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Delegacias da mulher: nova geração de delegadas fortalece o combate à violência
Agência SP
As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) vivenciam um período de transformação notável na segurança pública paulista. O que antes era uma área que enfrentava resistência e pouca visibilidade dentro da própria Polícia Civil, hoje se tornou um destino profissional cobiçado por uma nova geração de delegadas. A mudança reflete não apenas um avanço significativo na pauta do combate à violência de gênero, mas também a emergência de profissionais altamente qualificadas e motivadas a atuar na linha de frente contra a violência doméstica. As vagas nas Delegacias da Mulher são agora disputadas, preenchidas rapidamente por aquelas que almejam fazer a diferença e dedicar suas carreiras a essa causa fundamental, transformando o cenário da proteção feminina no estado.
Uma mudança de paradigma: DDMs no centro do interesse
A percepção e a atratividade das Delegacias de Defesa da Mulher passaram por uma revolução. Há pouco mais de uma década, atuar nessas unidades era visto, por vezes, como um desafio com poucas recompensas de carreira. Contudo, o cenário atual é completamente oposto: as vagas para as DDMs são preenchidas com agilidade, demonstrando um interesse crescente e um reconhecimento da importância estratégica desses postos. Esse fenômeno aponta para uma evolução na abordagem da segurança pública em relação à violência de gênero, que agora recebe a atenção e os recursos que demanda.
A meritocracia no acesso às unidades especializadas
O acesso a essas unidades especializadas não é trivial. Para conquistar um lugar nas Delegacias de Defesa da Mulher, as policiais recém-formadas precisam demonstrar excelência acadêmica. As melhores notas obtidas na Academia de Polícia (Acadepol) garantem a prioridade na escolha das unidades de atuação. Quem não alcança as pontuações mais elevadas acaba optando pelas vagas remanescentes. Essa concorrência acirrada atrai talentos excepcionais, como as delegadas Maria Luiza Lukenczuk e Isadora Haddad, que, formadas em novembro de 2024, se dedicaram intensamente aos estudos com um objetivo claro. Ambas já sabiam, antes mesmo da aprovação no concurso, que desejavam trabalhar nas DDMs. Isadora expressa sua motivação de forma contundente: “Vejo a violência contra a mulher e o machismo como reflexos do nível de educação e da cultura de uma sociedade. Trabalhar enfrentando esse tipo de problema sempre foi meu objetivo.” Maria Luiza compartilha do mesmo ideal, afirmando: “Nos dedicamos por essas vagas. Foi um objetivo alcançado.” Essa nova safra de profissionais chega com um profundo senso de propósito e um compromisso inabalável com a causa.
Desafios e recompensas: o dia a dia na linha de frente
Desde que concluíram sua formação na Academia de Polícia, as delegadas Maria Luiza Lukenczuk e Isadora Haddad atuam na 1ª DDM, localizada na Casa da Mulher Brasileira, no centro da capital. A conquista da vaga desejada, contudo, abriu as portas para uma rotina exigente, que demanda mais do que apenas conhecimento técnico. O cotidiano na DDM é marcado pelo contato direto com a dor e o sofrimento, exigindo uma combinação rara de empatia, profissionalismo e maturidade emocional para lidar com ocorrências de extrema complexidade e relatos explícitos de violência contra mulheres e crianças.
Empatia e profissionalismo diante da dor
O ambiente da Delegacia da Mulher é um palco de histórias frequentemente chocantes. Maria Luiza relata um padrão assustador observado em muitos casos de feminicídio: “Praticamente todos os casos de feminicídio que registramos aconteceram na frente dos filhos. Não há um padrão nas ocorrências, mas isso é realmente assustador.” Essa realidade sublinha a urgência e a gravidade do trabalho desempenhado. Muitos desses crimes poderiam ter sido prevenidos se houvesse denúncias anteriores, o que permitiria uma atuação preventiva da polícia e a aplicação de medidas protetivas. A ausência de denúncia prévia é um dos maiores entraves, reforçando a importância de campanhas de conscientização e da facilitação do acesso aos canais de apoio. O trabalho das delegadas, portanto, transcende a investigação criminal; ele engloba a escuta acolhedora, a orientação e a articulação de uma rede de apoio que pode ser crucial para salvar vidas.
Expansão e inovação: a rede de proteção às mulheres
O compromisso com a proteção das mulheres tem se traduzido em uma expansão significativa das estruturas e serviços disponíveis. Atualmente, o estado conta com 142 unidades territoriais de Delegacias de Defesa da Mulher (DDM), das quais 18 operam 24 horas por dia, garantindo celeridade e atendimento ininterrupto às vítimas. Além disso, houve um notável aumento das salas DDMs em plantões policiais, que hoje somam 173 unidades em todo o estado, representando uma ampliação de 174%.
Reforço da estrutura física e digital
As salas DDM em plantões policiais são estratégicas para oferecer um ambiente seguro e especializado para mulheres que buscam apoio. Nesses espaços, a vítima é atendida em videoconferência por uma equipe especializada da Delegacia da Defesa da Mulher, o que permite o registro da ocorrência, o recebimento de orientações e a solicitação de medidas protetivas emergenciais, como atendimento médico e abrigo, sem a necessidade de deslocamento físico até uma DDM específica. O serviço DDM Online funciona de segunda a sexta-feira, das 20h às 8h, e opera 24 horas aos fins de semana e feriados, ampliando consideravelmente a acessibilidade. Informações sobre a localização dessas unidades estão disponíveis no site São Paulo por Todas.
Paralelamente, o movimento “SP Por Todas” tem sido um pilar na estruturação de uma rede de políticas públicas inovadoras para enfrentar a violência doméstica e garantir saúde e dignidade às mulheres. Desde 2023, o estado intensificou o alcance das ações integradas, fortalecendo a rede de proteção com mais Salas de DDMs 24 horas, a criação da Cabine Lilás e o monitoramento de acusados de agressão por meio de tornozeleiras eletrônicas. Em 2024, foi lançado o aplicativo “SP Mulher Segura”, uma ferramenta digital crucial que oferece informações sobre acolhimento, permite o registro de boletim de ocorrência online e inclui um botão de pânico para casos onde já existe medida protetiva. A iniciativa também ampliou o número de Casas da Mulher Paulista, que hoje totalizam 19 unidades, oferecendo abrigo e apoio multidisciplinar às vítimas.
Perspectivas futuras no combate à violência de gênero
A transformação observada nas Delegacias da Mulher, impulsionada por uma nova geração de delegadas e por políticas públicas inovadoras, representa um avanço crucial na luta contra a violência de gênero. O crescente interesse em atuar nessas unidades, aliado à expansão da infraestrutura física e digital de apoio, sinaliza um compromisso fortalecido com a proteção das mulheres. Embora os desafios persistam, especialmente no que tange à subnotificação de casos, a dedicação de profissionais como Maria Luiza e Isadora, somada às ferramentas e recursos disponíveis, pavimenta o caminho para um futuro onde a violência contra a mulher seja efetivamente combatida e as vítimas encontrem o acolhimento e a justiça que merecem. A continuidade e o aprimoramento dessas ações são essenciais para consolidar um ambiente mais seguro e equitativo.
Perguntas frequentes sobre as Delegacias da Mulher
1. Como as Delegacias da Mulher (DDMs) funcionam hoje?
As DDMs são unidades especializadas da Polícia Civil focadas no combate à violência contra a mulher. Existem 142 unidades territoriais, sendo 18 com funcionamento 24 horas. Elas oferecem atendimento, registro de ocorrências, solicitação de medidas protetivas e orientação.
2. Quais serviços são oferecidos pelas Salas DDM em plantões policiais?
As Salas DDM, presentes em 173 plantões policiais, permitem que a vítima seja atendida por videoconferência por uma equipe especializada da DDM. Nesses locais, é possível registrar ocorrências, receber orientações e solicitar medidas protetivas emergenciais, como atendimento médico e abrigo.
3. O que é o movimento “SP Por Todas” e quais suas iniciativas?
O “SP Por Todas” é um movimento que estrutura políticas públicas integradas para enfrentar a violência doméstica. Inclui a expansão de DDMs 24 horas, a criação da Cabine Lilás, o monitoramento de agressores com tornozeleiras, o aplicativo “SP Mulher Segura” e a ampliação das Casas da Mulher Paulista.
Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda, não hesite em procurar a Delegacia da Mulher mais próxima ou utilize os canais de denúncia e apoio disponíveis. A sua segurança é uma prioridade.
Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br