Catedral da sé relembra 50 anos da morte de vladimir herzog

 Catedral da sé relembra 50 anos da morte de vladimir herzog

© Paulo Pinto/Agência Brasil

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Em um ato ecumênico que lotou a Catedral da Sé, em São Paulo, a Comissão Arns e o Instituto Vladimir Herzog marcaram os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog pela ditadura militar. O local, palco da histórica cerimônia inter-religiosa de 1975, reuniu novamente uma multidão para relembrar o legado de Herzog e clamar por justiça.

Ivo Herzog, filho de Vladimir, presente no ato, enfatizou a necessidade de um processo legal para investigar as circunstâncias dos crimes cometidos durante a ditadura, indiciar os responsáveis, vivos ou mortos, e submetê-los ao julgamento do Poder Judiciário. Ele também ressaltou a importância da revisão do parecer do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Lei da Anistia de 1979, uma luta da sociedade para que os crimes de lesa-humanidade não fiquem impunes.

Ivo criticou a demora no julgamento da ADPF 320, que trata da anistia, e a considerou uma cumplicidade com a cultura de impunidade no Brasil. Segundo ele, o tema da anistia foi sequestrado pela extrema-direita, que busca perpetuar a impunidade dos crimes cometidos durante o regime militar.

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, também esteve presente na cerimônia e reafirmou o compromisso do Estado com a democracia, a justiça e a liberdade. Alckmin declarou que a morte de Vladimir Herzog foi resultado do extremismo de um Estado que, em vez de proteger os cidadãos, os perseguia e matava. Questionado sobre a revisão da Lei da Anistia, ele afirmou que “já demos bons passos nessa questão”.

O assassinato de Vladimir Herzog, torturado e morto nas dependências do Doi-Codi, marcou um período sombrio da história brasileira. Herzog, então diretor de Jornalismo da TV Cultura, apresentou-se voluntariamente ao órgão de repressão em 25 de outubro de 1975.

O jornalista Sérgio Gomes, que estava preso no Doi-Codi na época, relatou ter ouvido Herzog sendo torturado e presenciado a simulação de suicídio que se seguiu à sua morte. Desde então, sua esposa, Clarice Herzog, liderou as denúncias sobre o assassinato político do marido.

Em 31 de outubro de 1975, um ato na Catedral da Sé se tornou um marco na resistência democrática, liderado por líderes religiosos como dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright. Cinco décadas depois, o novo ato inter-religioso na Sé foi dedicado à memória de todas as vítimas da ditadura.

Jornalistas realizaram uma passeata até a Sé para participar do evento, reafirmando a importância da luta contra a impunidade e em defesa da democracia. Diversas personalidades compareceram ao ato, que incluiu apresentações musicais, manifestações inter-religiosas e a exibição de vídeos com imagens de manifestações e vítimas do Estado.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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