Alckmin: governo foca em abastecimento e quer evitar alta do diesel

 Alckmin: governo foca em abastecimento e quer evitar alta do diesel

© Antônio Cruz/Agência Brasil

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Em um cenário de volatilidade econômica global, o governo federal tem direcionado seus esforços para garantir o abastecimento e a estabilidade do preço do diesel no país. A preocupação é minimizar os impactos de flutuações externas nos custos internos, especialmente após a recente escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impulsionou o valor internacional do barril de petróleo. Essas variações afetam diretamente os preços na bomba, com repercussões em diversos setores da economia. As ações governamentais, anunciadas recentemente, visam proteger o consumidor e a cadeia produtiva, que dependem diretamente do diesel para transporte de mercadorias e pessoas, evitando uma elevação generalizada da inflação. A medida reflete a prioridade em preservar o poder de compra e a previsibilidade econômica em um contexto desafiador.

Governo federal intensifica ações para estabilizar preço do diesel

O governo federal tem demonstrado um compromisso firme em mitigar os efeitos da instabilidade internacional sobre a economia doméstica, com foco particular na contenção do preço do diesel. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, reiterou a prioridade governamental em assegurar o abastecimento e “segurar o preço” do combustível, considerado um pilar essencial para a economia nacional. A justificativa para essa urgência reside na dependência do Brasil, que importa cerca de 25% do diesel consumido, tornando o mercado interno vulnerável às cotações internacionais.

Medidas emergenciais e seu impacto esperado

Para combater a alta dos preços impulsionada pela conjuntura global, especialmente o conflito no Oriente Médio que elevou o valor do petróleo, o governo implementou um pacote de medidas estratégicas. A principal delas foi a decisão de zerar as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel, um movimento direto para aliviar a carga tributária. Além disso, foi criada uma subvenção de mais R$ 0,32 por litro, que se soma à isenção fiscal. A expectativa é que essas ações combinadas resultem em uma redução de, no mínimo, R$ 0,64 por litro na bomba.

Essa redução é vista como crucial para diversos setores, principalmente o de transporte e logística. Um aumento no preço do diesel tem um efeito cascata imediato: eleva os custos do frete, encarece os alimentos que chegam às gôndolas dos supermercados e impacta o valor das passagens de transporte público e privado. Em última instância, a escalada do diesel pode alimentar a inflação geral, corroendo o poder de compra da população e desestabilizando o cenário econômico. As medidas emergenciais buscam, portanto, atuar como um amortecedor contra esses impactos, garantindo uma maior previsibilidade para os agentes econômicos e os cidadãos.

Contraste com políticas fiscais anteriores

Ao analisar as estratégias para a gestão dos combustíveis, o vice-presidente Alckmin fez uma crítica à abordagem adotada por governos passados, especificamente a medida de 2022 que limitou a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis sem prever uma compensação adequada aos estados. Essa política resultou na judicialização da questão, com muitos estados recorrendo à justiça para reaver receitas perdidas, culminando em um “precatório gigantesco”, segundo Alckmin. Ele defendeu que a atual estratégia governamental é “inteligente” por focar em subsídios e desonerações federais, que não comprometem as finanças estaduais e evitam um cenário de disputas judiciais prolongadas e onerosas.

A complexidade da matriz energética brasileira também foi abordada. Alckmin explicou que, paradoxalmente, apesar de o Brasil ser um exportador de petróleo bruto, o país ainda é um importador de diesel. Essa peculiaridade se deve à capacidade de refino insuficiente para atender plenamente à demanda interna por derivados. Essa lacuna de infraestrutura de refino torna o Brasil dependente do mercado internacional para suprir parte de seu consumo de diesel, expondo-o às variações dos preços globais e reforçando a necessidade de políticas de estabilização.

Impulsionando a indústria nacional e a frota de transportes

Além das medidas emergenciais para o diesel, o governo federal tem trabalhado ativamente no estímulo à indústria nacional e na modernização da frota de transportes, visando um desenvolvimento econômico mais sustentável e eficiente. Essas iniciativas buscam fortalecer a competitividade do país e alinhar o setor produtivo com as demandas por inovação e responsabilidade ambiental.

O programa Move Brasil e seus resultados iniciais

Um dos pilares dessa estratégia é o programa Move Brasil, uma política pública robusta desenhada para incentivar a renovação da frota de caminhões no país. O vice-presidente Alckmin, em visita a uma concessionária da Scania em Santa Maria (DF), destacou os avanços do programa. Com um investimento inicial de R$ 10 bilhões, o Move Brasil conseguiu reduzir significativamente as taxas de juros para o financiamento de veículos, caindo de uma média de 23% para 13%.

A resposta do mercado foi descrita como “espetacular”. Em apenas dois meses de sua implementação, o programa já aplicou R$ 6,2 bilhões dos recursos previstos, demonstrando uma forte adesão por parte do setor. O Move Brasil tem um foco especial em estimular o caminhoneiro autônomo, permitindo-lhe adquirir um veículo zero-quilômetro ou semi-novo com condições de financiamento mais favoráveis. A modernização da frota não apenas melhora a eficiência logística, mas também contribui para a segurança nas estradas. Alckmin enfatizou que melhores equipamentos e tecnologia embarcada são como uma “vacina”, prevenindo acidentes e mortes, além de reduzir a poluição.

Incentivo à produção de veículos sustentáveis

Paralelamente à renovação da frota de caminhões, o governo tem incentivado a indústria do carro sustentável por meio da eliminação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para esses veículos. Essa medida é parte de uma estratégia mais ampla para promover a inovação tecnológica e a responsabilidade ambiental no setor automotivo.

Para ser considerado um “carro sustentável” e, assim, elegível à isenção do IPI, o veículo deve atender a uma série de critérios rigorosos: ser fabricado no Brasil, possuir tecnologia flex (compatível com gasolina e etanol), ter no mínimo 80% de reciclabilidade em sua composição e não emitir mais do que 83 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado. Essa política não apenas fomenta a produção local de veículos mais eficientes e menos poluentes, como também alinha o Brasil às tendências globais de descarbonização e economia circular. Alckmin ressaltou que essa iniciativa terá um impacto positivo direto na redução da poluição ambiental e no desenvolvimento de tecnologias automotivas mais verdes.

Ações governamentais: um balanço entre estabilidade e desenvolvimento

As ações recentes do governo federal, conforme detalhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, delineiam uma estratégia multifacetada para a gestão econômica. No curto prazo, a prioridade máxima é a estabilização do preço do diesel e a garantia de seu abastecimento, visando proteger a economia de choques externos e mitigar a inflação. As medidas fiscais e de subvenção buscam oferecer um alívio imediato para os custos de transporte e, por extensão, para o custo de vida da população.

Em uma perspectiva de médio e longo prazo, o governo demonstra um compromisso com o desenvolvimento industrial e a sustentabilidade. Programas como o Move Brasil incentivam a modernização de setores cruciais, como o de transporte rodoviário, promovendo eficiência e segurança. A isenção do IPI para carros sustentáveis, por sua vez, sinaliza uma transição energética e tecnológica, estimulando a produção de veículos mais limpos e alinhados às preocupações ambientais globais. Essa abordagem integrada busca equilibrar a necessidade de estabilidade econômica com a visão de um futuro mais produtivo, seguro e ecologicamente responsável para o Brasil.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Quais são as principais medidas do governo para conter o preço do diesel?
O governo zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e criou uma subvenção adicional de R$ 0,32 por litro. Juntas, essas ações visam reduzir o preço na bomba em pelo menos R$ 0,64 por litro, buscando estabilizar o custo do combustível e mitigar a inflação.

2. O que é o programa Move Brasil e qual seu objetivo?
O Move Brasil é uma política pública de estímulo à renovação da frota de caminhões no país. Seu objetivo é modernizar o setor de transporte, oferecendo condições de financiamento mais vantajosas para a aquisição de veículos novos ou semi-novos, beneficiando especialmente caminhoneiros autônomos e promovendo maior segurança e eficiência nas estradas.

3. Por que o Brasil importa diesel, mesmo sendo produtor de petróleo?
Embora o Brasil seja um exportador de petróleo bruto, sua capacidade de refino interna não é suficiente para atender integralmente à demanda nacional por derivados, como o diesel. Essa limitação estrutural torna o país dependente de importações para suprir parte de seu consumo, expondo-o às oscilações do mercado internacional.

4. Quais são os critérios para um veículo ser considerado “sustentável” e receber incentivos fiscais?
Para ser elegível à isenção do IPI, um veículo “sustentável” deve ser fabricado no Brasil, possuir tecnologia flex (etanol e gasolina), ter no mínimo 80% de reciclabilidade em sua composição e emitir até 83 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado.

Mantenha-se informado sobre as últimas políticas econômicas e seus impactos no cenário nacional e internacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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