Embalada por “Wonderwall”, a Seleção Inglesa está pronta para encerrar um jejum de 60 anos
Embalada por “Wonderwall”, a Seleção Inglesa está pronta para encerrar um jejum de 60 anos
Créditos:englandfootball.com
Por Jairo Giovenardi – @jairogiovenardi
A estreia da Seleção Inglesa contra a Croácia foi impactante. Com muita intensidade, organização tática e qualidade técnica, os ingleses venceram uma forte e inquieta equipe croata por 4 a 2 e mandaram um recado ao mundo: estão prontos para conquistar a Copa do Mundo e encerrar um incômodo jejum de 60 anos sem um título mundial. A única conquista inglesa aconteceu em 1966.
Para transformar esse objetivo em realidade, a Inglaterra conta com o técnico alemão Thomas Tuchel, que realizou um excelente trabalho no Chelsea, conduzindo o clube ao título da Champions League de 2021 diante do Manchester City, então comandado por Pep Guardiola. O treinador, que assumiu no fim de 2024, surpreendeu boa parte dos torcedores ingleses ao deixar fora da lista final nomes como Trent Alexander-Arnold, Cole Palmer, Harry Maguire e Phil Foden. Bancou suas convicções e assumiu a responsabilidade pelas escolhas. Naturalmente, chega pressionado, mas tem em mãos um elenco capaz de sonhar alto.
A estreia não poderia ter sido melhor. A Inglaterra não derrotou qualquer adversário. Superou uma seleção croata competitiva, que buscou o empate em duas oportunidades, e ainda encontrou forças para dominar o segundo tempo e construir um placar que poderia ter sido ainda mais elástico.
Além do comando firme de Tuchel à beira do campo, a equipe demonstra entrosamento, confiança e um desejo evidente de deixar para trás as frustrações recentes. Sob o comando de Gareth Southgate, os ingleses chegaram perto, mas ficaram pelo caminho. Foram eliminados pela própria Croácia na semifinal da Copa do Mundo de 2018 e amargaram dois vice-campeonatos consecutivos da Eurocopa: para a Itália, nos pênaltis, em Wembley, em 2021, e para a Espanha, em 2024.
Harry Kane e companhia parecem cansados de bater na trave. Querem mais. E mostraram, na estreia, que possuem condições reais de levantar a taça da Copa do Mundo no dia 19 de julho, em Nova Jersey.
O sonho pode deixar de ser apenas uma miragem, principalmente se a cena que chamou a atenção do mundo em Dallas voltar a se repetir. Após a vitória, os jogadores permaneceram no gramado cantando “Wonderwall”, clássico do Oasis. Entre sorrisos, emoção e abraços, protagonizaram um daqueles momentos que ultrapassam o futebol.
A canção não faz parte da cultura de arquibancada da torcida que segue a Seleção Inglesa pelo mundo, mas tocou no sistema de som do estádio exatamente no momento da celebração pela estreia vitoriosa. A conexão foi instantânea. Não houve ensaio. Não houve planejamento. Apenas aconteceu. E, de forma quase natural, “Wonderwall” se transformou na trilha sonora da Seleção Inglesa no Mundial.
Quem não se lembra dos argentinos cantando com a torcida após cada vitória no Catar, em 2022? Bastava ouvir os primeiros versos de “Muchachos…” para entender que havia algo especial acontecendo. Era mais do que uma música. Era identidade.
Seleção e torcida precisam dessa sintonia para conquistar juntas o título mais importante do planeta. Se o futebol também é movido por emoção, os ingleses encontraram o seu “Wonderwall”, que talvez os tenha feito enxergar, pela primeira vez em muito tempo, aquilo que parecia distante demais: o caminho para o título mundial.
Quem é o Jairo?
Jairo Giovenardi é jornalista. Foi assessor de imprensa do Palmeiras, do São Bernardo e do Basket Osasco, produtor do Bandsports, repórter dos jornais Lance e Folha Universitária e das rádios ABC e Trianon. Atualmente é CEO da JGCOM, empresa especializada em Comunicação.