, é o que mais dói, dada a intimidade e o convívio que mantinham.

O empresário Eduardo Scatambulo Ribeiro sob investigação

As denúncias contra Eduardo Scatambulo Ribeiro e o Tresory Bank desencadearam um inquérito policial que busca apurar as responsabilidades pelo suposto esquema de estelionato. A gravidade das acusações reside não apenas nos valores financeiros envolvidos, que somam milhões de reais, mas também na forma como a confiança e os laços pessoais foram supostamente manipulados para atrair e reter os investimentos.

Desdobramentos e busca por respostas

Diante da repercussão do caso, o empresário foi procurado para se manifestar. Por meio de mensagem, ele solicitou que as questões fossem direcionadas ao seu advogado. No entanto, até o momento, a defesa não apresentou um posicionamento público sobre as acusações. A ausência de esclarecimentos por parte do empresário ou de sua equipe jurídica aumenta a incerteza e a angústia das vítimas, que aguardam por respostas e pela recuperação de seus bens. O inquérito policial segue em andamento, reunindo depoimentos, documentos e evidências para determinar a extensão do golpe e identificar todos os envolvidos. A expectativa é que as investigações possam trazer luz aos fatos e assegurar a responsabilização dos culpados, bem como a reparação dos prejuízos sofridos pelos investidores.

As consequências de uma confiança traída

O caso envolvendo Eduardo Scatambulo Ribeiro e o Tresory Bank em Ribeirão Preto exemplifica o devastador impacto que a quebra de confiança pode ter, tanto no âmbito financeiro quanto pessoal. O suposto golpe milionário não representa apenas a perda de somas significativas de dinheiro, mas também a desintegração de laços de amizade e a sensação de traição por parte de indivíduos que confiavam plenamente no empresário. A investigação em curso é crucial para desvendar a verdade por trás das promessas de altos rendimentos e da subsequente interrupção de comunicação. Este episódio serve como um alerta contundente para a importância da diligência na verificação de investimentos, mesmo quando propostos por pessoas com quem se mantém uma estreita relação. As vítimas agora buscam justiça e a esperança de reaver o que foi perdido, enquanto o desdobramento das apurações policiais determinará o futuro do empresário e as consequências de suas ações.

Perguntas frequentes sobre o caso

Quem é o empresário investigado neste caso?
O empresário investigado é Eduardo Scatambulo Ribeiro, sócio e CEO do Tresory Bank, com atuação em Ribeirão Preto, São Paulo.

Quais são as principais acusações contra ele?
Ele é alvo de um inquérito policial por estelionato, acusado de aplicar um suposto golpe milionário em clientes do Tresory Bank. As vítimas alegam que, após fazerem grandes aplicações, o empresário cortou a comunicação e não permitiu o resgate dos investimentos e lucros prometidos.

Qual era a promessa de rendimento para os investimentos no Tresory Bank?
As vítimas relatam que a promessa de rendimento era de 2% ao mês sobre as aplicações financeiras.

Como a relação de confiança influenciou as vítimas?
A relação de confiança foi um fator crucial. Várias vítimas, incluindo um amigo de infância e familiares, mantinham uma grande proximidade com Scatambulo, a ponto de ele ser considerado “de dentro de casa”, o que gerou uma forte convicção na segurança dos investimentos.

O que é um Certificado de Depósito Bancário (CDB) e por que a dificuldade de resgate é preocupante neste caso?
O CDB é um investimento de renda fixa geralmente considerado de baixo risco, com muitas opções oferecendo liquidez diária, permitindo o saque no mesmo dia da solicitação. A dificuldade em resgatar valores de um CDB com liquidez diária, como relatado por uma das vítimas, é altamente preocupante, pois contraria uma das principais características de segurança e acessibilidade desse tipo de investimento.

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Fonte: https://g1.globo.com

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