Campinas registra o menor saldo de empregos desde a pandemia em 2025

 Campinas registra o menor saldo de empregos desde a pandemia em 2025

G1

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Campinas encerrou o ano de 2025 com o menor saldo de empregos formais criados desde o período mais crítico da pandemia de COVID-19. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pelo Ministério do Trabalho, revelam um cenário de desaceleração significativa no mercado de trabalho local. Ao longo do ano, a cidade registrou a criação líquida de apenas 3.304 novas vagas com carteira assinada, número que contrasta drasticamente com os resultados dos anos anteriores. Essa performance aquém do esperado levanta questões sobre a resiliência econômica da região e os desafios que se apresentam para a recuperação plena do setor de empregos em Campinas. O impacto de um dezembro com mais de 6 mil postos de trabalho fechados amplifica a preocupação.

Análise do desempenho anual de empregos em Campinas

O cenário de 2025 e o legado da pandemia

O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão preocupante para o mercado de trabalho de Campinas, com a criação de um saldo de apenas 3.304 novos postos de emprego formal. Este número representa a performance mais baixa da cidade desde 2020, ano em que a economia global foi severamente impactada pela pandemia de COVID-19, resultando em um saldo negativo de 7.502 vagas. A recuperação observada nos anos subsequentes, que gerou dezenas de milhares de postos, parece ter perdido fôlego, indicando uma desaceleração no ritmo de crescimento econômico e na capacidade de absorção de mão de obra qualificada. A criação de vagas com carteira assinada é um termômetro essencial para a saúde econômica, refletindo a confiança empresarial e a expansão das atividades produtivas. A baixa criação de postos em Campinas sugere um período de cautela e reajuste para as empresas da região. Este dado, divulgado no final de janeiro, sublinha a urgência de análises aprofundadas sobre as causas dessa estagnação e as possíveis estratégias para reverter a tendência.

Comparativo histórico: A desaceleração pós-pico

Para compreender a magnitude da desaceleração de 2025, é fundamental contextualizá-la com o desempenho de Campinas nos anos anteriores. Após o choque de 2020, o mercado de trabalho da cidade demonstrou uma recuperação robusta, impulsionada por diversos setores. Em 2021, Campinas registrou um saldo impressionante de 22.149 novas vagas, seguido por 14.699 em 2022, 13.231 em 2023 e 13.586 em 2024. A sequência de anos com criação expressiva de empregos formais contrastava com o panorama de 2025, que viu essa marca cair para 3.304. Essa queda de mais de 75% em relação ao ano anterior e uma redução de mais de 85% em comparação ao pico de 2021 sinaliza uma profunda mudança na dinâmica econômica regional. A perda de ritmo sugere que os motores de crescimento que impulsionaram a criação de empregos nos anos pós-pandemia podem estar enfrentando novos desafios, sejam eles de natureza macroeconômica, como taxas de juros elevadas e inflação, ou específicos do contexto local, como a falta de investimentos em setores-chave ou a saturação de mercados. A análise desses comparativos é crucial para identificar as áreas que necessitam de maior atenção e políticas de incentivo.

O impacto do fechamento de vagas em dezembro

A dinâmica sazonal e o recorde negativo

Dezembro é historicamente um mês de saldo negativo no mercado de trabalho brasileiro e em Campinas não é diferente, devido ao encerramento de contratos temporários e ajustes de fim de ano. Contudo, o último mês de 2025 apresentou um cenário particularmente desfavorável, registrando o fechamento de 6.104 postos de trabalho com carteira assinada na cidade. Este número é significativamente superior aos resultados negativos de dezembro dos anos anteriores. Em dezembro de 2024, por exemplo, Campinas encerrou 4.583 vagas, enquanto em dezembro de 2023, 3.805 postos foram fechados. A contração mais acentuada em 2025 indica que a pressão sobre o emprego não se limitou à sazonalidade, mas foi intensificada por fatores adicionais. O volume elevado de demissões em um único mês pode ter um impacto social e econômico considerável, afetando o poder de compra das famílias e a estabilidade da economia local. Essa performance recorde no fechamento de vagas em dezembro reforça a preocupação com a tendência de desaceleração que marcou todo o ano de 2025.

Setores mais afetados e resiliência parcial

A análise setorial dos dados de 2025 revela onde o mercado de trabalho de Campinas sentiu os maiores impactos. Dos cinco grandes setores monitorados, dois encerraram o ano com mais demissões do que contratações: a indústria e a agropecuária. A indústria foi o setor com o maior impacto negativo, fechando 308 postos de trabalho ao longo do ano. Este desempenho reflete desafios que podem incluir a desaceleração da produção, a automação de processos ou a redução da demanda por bens manufaturados. A agropecuária, embora com um volume menor, também contribuiu negativamente, com a perda de 7 vagas. Por outro lado, os setores de serviços, comércio e construção civil conseguiram manter um saldo positivo de vagas. No entanto, é crucial notar que, mesmo nessas áreas, o desempenho de 2025 ficou aquém dos registrados nos anos anteriores. Isso sugere que, embora ainda estejam gerando empregos, a taxa de expansão e a capacidade de absorção de novos trabalhadores diminuíram consideravelmente. A resiliência parcial desses setores foi insuficiente para compensar a desaceleração geral, culminando no saldo anual mais baixo desde o período pandêmico.

Perspectivas para o mercado de trabalho em Campinas

O cenário de 2025 para o mercado de trabalho de Campinas, marcado por uma desaceleração e um saldo de empregos o mais baixo desde a pandemia, sinaliza desafios significativos para o futuro próximo. A queda acentuada na criação de vagas, combinada com um dezembro de demissões recordes, exige uma análise cuidadosa e a formulação de estratégias proativas. Para 2026, a cidade enfrentará a necessidade de reaquecer sua economia e estimular a geração de empregos formais, possivelmente através de políticas de incentivo à indústria, atração de novos investimentos e programas de qualificação profissional que atendam às demandas emergentes. A diversificação econômica de Campinas e sua vocação para setores de alta tecnologia e serviços podem ser alavancas importantes, mas dependerão de um ambiente econômico favorável e de iniciativas bem direcionadas. O engajamento entre o setor público, empresas e instituições de ensino será crucial para garantir que a força de trabalho local esteja preparada para as oportunidades e para superar os obstáculos evidenciados em 2025.

Perguntas frequentes

O que é o Caged e qual sua importância?
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é um registro administrativo do Ministério do Trabalho que acompanha mensalmente a movimentação de empregos com carteira assinada no Brasil. Seus dados são cruciais para o monitoramento do mercado de trabalho, a formulação de políticas públicas e a análise econômica, fornecendo um panorama detalhado sobre contratações e demissões em diferentes setores e regiões.

Por que dezembro é historicamente um mês de saldo negativo no mercado de trabalho?
Dezembro é geralmente um mês com saldo negativo de empregos formais devido ao encerramento de contratos temporários, especialmente no comércio e serviços, após o pico de vendas de fim de ano. Além disso, empresas realizam ajustes e desligamentos antes do fechamento do ano fiscal, contribuindo para que as demissões superem as contratações nesse período.

Quais setores foram mais afetados em Campinas em 2025?
Em 2025, os setores que apresentaram saldo negativo de empregos em Campinas foram a indústria, com a perda de 308 postos de trabalho, e a agropecuária, com 7 vagas a menos. Embora os setores de serviços, comércio e construção tenham tido saldos positivos, eles registraram um desempenho abaixo dos anos anteriores.

O que significa “menor saldo de empregos desde a pandemia”?
Significa que o número líquido de vagas de trabalho com carteira assinada criadas em 2025 (3.304) é o mais baixo registrado em Campinas desde 2020. Em 2020, o saldo foi negativo (-7.502), refletindo o impacto inicial da pandemia de COVID-19. Após 2020, Campinas teve anos de forte recuperação na geração de empregos, tornando o resultado de 2025 um indicativo de desaceleração significativa.

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Fonte: https://g1.globo.com

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