Sete títulos mundiais em campo nas semifinais: quem levantará a taça?
Sete títulos mundiais em campo nas semifinais: quem levantará a taça?
Por Jairo Giovenardi – @jairogiovenardi
Argentina, Espanha, França e Inglaterra são as semifinalistas da Copa do Mundo de 2026. Em campo, estarão sete títulos mundiais: três argentinos, dois franceses, um espanhol e um inglês. É a primeira vez desde a Copa de 1990 que quatro campeões do mundo chegam juntos às semifinais. De lá para cá, sempre houve espaço para pelo menos uma surpresa.
As quatro seleções chegam às semifinais em igualdade de condições e com absoluto merecimento. Foram mais competentes, inteligentes e eficientes que as demais ao longo da competição e conquistaram o direito de disputar a reta decisiva do Mundial. Agora, qualquer desfecho parece possível.
Para não ficar em cima do muro, porém, vejo França e Inglaterra com uma ligeira vantagem sobre Espanha e Argentina, respectivamente.
A França, que busca o tricampeonato que escapou no Catar, tenta alcançar também sua terceira final consecutiva de Copa do Mundo e conta com pelo menos quatro jogadores capazes de decidir uma partida: Mbappé, Dembélé, Olise e Désiré Doué. Se enfrentar a Inglaterra na decisão, será a reedição das quartas de final de 2022, quando os franceses levaram a melhor. Se o adversário for a Argentina, teremos a aguardada revanche da final do Catar e o terceiro encontro consecutivo entre as duas seleções em Copas, já que, em 2018, na Rússia, a França eliminou os argentinos do técnico Sampaoli nas oitavas num 4 a 3 memorável, antes de cair diante da Scaloneta na inesquecível final de 2022.
A Inglaterra, porém, terá primeiro o desafio de superar uma Argentina tão talentosa quanto resiliente, embora carregue o desgaste físico acumulado ao longo da competição. Se voltar à decisão de uma Copa depois de 60 anos, poderá reencontrar a França em uma revanche das quartas de 2022 ou medir forças novamente com a Espanha, algoz inglesa na final da última Eurocopa.
A Fúria, que ainda convive com a preocupação em torno das condições físicas de Lamine Yamal, sofreu apenas um gol em toda a Copa e coloca em campo um retrospecto recente bastante favorável diante da França, com duas vitórias em confrontos decisivos: um histórico 5 a 4 na semifinal da Nations League de 2025 e o triunfo por 2 a 1 na semifinal da Eurocopa de 2024.
Para a Argentina, atual campeã mundial, o sonho do tetracampeonato passa por uma semifinal carregada de significado. Lionel Scaloni afirmou que “é apenas um jogo de futebol”, mas a história entre argentinos e ingleses em Copas do Mundo mostra que há muito mais em jogo.
O primeiro encontro aconteceu em 1962, no Chile, com vitória inglesa por 3 a 1. Quatro anos depois, jogando em casa, a Inglaterra venceu novamente, desta vez por 1 a 0, em uma partida que ajudou a moldar a rivalidade entre as duas seleções. O capitão da Albiceleste, Rattín, foi expulso pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein, que precisou fazer gestos para que ele deixasse o campo, pois os cartões ainda não existiam. Indignado, o volante argentino demorou a sair do gramado, comeu chocolates lançados pelos torcedores ingleses, amassou a bandeira do Reino Unido hasteada no escanteio e ainda se sentou no tapete vermelho reservado à Rainha Elizabeth II.
Em 1986, Maradona marcou, na mesma partida, um gol de mão e aquele que seria eternizado como o mais bonito da história das Copas, conduzindo sua seleção à vitória em um confronto para sempre associado às feridas da Guerra das Malvinas. Em 1998, nas oitavas de final disputadas na França, os argentinos voltaram a levar a melhor, desta vez nos pênaltis, após a expulsão de David Beckham. Já em 2002, veio o troco inglês: Beckham marcou, de pênalti, o gol da vitória que complicou a campanha da equipe comandada por Marcelo Bielsa ainda na fase de grupos.
Mais de seis décadas depois do primeiro encontro em Copas, Inglaterra e Argentina voltam a se enfrentar valendo muito mais do que uma vaga na final. As duas seleções carregam para o gramado uma das rivalidades mais emblemáticas da história do futebol.
Quatro campeãs do mundo permanecem na disputa com um único objetivo: erguer, no próximo domingo (19), a taça mais cobiçada do futebol, no MetLife Stadium. Qualquer campeã terá escrito mais um capítulo marcante da história das Copas.
Teremos a Inglaterra encerrando um jejum de 60 anos e conquistando seu segundo título? A Espanha repetirá a glória de 2010 na África do Sul e levantará sua segunda taça? A França conquistará um histórico tricampeonato? Ou a Argentina alcançará o tetracampeonato embalada pela liderança e pelo sangue de Messi, símbolo da resistência demonstrada pela equipe em sucessivas batalhas nesta Copa? Hoje, acredito que a França esteja mais perto do tricampeonato. Mas, se o destino reservar um céu azul e branco para os argentinos, poucos poderão dizer que o futebol escreveu um final mais poético.
Quem é o Jairo?
Jairo Giovenardi é jornalista. Foi assessor de imprensa do Palmeiras, do São Bernardo e do Basket Osasco, produtor do Bandsports, repórter dos jornais Lance e Folha Universitária e das rádios ABC e Trianon. Atualmente é CEO da JGCOM, empresa especializada em Comunicação.