Lula Sanciona Enamed: Exame Obrigatório Promete Revolucionar a Qualidade da Formação Médica no Brasil

 Lula Sanciona Enamed: Exame Obrigatório Promete Revolucionar a Qualidade da Formação Médica no Brasil

© Valter Campanato/Agência Brasil

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Em um passo decisivo para o futuro da saúde no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (6) a lei que estabelece o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como um componente obrigatório. A medida visa aprimorar a qualidade dos cursos de medicina e assegurar a excelência dos profissionais que ingressam no mercado de trabalho, prometendo um impacto significativo na prestação de serviços de saúde à população.

O Enamed: Uma Nova Era na Avaliação e Formação Médica

O Enamed será uma ferramenta contínua de acompanhamento e avaliação, aplicada em três fases distintas da graduação médica: no segundo, quarto e sexto anos do curso. Seus objetivos primordiais são identificar precocemente dificuldades de aprendizagem dos estudantes, aferir o desempenho individual e coletivo, monitorar a qualidade dos cursos oferecidos no país e, fundamentalmente, contribuir para o aprimoramento da formação médica em sua totalidade.

Um dos aspectos mais relevantes da nova legislação é que o resultado do Enamed passará a ser condição indispensável para o exercício da medicina no Brasil. Essa exigência será aplicada a todos os estudantes que iniciarem seus cursos de medicina a partir de 19 de junho de 2026, data da publicação da medida provisória original. Para aqueles já matriculados antes dessa data, bem como médicos com diploma já reconhecido nacionalmente, as regras anteriores continuarão em vigor, garantindo uma transição justa e gradual.

Fortalecimento do SUS e a Visão Presidencial

Para o presidente Lula, a iniciativa do Enamed está intrinsecamente ligada à melhoria do atendimento de saúde para todos os brasileiros. Ele enfatizou a correlação direta entre a qualificação médica e a expectativa de vida da população, afirmando: “Quanto mais qualificado for o nosso médico, mais garantia a gente tem de que nós vamos viver mais”. O presidente também destacou a importância da medida para elevar a qualidade do sistema público de saúde.

Lula reiterou o dever do Estado de assumir a responsabilidade na prestação de serviços de saúde de forma abrangente, especialmente para as camadas mais vulneráveis da sociedade. “Se o Estado não assume a responsabilidade de dar tratamento justo às pessoas mais humildes, ninguém vai dar”, disse ele, expressando orgulho do papel desempenhado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país.

Aproveitando a ocasião, o presidente defendeu veementemente o investimento em políticas públicas essenciais, como o programa Agora tem Especialistas, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Brasil Sorridente e o Farmácia Popular. Ele também sublinhou a necessidade de uma compreensão holística da saúde, que transcende a administração de medicamentos e consultas, incluindo o cuidado com a alimentação e a promoção de atividades físicas. “Imagina se cada prefeitura desse país fizer uma pequena academia. O que custa contratar professor de educação física, fisioterapeuta para cuidar dessas pessoas?”, questionou.

Repercussão entre Especialistas e Instituições

A sanção do Enamed foi amplamente celebrada por figuras importantes do setor. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é médico, classificou a medida como benéfica para estudantes, faculdades e a sociedade como um todo. Ele expressou preocupação com a proliferação de faculdades de medicina, muitas vezes sem a infraestrutura hospitalar adequada para a capacitação dos alunos, o que diferencia a realidade atual de sua época de formação, na década de 1970, quando a maioria optava pela residência.

José Hiran Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), classificou a decisão governamental como um “marco histórico”, elogiando a postura do governo em relação à qualidade da formação médica.

A professora Ludhmila Hajjar, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), corroborou a necessidade do exame, relatando sua surpresa com a falta de experiência prática de muitos médicos recém-formados que leciona. Ela mencionou que alguns chegam ao ensino avançado sem nunca ter atendido uma parada cardíaca, um paciente em choque circulatório ou um que necessitasse de ventilação mecânica. A professora concordou que a medida fortalece o SUS, protege a sociedade brasileira e inaugura uma nova era na medicina, enfatizando que os alunos são muitas vezes vítimas de uma formação inadequada, e não os únicos culpados.

Enamed como Ferramenta de Regulação e Melhoria Contínua

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, detalhou que o Enamed será implementado em colaboração entre o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina. A nova legislação prevê rigorosas medidas de supervisão para instituições que apresentarem resultados insatisfatórios, podendo estas incluir a redução do número de vagas e, em casos extremos, a suspensão de vestibulares.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que a lei possibilitará atestar o progresso na formação dos médicos e, consequentemente, fortalecer o atendimento à população com profissionais mais qualificados. Ele descreveu a sanção como “mais um passo histórico no fortalecimento da saúde do nosso povo porque não se faz saúde sem bons profissionais”, e previu que, embora seja um teste de progresso, o Enamed trará resultados que se manifestarão de forma duradoura ao longo das próximas décadas.

Leonardo Barchini complementou, afirmando que o principal objetivo do exame é aferir o desempenho dos estudantes de medicina, contribuindo de forma estratégica para a avaliação da formação médica e para a formulação de políticas públicas mais eficazes. Ele defendeu que o Enamed fornecerá subsídios cruciais para a avaliação e a regulação dos cursos, inclusive abordando a questão dos 360 processos judiciais que levaram à abertura de mais de 60 mil vagas de medicina, muitas vezes sem o devido planejamento e infraestrutura.

A sanção do Enamed representa um marco significativo na trajetória da educação e da saúde brasileiras. Ao instituir uma avaliação rigorosa e contínua, o governo demonstra um compromisso firme com a elevação dos padrões acadêmicos e da competência profissional na área médica. Esta medida, vista por muitos como um divisor de águas, tem o potencial de não apenas aprimorar a formação dos futuros médicos, mas também de fortalecer o Sistema Único de Saúde, garantindo que a população tenha acesso a um atendimento de saúde cada vez mais qualificado e humanizado, construindo um futuro mais saudável para o Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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