Avanços e Desafios: Fome Mundial Reduz, mas 645 Milhões Ainda Sofrem, Alerta Relatório da ONU

 Avanços e Desafios: Fome Mundial Reduz, mas 645 Milhões Ainda Sofrem, Alerta Relatório da ONU

© Foto: FAO/Albert Gonzalez Farran

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A luta global contra a fome registrou um terceiro ano consecutivo de declínio em 2025, com o número de pessoas em situação de fome caindo para 645 milhões. Esta redução representa uma diminuição de quase 14 milhões de indivíduos famintos em relação a 2024 e um marco de 43 milhões a menos em comparação com 2022. Os dados, divulgados nesta terça-feira (21) em Roma, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, emergem do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026” (SOFI), uma publicação conjunta de cinco agências das Nações Unidas.

O Cenário Global da Fome e Insegurança Alimentar

O relatório SOFI 2026, resultado da colaboração entre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), aponta que 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025. Este percentual reflete uma tendência de queda, considerando que em 2023 o índice era de 8,6%, diminuindo para 8,1% em 2024.

Além da fome extrema, o estudo também avalia a insegurança alimentar moderada ou severa, uma condição onde as pessoas consomem alimentos insuficientes para uma vida saudável ou de baixa qualidade nutricional. Embora tenha havido progresso global nessa frente, com uma queda de 27,1% em 2024 para 25,8% (cerca de 2,1 bilhões de pessoas) em 2025 – e em relação aos 28,7% de 2020 –, o número atual ainda se encontra acima dos níveis pré-pandemia, indicando que a resiliência dos sistemas alimentares globais permanece frágil.

Desigualdades Continentais e Vulnerabilidades Específicas

Apesar da redução nos níveis gerais de fome, a recuperação é heterogênea. Enquanto Ásia, América Latina e Caribe demonstraram melhorias graduais nos últimos três anos, a África emerge como o continente com o maior número absoluto de pessoas famintas. Com um rápido crescimento populacional, estima-se que um em cada cinco africanos – ou seja, 20% da população, totalizando cerca de 309 milhões de pessoas – enfrentou a fome em 2025, uma leve diminuição em relação aos 20,3% de 2024.

Quando se considera a insegurança alimentar moderada ou severa, as disparidades são ainda mais acentuadas. Em 2025, mais da metade da população africana (56,6%) vivia nessa condição, um contraste significativo com 22,9% na América Latina e Caribe, 20,3% na Ásia e apenas 8,7% na América do Norte e Europa. Adicionalmente, o relatório ressalta que as áreas rurais continuam a ser mais afetadas do que as urbanas e periferias. As mulheres, embora com uma ligeira redução na disparidade de gênero em 2025, permanecem desproporcionalmente impactadas pela insegurança alimentar. Globalmente, apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos atingiram a diversidade alimentar mínima recomendada entre 2021 e 2025, com a África apresentando a menor prevalência (43%), seguida pela Ásia (65%), e América Latina e Caribe (77,5%), enquanto a América do Norte e Europa registraram o maior índice (79,8%).

O Lento Avanço na Nutrição e os Objetivos de 2030

O progresso em nutrição materno-infantil tem sido lento e marginal, colocando em risco o cumprimento das metas internacionais estabelecidas para 2030. Dados preocupantes revelam que apenas 30,8% das crianças entre 6 e 23 meses no mundo consomem uma alimentação minimamente diversificada. Os principais indicadores de alerta incluem a desnutrição infantil grave, com 150 milhões de crianças menores de 5 anos ainda sofrendo de atraso no crescimento, e a piora global do quadro de anemia em mulheres em idade fértil (15 a 49 anos). Em paralelo, a prevalência da obesidade adulta segue uma trajetória ascendente, saltando de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024, distanciando o mundo de seus objetivos de saúde pública.

Apelos por Ação e o Caminho para um Futuro Sustentável

Durante o evento de divulgação do relatório, líderes globais enfatizaram a necessidade urgente de acelerar o progresso. Qu Dongyu, diretor-geral da FAO, sublinhou que “acabar com a fome e tornar dietas saudáveis acessíveis exige compromisso político, investimento sustentado e políticas que o facilitem”. Complementando essa visão, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Fernanda Machiaveli, destacou que a fome é uma questão evitável. “Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos”, afirmou a ministra em seu discurso.

Apesar das conquistas em reduzir o número de pessoas famintas nos últimos anos, o panorama apresentado pelo SOFI 2026 reitera a complexidade da crise alimentar global. Os desafios persistem nas desigualdades regionais, na vulnerabilidade de grupos específicos e na lentidão do progresso nutricional. A comunidade internacional enfrenta agora o imperativo de transformar os avanços pontuais em um movimento sustentado e equitativo, reafirmando o compromisso de erradicar a fome e garantir dietas saudáveis para todos até 2030, através de políticas robustas e investimentos estratégicos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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