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Conexões que Transformam: Iniciativa impulsiona empregabilidade de refugiados e migrantes em São Paulo
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Em um cenário de busca por novas oportunidades, centenas de refugiados e migrantes encontram no Brasil um refúgio e, consequentemente, o desafio da inserção profissional. Foi para suprir essa demanda crucial que uma ação inovadora, intitulada "Conexões que Transformam", mobilizou o centro de São Paulo neste sábado. O evento, idealizado pelo Grupo Mulheres do Brasil em parceria com a Konecta Brasil e a Konecta Foundation, ofereceu um suporte abrangente, desde a qualificação até a conexão direta com vagas de emprego, visando facilitar a integração desses indivíduos na sociedade brasileira.
Conexões que Transformam: Um Dia de Oportunidades
A iniciativa reuniu 136 migrantes e refugiados, oriundos de 23 diferentes nacionalidades, em um esforço concentrado na Aliança Brasil Cidadã. Durante todo o dia, os participantes tiveram acesso a workshops focados em empregabilidade e empreendedorismo, sessões de revisão e tradução de currículos para o português, e apoio essencial para a regularização de suas documentações. Além disso, o evento funcionou como uma ponte direta para o mercado de trabalho, disponibilizando diversas vagas de emprego.
Entre os presentes estavam Victor Arce, de 65 anos, e Morelba Margarida Aquilar, de 64, que há um ano vieram da Venezuela com a filha. Victor, marceneiro profissional em seu país de origem, buscou no evento orientações para concretizar seu sonho de empreender no Brasil. O casal, que atualmente se sustenta com a venda de artesanato, expressou profunda gratidão pelo acolhimento e pelo acesso a tratamentos de saúde no país, que possibilitaram à Morelba o cuidado necessário para um problema de saúde grave.
Desafios e o Potencial Empreendedor
Dados apresentados por Maria Helena Santuche, líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, revelam a urgência da ação: 70% dos participantes estavam desempregados. Surpreendentemente, mais da metade deles manifestou o desejo de empreender. Santuche esclarece que essa vontade surge, muitas vezes, como uma "necessidade", e não apenas como uma "oportunidade", evidenciando a busca por autossuficiência diante das dificuldades de inserção no mercado formal.
Eliane Franco Figueiredo, co-fundadora do Grupo Mulheres do Brasil, destacou outra barreira significativa: a validação de diplomas. Muitos refugiados, incluindo médicos, possuem alta qualificação em seus países de origem, mas enfrentam longos processos burocráticos que os impedem de exercer suas profissões no Brasil. A ação, portanto, também visou oferecer caminhos alternativos e capacitações que contornem essas dificuldades, permitindo a reinserção profissional em diversas áreas.
Apoio Estratégico para Inserção no Mercado
O diretor de Pessoas da Konecta Brasil, Flavio Simonato, reiterou os principais objetivos do evento, que incluem a adequação documental, a preparação de currículos atualizados e palestras informativas sobre o funcionamento do mercado de trabalho brasileiro. A iniciativa não se limitou apenas à capacitação e conexão com vagas, mas também estendeu o apoio humanitário, com doações de cestas básicas e brinquedos para as famílias, demonstrando uma abordagem integral à questão dos refugiados e migrantes.
A abrangência das nacionalidades atendidas – principalmente Venezuela, Congo e Haiti, entre as 23 representadas – sublinha a diversidade dos fluxos migratórios e a riqueza cultural e profissional que esses indivíduos trazem. O esforço conjunto das organizações reflete o reconhecimento de que, embora enfrentem desafios, essas pessoas possuem vasta experiência e formação que podem contribuir significativamente para o desenvolvimento do país.
O Panorama dos Refugiados no Brasil
De acordo com Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o Brasil acolhe atualmente mais de um milhão de pessoas refugiadas ou em necessidade de proteção internacional, vindas de mais de 160 nacionalidades. As principais origens são Venezuela, Cuba e Haiti, com um aumento notável de indivíduos de países como Afeganistão, Irã, Síria e Palestina, impulsionados por conflitos recentes.
Apesar de terem acesso garantido a políticas públicas essenciais como educação e saúde ao chegarem ao país, a inserção no mercado de trabalho permanece um obstáculo considerável. Muitos chegam com uma bagagem rica de experiências e formações em seus países de origem, mas se veem na necessidade de "se reinventar" em um novo contexto, adaptando suas habilidades e buscando novas formas de sustento e contribuição.
Impacto e Futuro
A ação "Conexões que Transformam" exemplifica o poder da colaboração entre sociedade civil e empresas para abordar complexas questões sociais. Ao oferecer um suporte estruturado e humanizado, iniciativas como esta não apenas auxiliam indivíduos a superar barreiras econômicas, mas também fortalecem os laços sociais e promovem uma integração mais digna e produtiva. O evento destaca que, com o apoio adequado, o potencial de cada refugiado e migrante pode ser plenamente desenvolvido, enriquecendo o tecido social e econômico do Brasil.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br