Brasil encerra Paralimpíada de Inverno histórica em Milão-Cortina
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A Paralimpíada de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, encerrou-se no último domingo (15) com um saldo altamente positivo para o Brasil, marcando uma participação sem precedentes na história do país nos esportes de neve. A delegação brasileira, composta por oito atletas, foi a maior já enviada para uma edição do evento, simbolizando um avanço notável na modalidade. O ponto alto da campanha foi a conquista da primeira medalha paralímpica de inverno do Brasil, uma prata histórica, que consolidou a presença do país entre as potências emergentes na competição. Este feito representa não apenas um pódio, mas a ascensão e o amadurecimento do esporte paralímpico brasileiro no cenário global.
Um marco para o esporte brasileiro na neve
A delegação recorde e o pódio inédito
A participação brasileira na Paralimpíada de Inverno de Milão-Cortina foi, de fato, um marco. Com oito atletas, a equipe nacional superou em número todas as delegações anteriores, demonstrando o crescimento e o investimento nos esportes de neve no Brasil. O grande destaque foi o atleta rondoniense Cristian Ribera, que escreveu seu nome na história ao conquistar a medalha de prata na prova do sprint (um quilômetro) do esqui cross-country, na categoria para competidores sentados. Este feito inédito não só rendeu a primeira medalha paralímpica de inverno ao país, mas também acendeu os holofotes sobre o talento e a dedicação dos esportistas brasileiros. A performance de Ribera foi um momento de euforia, celebrada como um divisor de águas para o esporte paralímpico nacional, inspirando novas gerações de atletas.
Desempenho notável no encerramento
A campanha brasileira foi encerrada com a disputa dos 20 quilômetros do esqui cross-country, onde seis atletas do país entraram na pista de neve em Tesero. Mais uma vez, Cristian Ribera demonstrou sua versatilidade e força, alcançando um excelente quinto lugar na prova masculina, com o tempo de 53min40s8. Apesar de não ser sua especialidade, o atleta avaliou seu desempenho como positivo, reconhecendo a intensidade da concorrência. “Não é minha especialidade. Eu esperava um bom resultado, mas sabia que seria uma luta. Nas primeiras parciais, estava em segundo ou terceiro. Talvez, se eu segurasse um pouco, desse para recuperar no fim. Nessas provas longas, a gente vê que a competição é muito forte”, comentou o atleta, que reside em Jundiaí (SP), refletindo sobre a diferença de um minuto para os mesmos competidores que havia superado no sprint.
No feminino, a paranaense Aline Rocha, também competidora sentada, igualou o feito de Ribera, garantindo a quinta colocação com o tempo de 1h01min30s2. Seu desempenho reforçou a consistência da equipe brasileira nas provas de longa distância. Outros brasileiros também estiveram na pista: Guilherme Rocha, de São Paulo, terminou em 19º lugar no masculino (58min49s4), enquanto o paraibano Robelson Lula ficou em 22º (1h01min07s3). Entre as mulheres, a paulista Elena Sena concluiu sua participação em 14º lugar (1h19min04s9). Na classe standing (para atletas que competem de pé), o paulista Wellington da Silva obteve a 25ª colocação (52min54s), contribuindo para a representação abrangente do Brasil em diversas categorias.
Outros feitos e o futuro dos atletas
Resultados históricos e a estreia no snowboard
Além da medalha de Cristian e dos excelentes quintos lugares de Cristian e Aline no cross-country de 20 km, outros resultados merecem destaque e contribuem para a narrativa de sucesso brasileiro na Paralimpíada de Inverno. Aline Rocha obteve um significativo sétimo lugar no biatlo paralímpico, uma modalidade que combina esqui cross-country e tiro esportivo, exigindo grande resistência e precisão. O trio formado por Aline, Cristian e Wellington da Silva também alcançou uma honrosa sétima posição no revezamento do esqui cross-country, demonstrando a força do trabalho em equipe e a capacidade de superação dos atletas brasileiros em um esporte tradicionalmente dominado por nações com mais experiência na neve.
Os Jogos de Milão-Cortina também presenciaram a estreia brasileira no snowboard paralímpico, com a participação da gaúcha Vitória Machado, que se tornou a primeira mulher brasileira a competir na modalidade, e do também gaúcho André Barbieri. A história de André é particularmente inspiradora: ele conseguiu participar após se recuperar de um acidente sofrido durante um treino pré-evento, demonstrando resiliência e paixão pelo esporte. Vitória e André foram os representantes brasileiros na cerimônia de encerramento, que aconteceu em Cortina d’Ampezzo, local das provas de snowboard. André Barbieri teve a honra de ser o porta-bandeira, simbolizando a garra e a capacidade de superação da delegação.
O legado e o olhar para 2030
A participação brasileira em Milão-Cortina 2026 é avaliada como um “novo momento” para os esportes de inverno paralímpicos do país. Com resultados consistentes, a presença em finais de diversas provas e a conquista do pódio histórico no cross-country, a equipe nacional reforça a evolução técnica e estratégica nas competições de neve. A evolução é vista como um indicativo do potencial brasileiro para futuras edições, com um trabalho de base e desenvolvimento que começa a render frutos em nível internacional.
O olhar já se volta para os próximos desafios. A próxima edição da Paralimpíada de Inverno está agendada para os Alpes Franceses, entre 1º e 10 de março de 2030, onde o Brasil buscará consolidar ainda mais sua presença e, quem sabe, ampliar o número de medalhas. Antes disso, em 2028, os atletas brasileiros de verão terão sua vez nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, mantendo o ciclo de alta performance do esporte paralímpico nacional.
Perguntas frequentes
Qual foi o principal feito do Brasil na Paralimpíada de Inverno de Milão-Cortina?
O principal feito foi a conquista da primeira medalha paralímpica de inverno do Brasil, uma prata no esqui cross-country sprint (1 km) para competidores sentados, obtida pelo atleta Cristian Ribera.
Quantos atletas compuseram a delegação brasileira, e por que esse número é significativo?
A delegação brasileira foi composta por oito atletas, o que a tornou a maior já enviada pelo Brasil para uma edição da Paralimpíada de Inverno, indicando um crescimento e amadurecimento dos esportes de neve no país.
Além da medalha de prata, quais outros resultados históricos foram alcançados pelos atletas brasileiros?
Outros resultados incluem dois quintos lugares (Cristian Ribera e Aline Rocha) nos 20 km do esqui cross-country, um sétimo lugar de Aline Rocha no biatlo, e um sétimo lugar no revezamento do esqui cross-country. Houve também a estreia feminina no snowboard com Vitória Machado.
Quando e onde será a próxima edição da Paralimpíada de Inverno?
A próxima edição da Paralimpíada de Inverno ocorrerá nos Alpes Franceses, entre 1º e 10 de março de 2030.
Para mais detalhes sobre as trajetórias inspiradoras desses atletas e os avanços dos esportes paralímpicos brasileiros, continue acompanhando as notícias esportivas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br